Lá na treta do Martins

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Os últimos cinco dias de Kelvin e Ramiro foram assim: eles transavam, viam irmão do Jorel, Kelvin insistia para eles assistirem Moulin Rouge pela décima vez, Ramiro cozinhou todas as comidas favoritas de Kelvin, eles transaram mais um pouco, discutiram sobre divas pop, onde Kelvin dizia que Lady Gaga era a maior das divas e Ramiro era team Christina Aguilera.

– Meu aniversário é amanhã, sabia? — Kelvin disse, terminando de lavar a louça.

Ramiro parou de mexer na panela na hora e se virou para ele com uma expressão engraçada.

– Como você me avisa isso agora? Caralho, agora vou ter que correr pra organizar um baile, uma festa, porra nem sei o que fazer. — Ramiro andava de um lado pro outro, deixando as panelas pra trás

– Ramiro, ei, Ramiro, olha pra cá — Kelvin tentava falar, mas o cacheado parecia uma barata tonta — Rams, olha pra mim, por favor.

Ramiro parou na hora em ouvir aquele apelido. Será que ele tinha ouvido certo.

– Você me chamou de que?

Kelvin franziu o cenho na hora, confuso. Ele havia dito algo errado?

– Rams, ué. Você não gostou?

Ramiro se aproxima dele e o abraça tão apertado que o loiro sentia quase desmaiar.

– Esse era o apelido que minha mãe me chamava, Kevín. Ninguém além dela, nunca me chamou assim.

Ramiro dizia baixinho, ainda no abraço e Kelvin sentia seu coração quebrantar.

– Oh, Ramiro, me desculpa, eu não sabia. Não queria te deixar triste, prometo não chamar novamente.

Ramiro se afastou o suficiente para conseguir o olhar nos olhos e Kelvin percebeu que algumas lágrimas já rolavam pelo seu rosto.

– Não, eu não falei isso. Eu quero que você chame sim. Só fiquei surpreso porque nunca havia acontecido antes. Mas pra mim isso só comprova que você não é como os outros, Kevín, você chegou de presente pra mim.

Pois é, nessa altura, Kelvin já chorava também.

– Ai, Rams. — ele deu um selinho demorado no outro e limpou suas próprias lágrimas depois de passar a mão no rosto do preto — Mas, xô tristeza, porque amanhã é meu aniversário e você não vai fazer baile nenhum, senhor Ramiro.

– Mas-

– Mas nada. Amanhã eu vou ter que ir pra casa se não a Berenice vai me matar e a família dela sempre faz uma festinha pra mim, se você quiser ir...

– Kevín, você sabe que eu não posso ficar de rolé fora do morro, geral quer minha cabeça. É perigoso pra mim e pra você. Eu não tenho família, então eles são doidos pra descobrirem uma pessoa que é especial pra mim, pra usar como refém. Eu sou capaz de fazer uma loucura se alguma coisa acontecesse com você.

Ainda bem que os braços fortes de Ursão rodeavam Kelvin, se não, ele com certeza teria caído ali mesmo.

– Tudo bem, eu imaginei. A gente vê o que pode fazer depois.

O dia dos dois foi extremamente preguiçoso, aproveitaram apenas a presença um do outro e logo foram dormir.

Kelvin estava tendo um sonho muito confuso, quando foi acordado por Ramiro, que segurava um bolo na mão e cantava parabéns. Olhou pro visor do celular e sorriu: meia noite em ponto.

– Ai Rams, obrigado.

Kelvin se levantou, com um sorriso de ponta a ponta, e o abraçou, cuidando para que não derrubassem o bolo.

Complexo - Kelmiro Onde histórias criam vida. Descubra agora