3 anos atrás (um dia depois do acidente)...
Há um carro na estrada, uma batida forte e vários estilhaços de vidro no chão. Há uma máscara assustadora na minha frente.
Há sirenes de ambulância, alguém acariciando meu cabelo. Há uma voz feminina irritada do lado de fora.
Há dor e cheiro de sangue.
E então, de repente, não há nada. Um vazio, um breu no meu caminho, uma enorme venda vermelha de algo distante e apagado.
O cheiro estranho de hospital me incomoda o suficiente para que eu acorde. Minha cabeça lateja de dor, mas forço meus olhos a se abrirem.
Olho para o lado e vejo o quarto branco em que me encontro. Reparo no vaso de flores ao lado da minha cama, as cortinas brancas abertas balançando com o vento que entra pela janela aberta, o cobertor roxo de pelinhos que me cobre.
Me sento na cama com dificuldade e olho a fitinha em meu pulso.
"April Henderson, 19 anos."
Franzo o cenho tentando reconhecer o nome e minha cabeça lateja mais forte. Acordar e não se lembrar do próprio nome, odeio quando isso acontece. Mas... Isso já aconteceu antes?
Nenhuma memória me vem à cabeça. Estranho o acontecimento, só que deixo de lado, não é importante.
A porta se abre e um homem passa por ela. Ele tem um olhar cansado e os cabelos desgrenhados. Sua aparência abatida não combina em nada com as roupas caras e perfeitamente alinhadas.
A dor aguda na minha cabeça volta e eu fecho os olhos com força.
- Filha, tudo bem? - o homem se aproxima e me segura pelos ombros.
- Filha? - o olho confusa e volto a fechar os olhos.
Os abro novamente com dificuldade e reconheço o rosto gentil. Lembranças embaçadas, separadas por um vidro fosco. Frágil, mas difícil de enxergar. O reconheci.
- Pai... - sussurro.
E tudo fica preto de novo.
(...)
Um cafuné gostoso no meu cabelo me desperta novamente. A dor na minha cabeça diminuiu consideravelmente, mas continua aqui.
Abro os olhos lentamente, mas não me levanto dessa vez. Viro lentamente a cabeça para o lado e vejo meu pai sorrindo gentilmente para mim, quando olhos para outro lado, vejo um médico, ele parece estar verificando alguma coisa em uma máquina ao meu lado. Ele finalmente olha para mim.
- Que bom que acordou - sorriu. - Preciso fazer algumas perguntas, se sente apta para responder?
Aceno em concordância.
- Ótimo - pega o que acho ser o prontuario. - Sabe seu nome?
- April... Henderson - respondo com dificuldade e me assusto. É como se eu soubesse que esse é meu nome, mas só tivesse certeza porque o li mais cedo.
- Idade?
- 19, eu acho - franzo o cenho.
Olho para meu pai, ele parece preocupado e o médico parece também. Porém, o segundo me encara como se eu fosse uma preocupação já esperada, mais como um medo concretizado.
- April, quem é esse homem? - cruza os braços.
- Meu pai! - respondo com convicção.
É a única resposta que eu tenho certeza. O amor que sinto ao olhá-lo e que vejo em seu rosto não deixa espaço para dúvidas. Ele sorri com minha resposta e beija minha testa.
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Sombras No Presente - Duskwood
FanfictionHannah está de volta e o Homem Sem Rosto aparentemente está morto. As coisas aparentemente estariam voltando ao normal, ou pelo menos deveriam estar voltando ao normal. Amy e Richy estão mortos e o caso de Jennifer Hanson nunca esteve tão vivo. Jake...
