Chapter Three - Past

1.8K 115 10
                                        

"Não rezamos por amor, só rezamos
por carros."

Starboy - The Weeknd

Não se esqueça de votar e comentar, por favor.

2 anos atrás - 58 dias antes do acontecimento

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

2 anos atrás - 58 dias antes do acontecimento.

Toronto, Canadá
02 de setembro.

Ao adentrar o recinto, fui imediatamente tomada pela visão de corpos que se moviam em perfeita sincronia ao compasso da batida ensurdecedora que reverberava pelas paredes. O ar estava impregnado de música, de suor e de desejo reprimido.

Alguns seguravam copos nas mãos, dançando sem pudor, como se buscassem no álcool e na melodia um refúgio momentâneo da realidade. À frente, um palco pequeno era tomado por um homem que cantava com vigor desmedido, enquanto uma mulher ondulava o corpo com sensualidade quase obscena, o quadril acompanhando cada nuance da canção.

Mais afastada, uma mesa reluzia sob a iluminação rubra, repleta de garrafas e copos cristalinos que cintilavam como joias proibidas. Uma multidão se aglomerava diante dela, de costas para mim, gritando e gesticulando com a embriaguez da euforia.

Atraída pela intensidade daquela agitação, avancei alguns passos. Foi nesse instante que um som grave e vibrante rasgou o ar: o ronco de motores. Virei-me à direita, e um telão projetava a imagem de uma corrida. Uma Ferrari vermelha e outra negra duelavam pela liderança, devorando curvas fechadas como predadores em plena caçada, cada aceleração uma promessa de morte ou triunfo.

Aproximei-me da barreira que delimitava a pista real. O ar tremia com a potência das máquinas, os motores rugindo como feras em fúria. As Ferraris passavam a centímetros da mureta, cada piloto ousado demais para recuar, ávido demais para perder. No último giro, a Ferrari vermelha cruzou a linha primeiro, arrancando da plateia gritos e aplausos ensurdecedores.

Quando o carro enfim parou, a porta se abriu e, para meu espanto, quem emergiu foi ele.

Hades.

Senti meu estômago revirar como se tivesse sido golpeada. Eu não sabia. Não esperava encontrá-lo ali, soberano sobre rodas e desejo. Antes que pudesse absorver a cena, uma garota de cabelos ruivos correu até ele, tomando seus lábios em um beijo ardente.

Rachel Moore.

Seu cabelo, ondulado e de um vermelho incendiário, faiscava sob as luzes, contrastando cruelmente com a naturalidade do meu. Seus olhos castanhos refletiam autoconfiança e malícia. Era bela, popular, intocável. Integrava o inseparável quarteto com Amélia, Sylve Crown e Quinn Roux, esta última, a mais desejada da escola, e a suposta namorada de Cole. Digo suposta porque, dias atrás, vi Quinn devorando outro rapaz em beijos proibidos.

Dark NightOnde histórias criam vida. Descubra agora