Hades & Ava
The Haunting Boys
Ninguém os conhecia.
Ninguém ousava sequer pronunciar seus nomes em voz alta.
E, ainda assim, todos sentiam o peso da sua presença.
Eles eram sombras que se arrastavam pela noite de Toronto, um segredo sussurrado entre...
"(Eu sempre sinto como se alguém estivesse me observando) E não tenho nenhuma privacidade, oh (Eu sempre sinto como se alguém estivesse me observando) Me diga, isto é apenas um sonho?
(...)
Quando eu chego em casa à noite Eu tranco bem a porta As pessoas me ligam no telefone, estou tentando evitar..."
Somebody's Watching Me - Rockwell.
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Meus pés descalços deslizam suavemente sobre o piso frio e liso, conduzindo-me de um lado ao outro ao compasso da batida que preenche cada espaço vazio da sala. Não sinto medo. Não sinto dor. Apenas a pulsação constante da música que domina meus músculos e guia cada movimento, como se fosse um coração que não pertence ao meu corpo. É uma sensação de liberdade tão intensa que se torna quase intoxicante, uma embriaguez silenciosa.
Quando danço, todo o peso do que existe além das paredes do estúdio se dissolve, como se nunca tivesse existido.
Desde criança, sempre fui fascinada pela dança. Recordo-me de passar horas diante do vidro do estúdio, observando aquelas garotas girarem, saltarem e sorrirem, como se o mundo pudesse ser reduzido apenas àquela entrega. Havia uma chama dentro delas, e eu sabia exatamente o que era: felicidade, libertação, um êxtase puro e inatingível.
Durante meses, implorei à minha mãe para que me matriculasse nas aulas. Foi uma luta cansativa, quase cruel, mas quando finalmente consegui, percebi que cada súplica, cada lágrima, havia valido a pena.
Agora, o relógio já passa das sete da noite, e estou aqui desde as cinco, repetindo os mesmos passos, buscando a perfeição de uma coreografia que insiste em desafiar meus limites. Meu par já se foi, alegando exaustão. Deixou-me sozinha com um ensaio feito para dois, como se minha entrega solitária fosse insuficiente.
Tentei argumentar com o professor que poderia me apresentar sozinha, mas ele recusou com firmeza.
— Ainda não está pronta para enfrentar o público sozinha — disse, naquele tom paternalista que fere mais do que protege. — Precisa de um parceiro.
Engoli em seco. Por trás de suas palavras, senti a ferida aberta da subestimação. Como se minha existência dependesse da presença de um homem ao meu lado para que eu não desmoronasse.
Aperto os punhos. Respiro fundo, abafando a raiva que me corrói. E, em desafio, dou play na música que deveria dançar em dupla. A melodia de Daylight, de David Kushner, ecoa no estúdio vazio.
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