Hannah está de volta e o Homem Sem Rosto aparentemente está morto. As coisas aparentemente estariam voltando ao normal, ou pelo menos deveriam estar voltando ao normal.
Amy e Richy estão mortos e o caso de Jennifer Hanson nunca esteve tão vivo. Jake...
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6 anos atrás (quatro anos desde o acidente)...
Aquele acidente acabou comigo. Saber que eu tirei a vida de alguém, que por minha culpa uma pessoa não existe mais, não vai mais poder continuar sua vida, não vai poder abraçar sua família de novo... Isso acaba com uma pessoa.
Quando a notícia foi divulgada nos jornais algum tempo depois, era como se eu revivesse aquele momento. Pior foi ver o depoimento dos pais daquela pobre garota, a mãe dela parecia acabada.
Para ser honesta, eu não achava justo estar viva enquanto, por um erro meu, outra pessoa estava morta. Conversei isso várias vezes com Amy durante os primeiros dias, mas ela parecia tão abalada quanto eu. Pensei muitas no que poderia fazer para acabar com aquele tormento.
Minha mente estava uma porcaria. Principalmente pela culpa de ter envolvido April e Amy no meio. Especialmente a caçulinha, ela era apenas uma criança que queria ir para casa e estava dormindo no banco de trás do carro. Não merecia ter que carregar essa culpa.
Eu posso ter destruído a vida de alguém, mas pelo menos podia tentar aliviar a consciência de April, dei permissão para que ela revelasse tudo se quisesse, mas definitivamente não esperava que ela não só mantivesse o segredo como também pegasse a responsabilidade para ela.
Sempre gostei da garota, ela era determinada, confiante e mais esperta do que alguém lhe dava real crédito, mas nunca imaginei que fosse forte daquele jeito também.
A maneira como ela me abraçou quando eu desabei me deu esperança de seguir em frente. Como se aquele peso horrível se tornasse mais leve, a promessa de um futuro melhor em que eu poderia superar tudo aquilo.
Eu não sei explicar a sensação, mas sei dizer que senti algo estranho se encaixando, de alguma maneira April ajustava perfeitamente comigo. Sempre fui próxima de sua família, mas quando ela foi crescendo acabamos nos afastando. Eu prefiro encarar isso como uma forma bem perturbadora que a vida deu de nos aproximar de novo.
O pior é que esse pensamento deveria me fazer sentir a pior pessoa do universo, entretanto ele só parecia certo. Depois disso, esse pensamento só se confirmou mais e mais, a cada dia que passava April ficava cada vez mais próxima, ela era a única coisa que conseguia me manter estável, e eu gosto de pensar que também represento isso para ela.
Amy ainda era uma ótima amiga, alguém próxima em quem eu confio, no entanto, Ape era mais. Se Amy era quem me segurava, April era a pessoa que me puxava para cima, me mantinha estabilizada, sã.
Eu estava certa sobre uma coisa: April realmente foi a esperança de um futuro melhor e mais leve para mim.
Os últimos quatro anos foram muito bons, aquele peso ainda continua aqui, mas agora sinto que consigo carregá-lo. Ainda tenho meus dias ruins, mas consigo passar por eles e eles são menos frequentes agora.