Nunca pensei que teria tanta vontade de ver alguém como estou de ver Kara. Já passou da hora do almoço, e até agora não vi nem ela nem sua amiga de cabelos vermelhos. Como já havia terminado de comer e escovar os dentes, decidi ir para a biblioteca. Quando estava perto da saída do refeitório, senti braços fortes segurando minha cintura. Não me assustei, pois sabia exatamente quem era. Seu cheiro era inconfundível.
- Kara! Onde você estava? - perguntei assim que me virei para ela.
- Oi, Lee. Passei a manhã treinando, já que tenho jogo na terça-feira - respondeu Kara, segurando um prato de comida na mão esquerda.
- Você vai almoçar agora? - perguntei.
- Ah, sim. Só fui liberada agora - disse ela.
- Você estava indo para a biblioteca, né? Desculpa por te atrasar - falou Kara, corando. - Depois que eu terminar de comer, posso me juntar a você? - perguntou, ainda mais corada.
- Na verdade, estava pensando em acompanhar você. Vamos - disse, puxando-a até uma mesa próxima. Só ao sentar percebi os olhares de todos no refeitório voltados para nós.
- É tão injusto! Só fui liberada para comer e já preciso voltar para a quadra - reclamou Kara, fazendo um bico emburrado.
- Você precisa estar preparada. Na verdade, eu nem sabia que você jogava - comentei.
- Ah, é que eu sempre preferi ficar no banco ou ajudar o técnico nos treinos - respondeu ela enquanto comia. Levantei, peguei uma garrafa de água na máquina e a entreguei já aberta.
- Ah, obrigada, Lee - disse Kara, bebendo a água.
Logo estávamos a caminho da quadra, mas fomos interrompidas por um grito:
- Kara Danvers! Onde você estava?!
Ao ouvir o técnico de basquete chamando Kara, olhei na direção dele, já irritada. Ele parou, surpreso, e logo se curvou.
- Princesa, perdoe-me pelo desrespeito - disse ele, com a cabeça baixa.
- Levante a cabeça. Está tudo bem - respondi.
Kara segurou minha mão e me puxou.
- Venha, vou levar você até os bancos - disse ela.
Caminhando, vi algumas Omega presentes que gritavam animadas.
- Você pode ficar aqui ou lá embaixo, no banco com os jogadores - sugeriu Kara.
- Aqui está ótimo para mim - respondi.
Kara beijou minha bochecha e virou-se para a quadra.
- Ah, Lena, pode segurar isso para mim? - perguntou, estendendo sua bolsa e casaco.
- Claro - respondi, pegando os itens. Antes de ir, ela me deu um selinho.
- Tudo bem? - perguntou, referindo-se ao gesto.
- Tudo sim, raio de sol - respondi. Kara sorriu, deu outro selinho e saiu. Quando olhei em volta, percebi os olhares furiosos de algumas Omega.
O treino estava quase acabando quando senti alguém ao meu lado.
- Oi, rainha do gelo - disse Sam, a pessoa mais próxima que tenho de uma amiga.
- Olá, Sam. O que te traz aqui? - perguntei.
- No momento, estou vendo minha namorada jogar e conversando com você - respondeu ela.
- Namorada? Não sabia que você namorava - comentei.
Antes que ela respondesse, as Omega de antes começaram a gritar:
- KARA! Você é a melhor!
Olhei para a quadra e vi a cena que ficaria gravada em minha mente por noites a fio.
**Meu Deus, que tanquinho é aquele? Que alfa é essa, meu santo alfa?**
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Ouvi uma das Omegas comentar enquanto devorava Kara com os olhos. Sem perceber, soltei um rosnado que fez Sam se encolher.
- Desculpe, Sam - falei.
- Tudo bem - respondeu ela, se ajeitando. - É sua alfa?
- Sim - respondi, voltando a olhar para a quadra. Kara vinha em minha direção.
- E aí, o que achou, minha princesa? - perguntou Kara ao chegar perto, mas eu a olhava com raiva.
- Princesa? - chamou-me de novo.
- Você precisa mesmo levantar essa blusa toda vez que vai limpar o suor? - perguntei, irritada.
- Ah, eu esqueci minha toalha de rosto e... - interrompi.
- Cala a boca. Eu mesma vou trazer toalhas para você. Mas, se eu pegar você deixando outras Omegas verem o que é meu, vai se arrepender! Fui clara?! - perguntei, olhando para ela com raiva.
Coloquei minha mão por dentro da camisa dela, arranhei seu abdômen, segurei sua nuca e a beijei com força. Kara correspondeu, segurando minha cintura com firmeza e me puxando para mais perto.