Hades & Ava
The Haunting Boys
Ninguém os conhecia.
Ninguém ousava sequer pronunciar seus nomes em voz alta.
E, ainda assim, todos sentiam o peso da sua presença.
Eles eram sombras que se arrastavam pela noite de Toronto, um segredo sussurrado entre...
"Cedo de manha. Quando você bateu na minha porta. Eu disse, Olá, Satã Eu acredito que esteja na hora de ir"
Eu e o Demônio Caminhando lado a lado Eu e o Demônio Caminhando lado a lado"
Me and The Devil-Soap&skin
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Ao concluir a última dança, recolhi minha bolsa e os poucos pertences que repousavam sobre o chão polido do estúdio. Lá fora, a madrugada já reinava soberana; eram duas horas da manhã, o instante em que o silêncio se torna uma entidade sufocante, e a equipe de limpeza inicia seu labor quase invisível.
Naquela noite, como em tantas outras, cruzei com Jeffrey, o supervisor que zelava pelo prédio durante a escuridão. Um homem de voz branda, olhar cordial e uma gentileza que parecia destoar daquele ambiente vasto e deserto. Às terças e sextas, era ele quem, sem uma única reclamação, destrancava a porta para que eu pudesse ensaiar sozinha, longe de olhos intrusos.
Escolhia aquele horário precisamente pela solidão. Naquelas horas, o prédio parecia me pertencer, ou talvez fosse apenas o que eu gostava de acreditar.
O corredor da Royal LeBlanc Elite se estendia diante de mim como um túnel infindável de sombras. Ao avançar, senti algo. Um peso invisível repousou sobre minhas costas, como se um olhar gélido me atravessasse a carne. Virei-me depressa. Nada. Apenas o vazio, faminto, engolindo minha visão. Forcei um sorriso nervoso. Deve ser Jeffrey… precisa ser Jeffrey.
Continuei até a saída. Empurrei a porta. Nada. Empurrei outra vez, com mais força. Continuava intransponível.
Trancada.
Um arrepio viscoso subiu pela minha espinha, deixando-me ofegante.
— Jeffrey? — minha voz ecoou, carregada de hesitação. — Está aí?
Nenhuma resposta. Apenas o silêncio denso, vivo, devorando cada som.
O desconforto se instalou com brutalidade, infiltrando-se nas minhas veias. Perguntas se atropelavam na minha mente. Por que ele trancaria a porta? E por que não me respondia?
Estava prestes a voltar ao estúdio quando um som rasgou o silêncio: um arranhar metálico, estridente. Vinha de um corredor lateral, mergulhado na penumbra. Olhei… e só a sombra respondeu.
O ruído retornou, mais alto, mais próximo. Meu corpo entrou em alerta, cada músculo tenso, como se a própria escuridão me observasse. O som era de metal raspando contra metal. A imagem tomou forma antes que eu pudesse impedi-la, a lâmina de uma faca arranhando o ferro de um armário.