Amor Incompreendido

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O que foi que eu te fiz? 
Quanto mais preciso sofrer? 
Cada palavra tua é um míssil, 
Alvejando meu coração, 
Deixando cicatrizes profundas que não posso esquecer.

Será assim um amor de mãe? 
Quero sentir teu calor, 
Mas só encontro tua frieza, 
Como um inverno implacável, 
Congelando o que deveria ser caloroso e vivo.

Sinto-me invisível, 
Desaparecendo no fundo do teu olhar distante. 
Será que não sou suficiente? 
Tentei tanto, 
Mas teu coração está a mil milhas de mim, 
Em um deserto vasto e solitário.

Eu olho para o vazio e vejo a sombra 
De um carinho que nunca chegou. 
Cada dia é um eco de tentativas, 
Um clamor silencioso no vazio.

Diz-me, mãe, por que o amor é tão esquivo? 
Cada gesto teu é uma corrente gelada, 
Cada palavra uma pedra atirada, 
Afundando minhas esperanças em um mar de silêncio.

Será assim um amor de mãe?

Seus olhos não vêem minhas lágrimas, 
Cada gota um grito mudo que se perde na imensidão. 
O que mais devo fazer 
Para merecer o teu afeto?

O amor parece um sonho distante, 
Um reflexo de algo que nunca conheci. 
No meio da tormenta de ausências, 
Procuro um sinal, uma palavra, 
Um simples: “Vem, filha, vem.” 

Quero-te perto, 
Quero sentir-te, 
Mas apenas encontro um eco 
Nas palavras não ditas e no calor ausente.

Mãe,  quero-te...

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