Capítulo seis

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📍Cidade de Deus-CDD
7:20

Alguns dias depois...

Consegui entrar na escola aqui na CDD e já fiz amizade com duas meninas incríveis, Eduarda e Danielly. Elas são muito maneiras de verdade e me ajudaram a me sentir mais em casa. A Dani, então, tem uma filhinha de 5 anos que é um verdadeiro anjo! Ela já disse para a mãe que eu sou a dinda dela, e isso me deixou super feliz!

Eduarda:E você, mona, gosta de alguém?–perguntou Duda, se sentando ao meu lado com um sorriso curioso.

Eu:Ah, eu acho que gosto, mas ele não é daqui não — eu ri, meio sem graça.

Danielly:Namoro à distância, mapoa? Como tu consegue? — Dani perguntou, dando um gole na garrafa de água.

Eu:Cara, tem dias que eu não consigo falar com ele. Mas vou tentar hoje de novo. Eu só vou levando... — respondi, tentando mostrar que estou lidando com isso da melhor maneira que posso.

Duda me olhou com uma expressão pensativa.

Eduarda:Mas é namoro ou não?

Eu:Namoro não. A gente namorava, mas decidimos terminar porque eu tive que vir pra cá também e tals. — Falei, lembrando como foi difícil deixar tudo para trás.

Dani balançou a cabeça em compreensão.

Danielly:Entendi. Às vezes é complicado manter as coisas assim. Mas se precisar desabafar ou algo assim, pode contar com a gente!

Fiquei aliviada com a empatia delas. Era bom saber que tinha pessoas dispostas a ouvir e apoiar.

Eu:Valeu! Isso significa muito pra mim — respondi, sorrindo genuinamente.

A conversa fluiu para outros assuntos enquanto o sinal tocava e a aula começava. A sensação de pertencimento estava crescendo em mim e eu começava a acreditar que talvez a Cidade de Deus pudesse ser um lugar onde eu encontrasse meu espaço e novas oportunidades.

A gente ficou trocando ideia até o professor entrar na sala. Assisti dois tempos de aula e, graças a Deus, quando deu 13h, pude finalmente ir pra casa. Estava animada para o samba!

Danielly :Hoje é sexta, tem samba lá na rua de casa, mona, bora? —Dani me chamou.

Eu:Vou sair do trabalho umas 21h, aí eu te mando mensagem. Vai também,duda ?

Eduarda :Vou mermo, não perco uma! Vai lá pra casa e se arruma lá! — Duda respondeu animada.

Danielly:Tá bom, então quando for 23h20 a gente se encontra pra ir pra casa da Duda, já é? — ela disse enquanto mexia no meu cabelo.

Depois disso, elas foram direto e eu virei meu beco. O calor estava insuportável! Dobrei a blusa e prendi meu cabelo com a piranha antes de continuar andando. Errejota, não sei como não pegou fogo ainda com tanto calor!

Passei em frente a uma das bocas e ouvi alguém gritar:

XX:— Ooo Siennaaa!–Era o Morcego. Eu dei uma parada e respirei fundo.

Eu:Diz, que hoje tô na correria, meu bem. Preciso ir pra casa pra ficar lá na mercearia — falei cruzando os braços.

Morcego:Cê é marrentona, garota! Ainda bem que gosto de mina assim — ele disse, me encurralando na parede com um sorriso no rosto.

Eu:É? Que bom! — respondi com um sorrisinho e saí por baixo do braço dele.

Morcego:Mó vacilona você, garota. Mas tranquilo, vai brechar pro lado de lá mais tarde?

Desejos ProibidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora