Capítulo Vinte e Cinco

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   Eu sabia!

   Assim que recebi a mensagem de Jake afirmando que estava vivo e permiti que deletasse tudo o que estava em meu celular, tive que traçar um plano o mais rápido que podia para limpar a idiotice que eu tinha feito ao tentar entregá-lo ao agente Cooper.

   Quando Alan me beijou eu me assustei, mas percebi bem rápido o porquê ele tinha feito aquilo, era para garantir que ganhássemos tempo até os dados do meu celular serem completamente deletados. Isso também me ajudou a colocar minha mente no lugar e pensar em como poderia distrair o agente Cooper e descobrir se o governo realmente sabia que Jake estava vivo ou se aquilo era só uma armadilha para que confirmassem tudo através de mim.

   Eu cansei de brincar de pega-pega com o governo. Cansei de ver Jake fazendo isso, principalmente sabendo que já o faz a quatro anos e eu tinha que dar um jeito de parar essa palhaçada, pelo menos por um tempo.

   Foi como tive a ideia do depoimento.

   Tudo o que eu disse em frente aquela câmera de registro era verdade, eu não menti um segundo sequer com a esperança de que Jake pudesse dar um jeito de ver aquilo. Entretanto, eu também precisava jogar a isca. Obviamente eu me lembro que meu hacker me convidou para um restaurante chinês, mas tinha certeza de que eles não.

   Precisava descobrir três coisas super importantes:

1- Se eles tem ou não a certeza do status de Jake, ou apenas suspeitas;

2- Se o Homem Sem Rosto acesso as mesmas coisas que nós;

3- Se Jake estava por perto e se tinha visto minha mensagem, sei que ele não me deixaria vir aqui sozinha.

   De brinde, ainda posso descobrir se o governo tem me seguido. Quando comente sobre o suposto restaurante mexicano eu não dei nenhum endereço, então não acho que o governo vaia adivinhar tão fácil qual é o local.

   Seguindo meu plano, vim até um restaurante de comida mexicana qualquer que achei na Internet perto de Duskwood, fiz um pedido qualquer e me sentei em uma das mesas em um local visível para que, caso o agente Cooper apareça, ele possa me ver. O mesmo para Jake ou o projeto de GhostFace.

   Como suspeitei, minutos após minha chegada, David Cooper entrou pela porta discretamente e se sentou em um canto afastado que lhe permitia uma boa visibilidade para minha mesa. Minhas suspeitas foram confirmadas: eles não têm certeza se Jake está vivo e eles estão me seguindo para que possam confirmar suas suspeitas.

   Não vou mentir, eu estou com tanta raiva que tenho uma vontade avassaladora de levantar dessa mesa, pular em cima desse babaca e esgana-lo por tentar me fazer entregar tudo sobre Jake enquanto fingia que ele estava morto só para me manipular, mas sou mais esperta que isso.

   Um plano perfeito não abre espaço para emoções, eu precisava me manter calma, mas também precisava fingir que vim aqui apenas encontrar alguém e eu já tinha o disfarce perfeito.

   A porta do restaurante se abre novamente e Alan passa por ela.

   As coisas ficaram estranhas ontem depois do beijo. Assim que saí da sala onde dei meu depoimento, Alan me puxou para seu escritório para me implorar desculpas pelo comportamento.

   Eu garanti a ele que estava tudo bem e que sabia que ele jamais me beijaria à força. Só que isso não o impediu de ficar se sentindo mal, mas tenho certeza de que meu suposto provável desconforto com a situação pode não ter sido o único motivo. Deduzi que talvez ele só estivesse se sentindo mal por também ter escondido de mim que Jake estava vivo.

   Alan se aproxima da mesa, beija minha bochecha e se senta na cadeira à minha frente. Ele segura minha mão por cima da mesa e faz um carinho leve com seu polegar e pergunta se estou bem.

Sombras No Presente - DuskwoodOnde histórias criam vida. Descubra agora