Capítulo cinco

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📍São Paulo -Zona leste

Três anos depois...

Renata(mãe): VOCÊ É UMA IRRESPONSÁVEL! Sienna, OLHA SÓ, TU FEZ EU SAIR DO MEU TRABALHO PRA IR TE BUSCAR NA PORRA DA DELEGACIA! - começou a gritar, seus olhos brilhando com a mistura de raiva e preocupação.

Eu:Deixasse eu lá! - respondi, a raiva fervendo dentro de mim. Na mesma hora, ela deu um tapa na minha cara, e a dor física foi nada comparada ao que senti no coração.

Ela se sentou na beira do sofá, as lágrimas escorrendo pelo rosto, respirando fundo como se tentasse encontrar um pouco de calma em meio ao caos. O silêncio que se seguiu parecia tão pesado que até Deus poderia ter passado por ali e sentido a tensão.

Renata(mãe):Eu... Rafaella Sienna Costa, eu não aguento mais, sério! Arruma tuas coisas que eu vou ligar pro seu pai. Cê vai pra lá. - As palavras dela cortaram o ar como uma faca afiada enquanto ela levantava do sofá, sua voz tremendo de frustração.

Eu: Como assim ir pra lá? - perguntei, um nó se formando na minha garganta.

Renata(mãe):Morar lá! Não tem mais condições de eu te criar não. Eu não te aguento mais aprontando uma atrás da outra, e nem adianta rebater. - Ela me lançou um olhar cheio de desespero enquanto pegava o celular e procurava o número do meu pai.

Fiquei em silêncio, as palavras presas na minha boca. Parte de mim se perguntava se morar com ele seria melhor. Nãaaaaao, não era! Mas já que as coisas estavam assim, fui sem reclamar, quase como uma sombra seguindo o destino incerto que me aguardava.

E vocês devem estar se perguntando: o que ela aprontou pra tá na delegacia?

Artigo 33... Fui pega com maconha e pó, e ainda sou menor de idade. A adrenalina da rebeldia parecia ter me cegado para as consequências. Cada escolha que fiz me trouxe até aqui e agora as peças do meu quebra-cabeça estavam se espalhando pelo chão. O que eu realmente queria? O que estava acontecendo comigo?

Enquanto minha mãe digitava freneticamente no celular, percebi que a vida estava prestes a mudar novamente. O que viria depois? O medo do desconhecido misturava-se com uma estranha sensação de liberdade. Afinal, não era só sobre sair da casa da minha mãe; era sobre encontrar meu próprio caminho em um mundo que parecia tão vasto e assustador.
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📍Cidade de Deus-cdd

Alguns dias morando no Rio de Janeiro...

Eu mal pisei no Rio de Janeiro e meu pai já começou a falar de trabalho comigo. Assim que cheguei, ele me colocou para trabalhar na mercearia dele, dizendo que era bom eu ter meu próprio dinheiro. Na verdade, eu sabia que ele queria me manter ocupada e longe de encrenca, mas a verdade é que eu não estava preparada para isso.

O lado bom dessa história era que eu estava grudada com meu irmão, Dante, por parte de pai. Ele era muito maneiro e tinha um jeito envolvente que fazia qualquer um se sentir à vontade. Meu pai e ele se davam super bem, mas Dante era vapor e sempre tomava cuidado para não falar sobre o crime perto do nosso pai, sabendo que isso não era algo que ele aceitaria bem.

João (pai):Você pegou tudo direitinho ou precisa que eu te oriente mais? - meu pai perguntou, com uma expressão séria enquanto me observava atentamente depois de ter explicado algumas coisas sobre a mercearia.

Eu:Tudo certo, pai, obrigada. - sorri forçado, tentando esconder a ansiedade que crescia dentro de mim. Era difícil ser sincera quando tudo o que eu sentia era um misto de medo e resistência à nova vida.

João (pai):Qualquer coisa me chama, eu tô lá dentro de casa. - disse ele, saindo da minha vista com um aceno rápido.

Assim que ele desapareceu pela porta dos fundos, respirei fundo e olhei em volta da mercearia. O lugar tinha suas algumas histórias; prateleiras cheias de produtos coloridos e o cheiro do café recém-passado invadiam o ar. Mas naquele momento, tudo parecia um pouco monótono demais.

Fiquei mexendo no celular, já que não havia cliente nenhum à vista. As notificações pipocavam na tela como flashes de uma vida passada, cheia de festas e liberdade, enquanto eu tentava me adaptar a essa nova realidade. As mensagens dos meus amigos estavam ali, mas eu me sentia tão distante deles agora. O Rio vibrava lá fora com sua energia frenética, mas aqui dentro da mercearia, tudo parecia parado.

Enquanto rolava as redes sociais sem prestar muita atenção, meu pensamento vagava. O que eu realmente queria? Será que esse emprego na mercearia seria o suficiente para me manter longe dos problemas? Ou será que a tentação do passado ainda me aguardava em algum canto escuro dessa cidade?

XX:Boa tarde - disse uma voz, fazendo eu prestar atenção.

Eu:Boa tarde, o que deseja? - perguntei, tentando ser gentil, mesmo que a situação me deixasse um pouco nervosa.

XX:Com essa cara de poucos amigos aí, não tem como eu desejar nada - ele riu, e eu não pude evitar um sorriso forçado.

Eu:Desculpa, não tô acostumada.

Eu:Melhorou? -eu perguntei, com um ar brincalhão.

Xx:Meu nome é Morcego, prazer! - anunciou com um sorriso largo.

Eu:Nome estranho - levantei a sobrancelha, intrigada.

Morcego :Não te conheço pra falar meu nome verdadeiro. Esse é meu vulgo. E o teu?

Eu:É normal aqui no Rio de Janeiro as pessoas ter o nome da estranho?

Morcego:Você é muito mal educada, garota - ele riu, divertindo-se com a situação. - Aqui, vou levar isso - colocou uma cocada em cima do balcão.

Passei pra ele e coloquei no saquinho.

Eu;R$3,65. Mais alguma coisa?

Morcego:Só isso mesmo, mina que eu não sei o nome - ele pegou o saquinho com a cocada  e me deu o dinheiro.

Eu:É Sienna. Como você disse que não posso te falar meu nome verdadeiro, não te conheço. - Pisquei para ele enquanto ele saía rindo.

Até que não era nada mal morar aqui no Errejota. O clima descontraído e as pessoas engraçadas davam um ar diferente à rotina na mercearia.

Mas então a notícia chegou como um soco no estômago: meu irmão tinha sido preso. A tensão no ar era palpável enquanto eu via meu pai chorando descontroladamente, sem saber como ia pagar a fiança que era absurdamente alta.

Eu:Relaxa, pai! Eu vou dar meu jeito. Vamos encontrar uma maneira de tirar ele de lá - falei tentando acalmar sua angústia. A verdade é que eu estava assustada e não sabia bem como faria isso, mas precisava mostrar força naquele momento frágil.

Meu pai olhou para mim com uma expressão de desespero e frustração.

João(pai):Eu falei pra ele não se meter com essa gente! Meu Deus! E agora ele tá lá... - falou, respirando fundo como se cada palavra fosse um peso a mais em seus ombros.

Eu sabia que estava entrando em um terreno perigoso. A vida no Rio tinha suas armadilhas e agora parecia que estávamos prestes a cair em uma delas. Mas eu me recusei a deixar tudo isso me abater; eu tinha que lutar pela minha família e pelo  Dante.

 Mas eu me recusei a deixar tudo isso me abater; eu tinha que lutar pela minha família e pelo  Dante

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Daniel Costa da Silva - 25 anos
Vulgo:Dante

Desejos ProibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora