Capítulo doze

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Sombra🚬

📍Cidade de Deus-CDD
13:40

Hoje decidi almoçar na casa da minha tia, como sempre. É que a Mariane não dá uma mãozinha em casa, só fica lá de boa, se arrumando e fazendo cabelo.
Ontem, então, foi uma treta danada no baile! Ela não parava de me encher o saco, dizendo que eu tava de olho nas minas dançando. Sendo que eu nem tava prestando atenção! Se eu quisesse olhar, o problema era meu, né? O olho é meu e eu vejo o que eu quiser! Tô nem aí.

Hoje não trouxe ela para almoçar  na minha tia, papo reto. Não quero saber de confusão. E a verdade é que a tia Luise e ela não se bicam; sempre que se juntam, vira um caos. Mas acho que hoje ela foi pra casa da mãe dela, então tá tudo tranquilo. Graças a Deus vou ter um pouco de paz hoje!

Guga: Caraca, tô com uma fome desgraçada!–falou enquanto devorava um pedaço de carne.

Eu: Parece que você nunca comeu na vida! Sempre com fome, parceiro? Vou te benzer pra ver se isso muda!–zoei ele.

Formiga: Sem neurose, fi! Hoje vai rolar aquele trampo na pista, né? Tá liberado pra mim? Tô precisando de um celular novo!–disse com aquele olhar maroto.

Eu: Já é! Tô precisando de uma adrenalina na minha vida também. Vamos nessa às 18h!–falei dando um trago na maconha.

Morcego: Qual foi?–chegou na cozinha perguntando, todo animado.

Eu: Tamo falando do roubo de hoje. E eu decidi que você não vai, porque nem tem a cara no jornal ainda. Se eu te levar, minha tia vai falar a beça. Fica em casa!–falei olhando bem pra ele.

Morcego: Vocês nunca me levam pra boa, pô!–negou, fazendo drama.

Formiga: Que boa o quê, moleque? Sossega o cu! –falou dando um tapa na cabeça dele.

Morcego: Vai tomar no cu, Formiga! E aí, tá me batendo por quê?– peitou ele, todo desaforado.

Eu: Eeee caralho, chega! Acabou essa palhaçada!–peguei minha arma em cima da mesa e apontei a arma para eles. –Fica na moral nesse caralho!

Guga: Porra, vou comer viado! Vocês só brigam!–disse, saindo de perto.

Abri uma latinha de cerveja e sentei tranquilo.

Guga : Aê, essa menina nova que tá andando com as meninas é mó gata!–falou olhando pra mim de cima a baixo.

Eu: Acho normal. Vocês não podem ver boceta nova que ficam assim, com pau duro.–neguei dando um gole na minha Império que peguei na geladeira .

Morcego: Aí, deixa a Daniele escutar isso!– riu, todo maroto.

Guga: Ih, se mete não! Não tenho nada com ela, só tenho minha filha mesmo.– falou decidido.

Eu: Tu  já se decidiu sim? Anda com a mina e sua filha pra cima e pra baixo e vive falando que não tem nada com ela! Para de iludir a garota então, pô! Isso é papo de moleque feião!

O clima ficou tenso por um momento, mas logo todo mundo começou a rir das nossas conversas. É sempre assim, né? A gente briga e depois se diverte.

Olha só, que legal! Vou dar uma incrementada na sua história e deixar tudo mais fluido.

18:30

Luise: Tava pensando aqui e lembrei de vocês quando eram menores, brincando no campinho.– Ela falou, olhando pro campo em frente à casa dela, que tava cheio de moleques.

Sentei do lado dela e fiquei observando, lembrando da minha época. Mó sensação boa do caralho! Queria muito voltar no tempo. Eu era o terror da minha mãe, mas sinto falta pra caralho dela e desta época.

Eu: Época que a gente era menor era tudo melhor, tia! Que saudade!– Levantei, limpei a mão e tirei o boné. Peguei meu maço de cigarro e entreguei pro gordão.

Dei meu fuzil na mão dele, tirei o chinelo e a camisa e corri pro campinho.

Eu:E aí, rapaziada! Me coloca em algum time aí que eu vou jogar com vocês!– Gritei.

As crianças começaram a gritar, todas querendo que eu jogasse no time delas. No fim das contas, falei que ia ficar um tempo em cada time. Assim começou o futebol! Pô, senti uma sensação maravilhosa, como se eu fosse criança de novo.

Joguei uma papo de uma hora com os moleques e depois dei uma grana pra eles comprarem um sorvete no mercadinho. Enquanto isso, vi aquela mina que tá andando com minha prima e com a Daniella me olhando. Ela tava sentada na pedra perto do campo.

Passei sem falar nada, mas ela abriu a boca e me chamou a atenção:

Garota :Ei!– Fiquei meio sem jeito, mas não consegui ignorar.

Garota:Cê joga bem, nunca pensou em ser jogador não?— ela riu sem graça.

Eu:Só quando eu era criança, valeu.— respondi, tentando não ser muito simpático muito.

Garota:Você é muito metido, tô te elogiando, garoto.— ela negou, levantando.

Eu:E tu é muito intrometida e abusada.— respondi, soltando uma risada involuntária.

Garota :Normal eu escutar isso aí, bofe.— ela sorriu de volta.

Eu:Sombra.— estendi a mão.

Garota :Rafaella, mas pode me chamar de Sienna.— ela fez um toque comigo.

Eu:É isso, vou lá que tenho que fazer um corre ainda hoje – Dei as costas antes dela responder.

Enquanto caminhava de volta pro campo, não consegui evitar de pensar nela. Rafaela... o nome tinha um som legal. O jeito dela era diferente,a energia que vinha dela era boa .

De madrugada, saímos com o carro para o assalto ao banco. O plano estava todo armado, tudo na ponta da língua. O bagulho tava firme, e nós só távamos roubando o que é nosso. Afinal, esses presidentes e políticos pensam que não roubam a sociedade também?

Os menor parou na frente, e depois do plano do asfalto dar certo, voltamos pro morro. Deixei o dinheiro na boca pra contar amanhã e fui pra um dos meus barracos. Hoje não tava afim de ouvir ladainha de mulher não.

Cheguei em um dos meus batavos, tomei um banho frio pra tentar refrescar a cabeça e capotei nu mesmo. Tava mortinho, o corpo pesado de tanto adrenaline. No fundo, sabia que a vida era assim: uma montanha-russa de emoções, sempre correndo risco e buscando um jeito de sobreviver.

Desejos ProibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora