Interlúdio

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Calum está chorando, pois a noite que ele tinha achado ser maravilhosa não passou de uma enganação, algo que o rapaz gostaria de apagar pra sempre de sua memória. Ele foi num encontro com um cara que estava conversando há um tempo, então eles tiveram uma noite de sexo intenso, mas o príncipe virou sapo e o rapaz descobriu ter se metido com um chantagista, que gravou tudo.

Calum não é assumido e tem pais bem linha dura que não aceitariam sua orientação sexual, o que só piorou a chantagem. Ele deveria colocar bebida alcoólica em tudo que seu amigo, Rob — que é um alcoólatra sóbrio —fosse beber, senão o vídeo seria compartilhado com todos da faculdade.

— Por que você quer fazer isso com ele? — Calum pergunta.

Winston o lança um sorriso maldoso e superior.

— Por que ele fica correndo atrás da Sandra, e isso me irritou. Eu quero fazer aquele bebum passar vergonha e ser tratado como um vagabundo.

— E você acha que tá muito diferente? Você traiu a Sandra comigo!

— Não me culpa por isso, seu idiota! Você não queria dar pra mim que nem uma puta? Pois conseguiu.

— A culpa não é toda minha! Você me deu conversa.

— Não tô nem aí. É melhor me obedecer, senão todos vão ver você como a puta que você é.

O asiático o entrega um frasco de Xanax.

— Coloque isso junto. Sem mais perguntas, você não tem escolha.

— E-eu posso fazer o Rob esquecer a Sandra, mas por favor apaga o vídeo. Eu não posso fazer isso com ele.

— Eu pedi ideias por acaso? Amanhã você vai deixar o Rob bêbado, bem doidão, e então vai chamar a Sandra pra ir vê-lo. É muito simples, do mesmo jeito que foi pra você abrir as pernas pra mim.

— Como você consegue, hein? Você parecia ser um cara tão bom.

— Ninguém pode dizer que eu sou ruim, é. E não é você que vai, vamos combinar.

No outro dia Calum estava no sofá esperando Rob voltar de uma corrida, o mesmo começou esse hobby como uma das maneiras de se manter sóbrio, o que tem dado certo depois de duas recaídas nas outras tentativas. Outra coisa pela qual ele tomou gosto foi por suco de laranja, ele bebe várias vezes por semana como uma forma de evitar o álcool.

— Cheguei.

O rapaz entra no dormitório animado, ainda se exercitando.

— Eu gosto de te ver animado assim, fico feliz que você esteja se esforçando. — Calum diz.

— E eu fico mais feliz ainda por ter você do meu lado pra me dar força, Cal.

— Eu sempre estive aqui, pretendo continuar.

Rob se aproxima e abre os braços.

— Dá um abraço no seu amigão aqui, vai.

— Não, você tá suado!

Eles riem.

Rob se aproxima mais.

— Não!

Ele apenas bagunça o cabelo do amigo e o lança um sorriso convencido.

— Você sabe que se eu quisesse te abraçar você não conseguiria impedir, né, nanico?

— Ah, tá.

Eles riem mais.

— Vou tomar banho.

— Tá bom.

Ele se afasta e Calum faz uma expressão triste, alcançado a sacola com a pequena garrafa de bebida que acabou de comprar, então pega o frasco de Xanax em seu quarto.

— Desculpa, meu amor... — ele diz baixo.

Minutos depois o indiano põe suco de laranja num copo, então coloca um pouco de bebida com Xanax junto e guarda tudo.

— Aqui, preparei já sabendo que você ia tomar. — o mesmo diz ao ouvir os passos de Rob.

— Valeu, nanico. — Rob diz o abraçando de lado, o tirando do chão.

— Não precisa jogar na cara também.

Ele gargalha.

Rob vai pro sofá bebendo seu suco, então Calum morde o lábio pra não chorar.

— Ué, já te chamei pra malhar comigo, Cal.

— Dá última vez eu fiquei com as pernas ardendo, você fica gritando pra eu continuar até eu quase cair duro.

— É, eu forço, e olha as coxonas que eu tenho.

— Haha.


Rob está no terceiro copo de suco, sua fala já está mole e ele já está rindo com um jeito de bêbado.

Calum acaba de conversar com a Sandra no celular e olha pro amigo, levantando em seguida.

— Rob, eu tenho que sair.

— Pra quê?

— Uma coisa aí...

— Vai não, Cal.

— É coisa rápida, amigo.

O indiano sai apressado, ele precisa ir tomar um ar pra conseguir lidar com o que está sendo chantageado a fazer, e o mesmo não aguentaria vê-lo fazer papel de ridículo pra Sandra. O rapaz fica rodando pelo campus, vendo todo o alvoroço dos estudantes nesse sábado à noite.

Calum demora quase vinte minutos pra voltar pro dormitório, e quando enfim o faz, tem uma surpresa nada agradável.

— Ai, meu Deus! Sandra!

Continua...

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