Capítulo vinte um

76 4 0
                                        

Gustavo Gabriel ferraz - 37 anos vulgo: Guga

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Gustavo Gabriel ferraz - 37 anos
vulgo: Guga

       Guga 🏍️
📍Cidade de Deus-CDD

Minha trajetória no crime começou logo depois do meu irmão, o Sombra. Ele sempre foi um farol pra mim, mesmo quando a vida começou a desmoronar. Eu entrei nessa vida porque precisava, mas também porque queria proteger ele de tudo que era ruim. Hoje sou piloto de fuga, mas já passei por tanta coisa antes de chegar aqui.

A morte da minha mãe foi um golpe duro. Eu fiquei desolado, perdido em meio à dor. Mas então a Danielly apareceu com a notícia de que estava grávida. Aquilo me deu um propósito, uma razão pra continuar. Quatro dias após a morte da minha mãe, ela me contou que eu ia ser pai da minha pequena Flora. Não sofri da mesma forma que o Sombra; ele sempre foi mais apegado à nossa mãe. Mas eu também sentia a perda profundamente e tentava ser forte por ele. Sempre fui o irmão mais velho e tentei mostrar que estava tudo bem, mesmo quando não estava.

Hoje em dia, não moramos mais juntos, mas o amor que sinto pelo meu irmão é incondicional. Ele sempre será meu caçula, independente das escolhas que fizemos na vida. Sempre fui o irmão sentimental, aquele que se importa mais e que guarda os sentimentos pra si.

A galera fala muito sobre mim, diz que nunca me viu pegando ninguém e me chama de viado, mas eles não têm ideia da verdade. Sou o rei do sigilo! Pra quê ficar contando as minhas vitórias amorosas? O que importa é o que eu sinto por dentro. E a verdade é que ainda amo minha cachinhos; sei que fui um filho da puta com ela e com minha filha em muitos momentos. Reconhecer isso foi um passo importante pra mim.

Essas minas que aparecem só pelo dinheiro não são nada comparada àquela que realmente estiveram ao meu lado nas horas difíceis. E se eu me envolvo com alguém, é porque vale a pena; amor verdadeiro é raro pra mim e só existe uma pessoa a quem realmente amo: a mãe da minha filha. Não posso negar isso.

Morcego: E aí, parceiro! Vamos dar um tapa no corte e deixar na régua lá no salão do viado do Danilo? — falou se jogando no sofá perto de mim.

Eu: Bora mermo, tô precisando! Deixa eu só pegar uma camiseta, pô! — respondi levantando e subindo a escada.

Peguei uma camisa do São Paulo e joguei no ombro, descendo rapidinho de novo. Peguei a chave da moto e a gente meteu o pé pro salão do Danilo. O cara tá voando alto agora! Começou pequeno, mas olha onde ele chegou. Acho que é o único amigo de infância que não se perdeu pro crime. Menor tranquilo e maneiro, me amarro nele.

Eu: E aí, Danilo, quantos ainda pra cortar o cabelo? — perguntei já sentando na cadeira.

Danilo: Pô, chefe, só dois, mermo. Vou fechar cedo hoje. E aí, menor, corta o cabelo desse daqui que eu vou atender os crias.

Joguei o cigarro que tava fumando fora e me acomodei na cadeira. Rapidinho ele deixou meu cabelo na régua.

Eu: Aí, papai! Tô gato, esquece! — ri e esfreguei as mãos.

Morcego: Agora sou eu! Marca aí em Guga! — falou sentando na cadeira.

Eu: Já é, pô!

Danilo: E aí, menor Mal Mal tá por aí? Cês ficaram sabendo?

Eu: Ué, não sabia de nada não, cria. Deve tá querendo conversar com o meu irmão, pô. Aquele ali só vacila com a loka lá ! — neguei pegando o celular pra mandar mensagem pro Sombra.

Fiquei ligado nas notícias enquanto esperava o Morcego acabar de cortar o cabelo. Depois disso, partimos pra casa do Sombra.

Quando chegamos lá, Sombra tava discutindo firme com o Mal Mal. O cara só pode querer morrer!

Eu: Mal Mal, qual foi? — perguntei parando a moto.

Mal Mal: Qual foi? Teu irmão que é um cuzão! Isso que ele é, pô! — falou com a maior marra do mundo.

Sombra: Cuzão o caralho, Mal Mal! Sou homem e vou te responder de homem pra homem, tá maluco? Ta falando com teus filhos não parceiro! — meteu bronca.

Eu: Qual foi, Sombra? Fica quieto, mano! — balancei o braço pra tentar acalmar os ânimos.

Mal mal : Cuzão sim! Fica deixando a Mariana sozinha e dormindo fora com sei lá qual piranha! Porra! Te falei que se fosse pra ficar com ela era pra fazer direito!

Sombra: Ela tá comigo porque quer! Não tô obrigando ela a nada não. E nunca tive medo da morte; só Deus que não perdoa. — soltou a famosa frase que sempre diz.

Mal Mal: Já é então! Vou levar ela pra passar uns dias comigo. Quando ela voltar quero que você trate ela bem porra! Tu não tá lidando com nenhuma criança não, Sombra. Eu sou homem caralho e você me deu sua palavra,tem que cumprir! Na hora de tirar a virgindade dela tu tirou né filho da puta? Fez a mina gamar pra agora não querer mais? É simples: me paga a dívida que tem comigo e ela sai da tua vida!

Eu: Porra Mal Mal! Mas essa dívida que meu irmão tem que pagar é muita!

Mariana: Eu não vou não pai! Vou ficar aqui. Qualquer coisa eu vou pra lá mas não quero ir hoje. — disse saindo no portão com aquele olhar firme.

Sombra: Aí pronto... — acendeu um cigarro. –Vai mal mal, pode ficar suave que eu vou ficar sussa com tua filha.

Mal Mal: Suave... Bora alguém reforçar minha segurança até a entrada da favela. — falou colocando a arma na cintura enquanto olhava pros lados como quem espera alguém fazer a escolta dele .


Até o próximo capítulo,espero que gostem!! Vou ver se faço um capítulo especial da Dani e do guga ♥️

Desejos ProibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora