Hades & Ava
The Haunting Boys
Ninguém os conhecia.
Ninguém ousava sequer pronunciar seus nomes em voz alta.
E, ainda assim, todos sentiam o peso da sua presença.
Eles eram sombras que se arrastavam pela noite de Toronto, um segredo sussurrado entre...
"Corra, baby, corra Corra pela sua vida Vou arrancar seu coração Ele sempre será meu Corra, baby, corra Corra pela sua vida Vou arrancar seu coração Ele sempre será meu."
RUNRUNRUN - Dutch Melrose
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Ao sentir uma mão pousar suavemente sobre meus ombros, um arrepio percorreu minha espinha, fazendo-me dar um sobressalto. Virei-me com um movimento brusco, o coração acelerado, e encontrei o olhar sereno, e um tanto hesitante, de Brenna.
A surpresa tomou conta de mim. Desde o ocorrido, havíamos nos distanciado. Ou melhor, eu havia criado esse abismo entre nós. Antes, éramos inseparáveis, melhores amigas, mas depois que Hades tirou a vida de minha irmã, tornou-se impossível encarar Brenna sem que sua presença despertasse lembranças dele e de seus atos.
Sua fisionomia trazia traços do primo, o mesmo contorno do queixo, o olhar penetrante, e essa semelhança me corroía por dentro.
Eu sabia que ela não tinha culpa. Brenna jamais teve participação no crime, mas ainda assim, conversar ou simplesmente estar perto dela era como abrir feridas que eu tentava, em vão, cicatrizar.
Contei a ela sobre esses sentimentos, e Brenna, compreensiva como sempre, sugeriu que nos afastássemos para que eu pudesse encontrar algum alívio.
Antes de se retirar da minha vida, deixou claro que estaria ali, esperando, quando eu estivesse pronta para retomar nossa amizade. Mas, até agora, eu não consegui. As lembranças de Hades continuam vivas, latejando, e a ideia de reatar parecia um desafio impossível.
Ainda assim... eu sentia falta dela. Uma falta dolorosa, silenciosa.
- Ei, Ava - cumprimentou Brenna com um sorriso tímido, a voz soando cuidadosa, quase frágil.
Foram dois anos sem realmente trocarmos palavras. Não a culpo pela hesitação.
- Oi, Bree - respondi, usando o apelido que costumava lhe dar. Esforcei um pequeno sorriso, que ela prontamente retribuiu.
- Eu te vi correr. Você foi incrível - elogiou, um brilho de admiração surgindo em seus olhos. - Conseguiu ganhar do Hades... estou impressionada. Franzi levemente a testa, incomodada com o tom de surpresa.
- Não foi nada demais - murmurei, tentando minimizar.
- Nada demais? - Bree arqueou as sobrancelhas, incrédula. - Foi espetacular! Ele estava prestes a vencer e você simplesmente acelerou, ultrapassando a linha de chegada!
Ela riu, e o som leve despertou em mim uma saudade que eu nem sabia medir.
Havia algo de reconfortante naquela risada.
Brenna foi minha primeira amiga de verdade, a única que nunca se aproximou por pena ou interesse. Mesmo nos meus piores momentos, quando crises de pânico me faziam correr para o banheiro em busca de ar, ela sempre aparecia, silenciosa, para me ajudar a me recompor.