Hades & Ava
The Haunting Boys
Ninguém os conhecia.
Ninguém ousava sequer pronunciar seus nomes em voz alta.
E, ainda assim, todos sentiam o peso da sua presença.
Eles eram sombras que se arrastavam pela noite de Toronto, um segredo sussurrado entre...
"Ninguém jamais se importou comigo Tanto quanto você se importa."
Scary love - The neighbourhood.
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2 anos atrás -58 dias antes do acontecimento.
Toronto, Canadá 02 de setembro
Sonhos sempre foram um mistério que me inquieta. São fragmentos desconexos, às vezes envoltos em uma beleza quase etérea, outras vezes tingidos por sombras perturbadoras que me perseguem mesmo depois de acordar.
Muitos acreditam que cada sonho carrega em si um presságio, uma mensagem velada destinada a orientar ou alertar. Eu, porém, nunca me deixei seduzir inteiramente por essa ideia. No fundo, não acredito que possuam significados universais, tampouco que sejam previsões imutáveis do destino.
É verdade que cada sonho pode guardar uma simbologia íntima, mas não há garantias de que ela seja idêntica para todos ou sequer verdadeira. Por exemplo, dizem que sonhar com uma cobra é sinal de traição de alguém próximo, enquanto a visão de uma borboleta representaria novos começos.
Eu já sonhei com incontáveis coisas, e nada disso se cumpriu. Ou talvez eu apenas não tenha percebido os sinais ainda, quem sabe o destino esteja apenas esperando o momento perfeito para se revelar e me atingir em cheio.
Ainda assim, sonhar é fascinante. É como viver em um mundo paralelo onde tudo é possível.
O mais cruel, entretanto, é o instante do despertar aquele momento abrupto em que a realidade invade sem piedade, e, em questão de segundos, tudo se apaga. Como se mãos invisíveis apagassem as lembranças com uma borracha fria, deixando apenas um vazio frustrante, a amarga lembrança de que sonhei sem conseguir guardar o que vivi.
Sinto leves batidas contra minha bochecha. Fracas, mas incômodas o bastante para despedaçar meu restinho de paz.
Abro os olhos devagar, forçando-os contra a claridade que atravessa as cortinas e inunda o quarto. Ainda sonolenta, percebo o peso de um corpo sobre minhas costas, esmagando-me contra o colchão macio, roubando o ar dos meus pulmões.
— Sua vaca, sai de cima de mim — murmuro, a voz rouca e carregada de irritação. Não preciso olhar para saber quem é. Só Amélia, minha irmã mais velha, teria a ousadia de me acordar desse jeito.
— Vaca é você, sua vadia — retruca, com um sorriso enviesado, impregnado de escárnio.
Um suspiro frustrado escapa dos meus lábios, pesado, quase um lamento. O descanso que me restava foi brutalmente arrancado. Junto as forças que ainda me restam e a empurro, fazendo-a tombar sobre a cama com um baque seco.