Quebrando regras

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12 de março — Domingo

Filha — Jake chamou na porta, mas só havia silêncio, então ele bateu algumas vezes — Clarkezinha

Silêncio

tentou abrir e notou que estava trancada — Hey, eu não gosto de portas trancadas, por exemplo agora, preciso ver se está bem e não consigo

A porta se abriu rapidamente, mas só uma fresta e Clarke parecia destruída de sono — Estou viva, e que horas são hein?

10 da manhã, é melhor plantar aquelas sementes, você não comprou pra isso? — sorriu e tentou disfarçar quando percebeu o evidente cheiro de álcool na filha, decidiu não comentar sobre, ele também já foi adolescente

Tá bom.

Fica com meu relógio, aí você não perde as horas — Jake o tirou do próprio pulso e sorriu, passando para ela

Mamãe me deixava dormir até às 4 da tarde se eu quisesse — resmungou

Tá, só que eu vou cuidar de você, diferente dela — as palavras a despertaram, e ele continuou — A adolescência acaba, sabia? É melhor você viver ela, não dormir nela.

Clarke deu um sorrisinho cansado e concordou, se afastando da porta e deixando que ela se abrisse.

Jake reparou uma garrafa de bebida quase vazia ao lado da cama, queria ser um bom pai mas não sabia o que isso significava, tentava ser diferente do próprio pai, mas Clarke também precisava de uma mãe, e ele não havia uma por perto, e não sabia se Abby sequer sabia que ela bebia, nem se isso era frequente, eram muitas perguntas, talvez o tempo poderia respondê-las.

Quando desceu as escadas, Octavia estava na sala — Bom dia, dorminhoca — desviou a atenção do celular em mãos e observou Clarke, arregalando os olhos — Nossa, você anotou a placa?

Oi? — chegou no fim da escada confusa

Do caminhão que te atropelou, você tá horrível

Obrigada. Quer me ajudar a.. hum, você sabe — Clarke esqueceu a palavra certa e gesticulou uma tesoura com os dedos. Octavia arqueou uma sobrancelha

Essa hora? Que promíscua.

Eu tô falando do jardim — as duas ficaram em silêncio se olhando

Uma tesoura simboliza jardim?

Ah, pensei em tesouras de jardinagem — ajeitou o relógio em seu pulso — E preciso te contar uma coisa.


[. . . Homens não temem espadas. Eles temem monstros . . . ]


Lexa seguravseu antigo diário com as mãos pálidas, não tocava nele há décadas, as páginas amareladas pelo tempo exalavam um cheiro forte. A escrita delicada e elegante, feita por ela há mais de um século atrás. Enquanto lia, lembranças do passado começaram a fluir, se viu novamente como uma jovem humana, cheia de sonhos e planos, medos e dúvidas, descrevendo os momentos felizes em sua curta vida.


"3 de fevereiro de 1917

Hoje, Laura Harrier disse que espera que sejamos amigas até a morte, foi meio mórbido, mas eu gostei.

Sangue proibidoOnde histórias criam vida. Descubra agora