Chapter Eight - Past

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"A verdade está escondida em seus olhos
E está na ponta da sua língua
Só fervendo no meu sangue
Mas você acha que eu não consigo ver
Que tipo de homem você é?
Se é que é mesmo um homem
Bem, eu descobrirei isso.
Sozinha."

Decode - Paramore

2 anos atrás - 56 dias antes do acontecimento

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2 anos atrás - 56 dias antes do acontecimento.

Toronto, Canadá
05 de setembro

Uma onda de eletricidade atravessa meu corpo, deixando-me tonta. A dor em minha cabeça é insuportável, latejante, como se algo estivesse prestes a se romper dentro de mim. Maldição... queima como o próprio inferno. Sempre me disseram que a ressaca era a pior consequência após uma festa, mas eu nunca acreditei. Julguei ser apenas drama barato de quem não sabia lidar com o próprio corpo. Enganei-me.

Aqui estou, olhos cerrados com força contra a lâmina cruel da luz que atravessa a janela. Não quero abri-los. Sinto que, se o fizer, algo dentro de mim se rasgará em pedaços.

Um gemido escapa de meus lábios ao mover levemente a cabeça.

— Nunca mais vou beber. Nunca. — murmuro, a voz rouca, quase como um juramento.

Estendo-me nos lençóis absurdamente macios, que hoje não transmitem conforto, mas traição. A claridade me fere os olhos, e, quando finalmente consigo focar, meu coração despenca.

Merda.

Sento-me bruscamente. A tontura me golpeia como uma lâmina invisível, e sou forçada a levar as mãos às têmporas, abafando um gemido baixo. O quarto ao redor se revela diante de mim: sombrio, sufocante, carregado de uma atmosfera que não acolhe — prende.

As paredes em tons de cinza exalavam frieza. Acima da cama, um quadro em preto e branco retratava ondas em fúria, e a violência daquelas águas parecia um reflexo cruel do lugar. Nada ali era calmo. Nada poderia ser.

O ambiente era meticulosamente organizado, mas a ordem não trazia paz; era agressiva, como se cada detalhe tivesse sido domado à força, à custa de sangue. O tapete sob meus pés abafava passos como se conspirasse em silêncio. O espelho imenso refletia a cômoda impecável, cada objeto alinhado com uma precisão ritualística, quase militar.

Tudo pulsava entre desejo e ameaça.

Baixo os olhos para mim mesma. Ainda estou com as roupas da festa. Um suspiro de alívio escapa, mas não alivia o medo. Não me lembro de nada — apenas flashes de copos vermelhos, a música ensurdecedora, vultos rindo. Eu nunca aceitaria uma bebida de um estranho. Nunca. Então, por que estou aqui?

Algo deu errado. Muito errado.

E então o vejo.

Sentado na poltrona próxima à sacada, alto, imponente, com o sol recortando sua silhueta como se fosse um rei esculpido na penumbra.

Dark NightOnde histórias criam vida. Descubra agora