capítulo 31

952 125 3
                                        

Havia se passado uma semana desde que a nova família chegou à cidade de Lucarion. As relações entre elas haviam melhorado bastante, mas a pequena Ariel estava ficando muito quieta, o que preocupava suas irmãs.

Elas não sabiam o que fazer. Deveriam contar para suas "mães"? Ou tentar resolver sozinhas?

Lauren e Emma decidiram seguir Ariel durante um dia inteiro. Tudo parecia normal: depois de comer com a família, Ariel ia até uma loja de brinquedos e ajudava os guardas na distribuição de presentes para as crianças.

Enquanto isso, Lena e Kara estavam ocupadas supervisionando a reconstrução da cidade. Ordenaram a construção de casas, lojas, escolas e novos comércios para que a população tivesse onde trabalhar e estudar. As ruas estavam sendo revitalizadas, e várias iniciativas de distribuição de alimentos, roupas e brinquedos eram realizadas. Ariel sempre fazia questão de ajudar nessas atividades, tornando-se querida por todos.

Apesar disso, Lena e Kara estavam presas em reuniões constantes, o que dava mais liberdade para as garotas explorarem a cidade. Foi quando Lauren e Emma perceberam algo estranho: alguns adolescentes estavam seguindo Ariel.

— Devemos intervir e perguntar por que estão seguindo nossa irmã? — Lauren perguntou a Emma, preocupada.
— Não. Vamos ver o que acontece — respondeu Emma, observando Ariel entrar em uma rua deserta.

— Por que ela entrou ali? Lena foi clara ao dizer que esse lugar é proibido! — Lauren exclamou.

Emma desviou o olhar para Lauren e perguntou, curiosa:
— Você ainda não consegue chamá-las de mãe?

Lauren abaixou a cabeça, visivelmente frustrada.
— Não consigo... É frustrante. Eu já as vejo como minhas mães e isso é assustador, porque só faz uma semana e já as amo como mães. Mas ainda não consigo chamá-las assim.

— Acho que você está com medo — disse Emma, puxando Lauren para um abraço. — Afinal, é tudo muito novo.

Lauren suspirou.
— Você também não consegue chamá-las o tempo todo. Só faz isso quando está distraída.

— É verdade — admitiu Emma. — Acho que também tenho medo. Medo de isso tudo acabar e elas mudarem de ideia.

O pensamento deixou ambas pensativas. De repente, Lauren percebeu que Ariel e os adolescentes tinham desaparecido.
— Emma, vamos! — exclamou, e as duas começaram a correr, procurando por sua irmã.

Enquanto isso, duas figuras as seguiam de longe.
— Que crianças fofas e idiotas — comentou uma mulher.
— Cuidado com o que diz. Elas são filhas das princesas — retrucou o homem ao lado dela.
— Eu sei! Mas são tolas se pensam que estão seguras. Vamos logo. — A mulher continuou seguindo-as com um sorriso malicioso.

Quando Lauren e Emma finalmente encontraram Ariel, ficaram furiosas com a cena: Ariel estava cercada por adolescentes mais velhos, que seguravam pedaços de madeira. Ao seu redor, algumas crianças da mesma idade de Ariel pareciam assustadas.

— Isso explica por que ela não queria tomar banho com a gente ultimamente — disse Emma, sua fúria crescendo.
— Vou acabar com esses moleques! — exclamou Lauren, marchando em direção ao grupo.

— Interessante... O que está acontecendo aqui? — Lauren perguntou em voz alta, chamando a atenção de todos.

Os adolescentes se viraram e deram de cara com uma alfa visivelmente irritada. Seus olhos eram de duas cores diferentes: um azul intenso, o outro dourado como ouro.

— Saiam de perto da minha irmã, já! — Lauren ordenou, a voz firme.

Um dos garotos riu.
— Que coisa estranha nos seus olhos! Kkkkk! Além de bastarda, tem problema com o lobo interior? — zombou, tomando a frente do grupo.

Lauren estreitou os olhos.
— Como é que é? — perguntou, quase perdendo o controle.

— Vejam só! Íris azuis, típico de uma ômega. Mas você tem o cheiro de uma alfa... e um olho de alfa também — continuou o garoto. — Mas, ter cheiro de alfa não faz de você uma alfa de verdade.

Os olhos do garoto brilharam em um amarelo intenso.
— Isso sim é ser um alfa por completo! — exclamou, e os outros adolescentes o acompanharam, seus olhos também ficando amarelos vivos.

— Venha salvar sua irmãzinha idiota, bastarda — provocou o garoto.

Lauren preparou-se para atacar, mas foi impedida por mãos firmes que seguraram sua cintura.
— Emma! Me solte! — Lauren gritou, mas Emma segurou firme, imobilizando-a até que ela se acalmasse.

— Vocês sabem quem somos nós? — Emma perguntou ao grupo.
— Claro, as bastardas das princesas — respondeu o garoto, com um sorriso de lado.

— Como se já não bastasse uma, agora temos três bastardas para brincar — provocou novamente, arrancando risadas do grupo.

Antes que pudessem dar mais um passo, um cheiro forte de dominância preencheu o ar, fazendo todos os adolescentes caírem de joelhos, incapazes de respirar.

— O q-q-que é isso...? — o garoto tentou perguntar, mas sua voz falhou.

— Pode repetir a parte sobre "bastardas"? — disse uma voz familiar, carregada de autoridade.

— Kara! — Lauren exclamou, surpresa.

Kara apareceu atrás do grupo, com Ariel no colo. Seu olhar era frio e intimidador.
— Agora, quero ouvir você falar de novo. Quem é bastarda aqui? — ela perguntou, a voz baixa, mas carregada de ameaça.

Os garotos começaram a tremer de medo, incapazes de levantar do chão.

— Não se preocupem. A mamãe chegou — declarou Kara, com um sorriso assustador, enquanto segurava Ariel com firmeza.

eu sou sua rainha Histórias para pegar e não largar. Descubra agora