Peguei na minha lancheira e sentei-me na mesa da sala de almoços, com o resto do pessoal. Amy já tinha almoçado mais cedo e via-se da janela que estava sentada num dos bancos da quinta a falar ao telemóvel. Sentei-me e deixei o meu corpo cair por completo na cadeira de madeira… A malta ria-se mas eu só olhava pela janela, e por entre as folhas das árvores, avistava Amy com um ar sério. Comi o meu almoço e levantei-me dirigindo-me até ao exterior. Ouvi Amy gritar contra o telemóvel. Fui ter com ela.
- Amy?
Ela olhou para mim e fez sinal com a mão para esperar… Fiquei ali. Ela não falava, só ouvia. A pessoa do outro lado gritava pois até eu conseguia ouvir a voz grossa masculina do outro lado da linha. Pensei que se calhar era melhor deixa-la sozinha e fui para o tanque dos golfinhos.
Peguei no balde dos peixes e comecei a orienta-los… O sol agora era forte e sentia as minhas costas quentes e as minhas mãos suadas Esvaziei a minha cabeça e concentrei-me naqueles animais tão meigos e serenos. Agachei-me à beira do tanque, ouvindo aqueles sons relaxantes. Levei a minha mão à cabeça puxando um dos meus caracóis para o lado, podendo facilitar a minha visão. Fui aos balneários e vesti o meu equipamento para ir nadar com os golfinhos e ensinar mais truques dentro de água. Fiquei lá a tarde inteira.
Peguei na chave do meu carro e dei a saída. Reparei que os meus dedos ainda estavam um pouco engelhados. Coloquei a mala no ombro e caminhei para o carro. A lua já estava no céu mas a escuridão não era muita. O sol tinha acabado de se pôr.
- Harry?
Ouvi Amy dizer o meu nome e rodei a minha cabeça espreitando por cima do ombro, mesmo antes de chegar ao carro. Virei o meu corpo suavemente e mantinha-me frente a ela. O seu olhar parecia congelado. Desde a hora do almoço que não a tinha visto mais. Os seus lábios mantinham-se cerrados e as suas sobrancelhas estavam rectas… Olhei para baixo e reparei que tinha um dos punhos fechados enquanto a outra mão se levantava para meter o cabelo atrás da orelha. Ela parecia tensa.
Fixei os meus olhos nos seus. Mexi no meu lábio inferior com a mão esquerda e fiquei à espera que ela dissesse algo. Os meus cabelos cobriam os meus olhos verdes e ainda estavam húmidos da água. Ela quebrou o silêncio.
- Desculpa!
Olhei para ela e franzi a sobrancelha. Dava para ver no olhar dela que não estava bem. Pousei a minha mala no chão e aproximei-me dela. Ela prendeu a respiração. Puxei a mão dela e abracei-a. Nem eu sabia o que estava a fazer. Se há dois ou três anos me dissessem que eu algum dia ia abraçar Amy, eu iria rir-me, sem dúvidas. Mas ali, sentia que algo não estava bem, então, pousei os meus longos braços fortes e musculados à volta do seu corpo.
Ela abraçou-me, e podia perceber que o estava a fazer com alguma força, pois percebia que ela fazia força nos braços para abraçar as minhas costas. Encostou totalmente a sua cabeça ao meu peito e suspirou.
- Amy?
Ela continuou abraçada a mim. Com uma das minhas mãos afastei-lhe o cabelo da cara e levantei o seu queixo suavemente.
- Porque me pedes desculpa?
