Hades & Ava
The Haunting Boys
Ninguém os conhecia.
Ninguém ousava sequer pronunciar seus nomes em voz alta.
E, ainda assim, todos sentiam o peso da sua presença.
Eles eram sombras que se arrastavam pela noite de Toronto, um segredo sussurrado entre...
"Eu não consigo impedir essa energia terrível É isso aí, acho bom ter medo de mim Quem está no controle?"
Control - Halsey
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Caminho pelos corredores da minha faculdade, observando cada pessoa. Alguns me olham, outros fingem que não me conhecem ou que não me viram, mas sempre os vejo de relance, como se meu nome estivesse gravado em seus pensamentos.
Não é porque sou popular ou algo assim, mas porque sou conhecida pelo acidente que aconteceu em 31 de outubro, o dia mais inesperado e tenebroso, o Halloween.
No entanto, para mim, esse dia é apenas o aniversário de nascimento e falecimento da minha irmã, Amélia. É pela morte dela que as pessoas me reconhecem, pois está estampada em todos os jornais: o assassinato horrível em que a filha mais velha do vice-prefeito morreu.
Algumas pessoas desta faculdade me olham com dó e pena, enquanto outras me encaram como se eu fosse burra. Afinal, fui eu quem colocou Hades Hunter na cadeia.
Ele é um dos mais temidos desta instituição, junto com seus três amigos idiotas. São tratados como os que mandam aqui, os reis de um tabuleiro perverso. Muitos dizem que fui tola por enfrentá-lo, afinal, todos sabem que não se deve mexer com Hades. Foi um choque para eles descobrir que ele esteve na prisão, e que fui eu quem o colocou lá.
No entanto, não me importo com isso. Hades tirou a vida da minha irmã, e eu o coloquei na cadeia, mas isso foi pouco diante do que ele realmente merece.
Embora tenha saído da prisão, deveria apodrecer lá. Infelizmente, ele está em liberdade. Hades busca vingança, quer retribuir por eu tê-lo colocado atrás das grades, mas não me importo. Que ele venha e se vingue, pois eu farei pior.
Farei ele sentir a mesma dor que senti quando ele matou minha irmã em seu próprio aniversário.
— Com licença?
Uma voz suave e baixa interrompe meus pensamentos.
Viro-me na direção de onde ela veio e encontro uma garota baixa, mais ou menos da minha altura, magra, de corpo esguio. Seus cabelos castanho-escuros são um pouco longos, lisos, mas ondulados nas pontas. Os olhos azuis acizentado quase levemente esverdeado, mas ainda é mais azul são de tirar o fôlego. Ela veste roupas largas: um moletom preto, uma calça jeans preta e desbotada, e um All Star desgastado.
— Você precisa de alguma coisa? — pergunto assim que a analiso.
— Sim… você poderia me dizer onde fica a sala de artes?
— Você é nova aqui? — questiono, achando estranho, já que não temos novatos no final do ano.
— Mais ou menos. Eu estudava no outro prédio, mas o diretor está transferindo a gente pra cá, já que houve um incêndio nas salas. — explica.