Disse-lhe entre os lábios ainda juntos à sua testa. Ela afastou-se de mim e olhou para os meus olhos verdes. Depois de alguns segundos de contacto visual olhou para baixo e disse “Obrigada”. Olhou para os meus lábios e deu-me um beijo na bochecha.
Pegou numa das minhas malas e subimos para o quarto de hóspedes. Ajudou-me a arrumar as roupas no armário e depois sentou-se na cama e ficou a olhar para mim enquanto acabava de pôr as últimas camisas nos cabides.
- Porque fazes isto por mim?
Acabei de pendurar a ultima camisa e olhei para ela. Sorri e levei a minha mão ao cabelo. Ela estava sentada na cama. Tinha uma t-shirt preta vestida. Era justa e condizia com as calças de gangas apertadas que usava. O seu cabelo castanho estava a cair para a frente dos seus ombros e as suas mãos ajudavam como apoio, pousadas no colchão.
- Apenas não suporto a ideia de alguém te fazer mal.
Fechei as portas do armário e virei-me para ela novamente. Ajoelhei-me à frente dela e com uma mão meti-lhe um pedaço de cabelo atrás da orelha. Oh, como ela era linda. Fechou os olhos com o meu toque e respirou fundo. O ar parecia sempre melhor quando era partilhado com ela. Retirou uma mão do colchão e meteu-a por cima da minha que ainda se mantinha na sua face. Abriu os olhos novamente, e olhou para mim.
- Sinto-me segura quando olhas assim para mim!
Aquelas palavras confortaram o meu coração e dançaram nos meus ouvidos. Como era bom ouvir aquilo. Sentia-me bem com ela. Queria ser o seu herói, e faze-la sentir-se como uma princesa. Queria estar apenas com ela… Não hesitei em lhe responder…
- Então ficarei a olhar-te para sempre!
Notei que as suas bochechas ficaram mais rosadas e também as senti quentes… A pele dele, tão macia, tão perfeita! Retirei a minha mão da sua face e sentei-me ao lado dela, na cama. A sua mão agarrou a minha, que tinha acabado de pousar em cima do joelho e prendeu os seus dedos aos meus! Encostou a sua cabeça no meu ombro e eu apenas apreciei o momento… amei.
Desci ao andar de baixo e fui direito à cozinha buscar algo para petiscarmos. Abri o primeiro armário da sua cozinha branca e retirei um pacote de batatas Lays, e depois fui buscar sumo. Teria de me habituar aquilo… Se queria proteger Amy, teria de estar por perto.
Abri a porta do quarto e vi-a sentada em cima da cama, de pernas à chinês, a ver algo no computador. Pousei as batatas e o sumo na secretária e fui-me sentar junto a ela. O meu corpo ficou apoiado num único braço, que estava dobrado em cima do colchão… As minhas pernas estavam a fazer uma espécie de 4 deitado. Encostei a minha cabeça ao braço dela e ouvi um riso a escapar-lhe da boca.
- Os teus caracóis fazem cócegas!
Ela fechou o portátil e começou a mexer no meu cabelo, fazendo remoinhos com o indicador. Pousou a minha cabeça nas suas pernas e olhou para mim. Conforme baixou a cabeça, os seus cabelos longos bateram na minha cara, e fechei os olhos com força. Ela meteu o cabelo para trás e depois deu-me um beijo na testa e continuou a fazer-me suaves festas no cabelo.
- Nunca vou arranjar forma de te agradecer, pelo que estás a fazer… Harry.
A minha mão subiu até à minha cabeça, agarrando a dela… Puxei o meu corpo para cima e sentei-me frente a ela, também de pernas cruzadas. Olhei para ela… Não me cansava de o fazer. Fechei os olhos e com o polegar fiz uma suave massagem na sua mão…
- Faço isto porque gosto de ti… Preocupo-me contigo…
Ela manteve-se serena e quieta. Agarrou a minha mão com força e aproximou-se de mim. O meu coração começou a bater mais depressa. Os meus olhos fixavam os seus lábios. Respirei fundo e fechei os olhos e senti um leve beijo no canto da minha boca… Afastou-se e disse…
- Eu também gosto muito de ti!
O sorriso apareceu nos meus lábios e finalmente abri os olhos. Ela acabou por ir à secretária buscar os “comes e bebes” que eu tinha trazido da cozinha. Sentou-se na cama e abriu novamente o portátil e ficamos a comer e a ver um filme de comédia. Ouvimos do andar de baixo, a campainha a tocar…
- Eu vou lá!
Disse enquanto me levantava e lhe dava um beijo na mão… Descalço e com o cabelo todo despenteado, desci as escadas e dirigi-me à grande porta da entrada. Abri e o sol tapou-me a visão, mas rapidamente a pessoa que tinha acabado de tocar, fez sombra sobre mim. Olhei um bocado para cima para ver quem era. Fechei os meus punhos e cerrei os dentes. O ex-namorado de Amy estava diante de mim e com ar de bom. Ouvi Amy perguntar quem era do quarto.
- O que é que tu queres?
