Há muito tempo atrás, em um distante povoado, vivia um humilde casal de lavradores e sua filha, uma garotinha esperta que adorava brincar pelos arredores.
Certa vez, sua mãe a deu de presente de aniversário um lindo anel de ouro, que a garota adorou. Ela passou a usá-lo o tempo todo, até para brincar.
Até que, num dia quente, a menina resolveu ir nadar em um rio próximo e, antes de entrar na água, tirou seu anel e o deixou em cima de uma pedra. Ela passou a tarde inteira se divertindo na água até que, com o passar das horas, se deu conta de algo:
- Puxa! Já está ficando tarde! Se eu demorar para voltar pra casa, meus pais vão ficar preocupados comigo...Ela saiu do rio, se secou, vestiu suas roupas e voltou para casa. Ao chegar lá, notou algo que a desesperou:
- Essa não! Esqueci meu anelzinho lá! Preciso voltar e buscá-lo!Dito isso, tomou novamente o caminho até o rio. A noite já vinha caindo, porém a menina nem pensou nisso. Nesse momento, só se importava com seu querido anel.
Ao chegar ao rio, não encontrou o anel em cima da pedra. Porém, assim que começou a procurá-lo ao redor, escutou uma voz grossa lhe dizer:
- Está procurando algo, garotinha?Assustada, ela se virou e deu de cara com um estranho homem que ela não conhecia. Ele usava um chapéu de aba larga, vestia roupas sujas e um pouco rasgadas, tinha um extenso bigode no rosto e trazia um saco de pano sobre o ombro.
- Estou procurando meu anel, senhor... - ela respondeu, intimidada pela feição dura do sujeito. - Eu o tinha deixado bem aqui, em cima dessa pedra.
- Um anel de ouro? - indagou ele, enquanto apagava o cigarro de palha que estava fumando.
- Isso mesmo! - ela respondeu, esperançosa. - O senhor o viu?
- Vi, sim. Eu o guardei aqui em meu saco para o caso do dono aparecer. - disse ele, pondo seu saco de pano no chão, com a boca do saco bem aberta. - Venha, pode pegar.Timidamente, a menina se aproximou do saco e enfiou as mãos nele, procurando seu pertence, mas não achou.
- Senhor, acho que meu anel não está aqui.
- Está, sim, garota. Eu mesmo o pus aí dentro! Procure melhor.A menina enfiou seus braços inteiros lá dentro e continuou tateando, mas não encontrou nada. Percebendo a expressão confusa no rosto dela, o homem disse:
- Ponha o rosto dentro do saco. Assim vai enxergar melhor o anel.A menina obedeceu, e entrou dentro do saco de corpo inteiro. Assim que ela fez isso, o homem rapidamente se abaixou e agarrou o saco com ela dentro, fechando-o com um nó logo em seguida. A pobrezinha tentou se debater e gritar por socorro, em vão. Com uma gargalhada, o sequestrador a disse:
- Não adianta gritar, criança estúpida. A partir de agora, você vai me ajudar a fazer dinheiro por aí! Toda vez que eu te cutucar três vezes, você deve começar a cantar! E trate de cantar bem!
- Mas, senhor! - ela chorou, assustada. - Meus pais estão a minha espera em casa! Eu preciso...
- Cale essa boca! - ordenou ele, quase rosnando. - Se não fizer o que estou dizendo, não te dou comida nem água!Soluçando, a menina foi obrigada a aceitar tudo aquilo. O homem saiu assobiando, risonho, com o saco cheio nas costas. Ele levou a garota até um casebre abandonado e escuro onde ele vivia e largou o saco rudemente em um canto.
Na manhã seguinte, o sujeito levantou bem cedo, acordou a menina dentro do saco com um tapa e a deu alguns pedaços de pão velho para ela comer. Depois, pôs o saco nas costas e tomou a estrada, rumo a um vilarejo próximo dali.
Ao chegar lá, o malfeitor levou o saco até uma praça cheia de pessoas e anunciou, em voz alta:
- Saudações, meu bom povo! Hoje trago a vocês o meu saco cantante! Este saco não é como qualquer um! Ele canta como gente! Apreciem!Dito isso, cutucou três vezes a menina, que começou:
"Eu sou só uma criança
E a vida é um pesadelo
Peço a Deus por esperança
É apenas este meu apelo"
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Contos de Fadas
FantasíaUma seleção de contos clássicos, escritos nas minhas palavras como eu os ouvi.