Capítulo 2: O Peso da Realidade

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Capítulo 2: O Peso da Realidade

Emma narrando:

Às vezes, me pergunto se tudo isso é apenas um pesadelo. Acordo todas as manhãs desejando que, de alguma forma, as coisas tenham mudado durante a noite. Mas, quando meus pés tocam o chão frio do meu pequeno apartamento, a realidade me puxa de volta. Meu pai, suas dívidas, e a sensação de que estou presa em uma vida que nunca quis.

Estava tentando encontrar um emprego novamente, qualquer coisa para manter as contas em dia. O ballet... bem, isso era um sonho distante agora. Toda vez que fecho os olhos, ainda me vejo no palco, girando e girando até sentir que posso voar. Mas aquela parte de mim ficou para trás no momento em que minha mãe morreu e meu pai se afundou nas dívidas.

Hoje era mais um desses dias. Acordei cedo, tomei o café que restava no armário – forte demais, mas era o que tinha – e me sentei na frente do computador, procurando vagas. Já havia tentado todos os lugares possíveis, mas algo estranho estava acontecendo. Ninguém queria me contratar.

Até onde sei, meu último emprego deveria ser uma segurança no currículo. Eu era uma funcionária dedicada, fazia tudo certo. Mas, de repente, meu chefe me acusou de roubo. Eu não entendi. Nunca roubei nada, mas mesmo assim, fui demitida. Desde então, parece que uma sombra me segue, sabotando todas as minhas chances.

Suspirei, observando o número de vagas se esgotar rapidamente na tela. Não posso ligar para meu pai, ele já tem problemas suficientes. Na verdade, ele era mais um peso do que qualquer outra coisa ultimamente. Não o via há algumas semanas, e toda vez que tentava falar com ele, ele estava bêbado ou fugindo de algo.

Por que as coisas tinham que ser tão difíceis?

Me levantei da cadeira, observando a cidade pela janela. As luzes da cidade pareciam tão distantes, como se pertencessem a outra realidade, uma que eu nunca seria capaz de alcançar. Mas eu ainda tinha esperança, ou talvez fosse apenas uma ilusão, um desejo de que, de alguma forma, tudo se resolveria. Só não sabia como.

E então, meu celular vibrou. Olhei para ele, esperando uma resposta de uma das empresas, talvez uma chance. Mas não era uma proposta de emprego. Era uma mensagem.

"Você não faz ideia do perigo que está correndo. Cuide-se."

Eu franzi a testa, confusa. "Que perigo?" Eu me perguntei, enquanto o medo rastejava pelo meu corpo. Quem teria mandado aquilo?

Narrador

Do outro lado da cidade, Jenna Ortega observava os movimentos de Emma com olhos atentos. Sabia que Emma estava cada vez mais encurralada. Era exatamente isso que queria. Sabotar o emprego da garota fora fácil – um simples suborno ao patrão corrupto e Emma estava na rua, sem saber quem era a verdadeira culpada. Agora, a garota estava vulnerável, e Jenna gostava de brincar com suas presas antes de devorá-las.

Jenna se sentou em sua luxuosa poltrona de couro, com uma taça de vinho na mão, observando as luzes da cidade pela janela de seu escritório. Sua expressão era fria, quase vazia, enquanto seus dedos brincavam com a taça. "Tudo está correndo conforme o plano," murmurou para si mesma, seus olhos fixos em um ponto distante. Sabia que não demoraria para Emma cair em suas garras.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque do telefone. Ela atendeu sem hesitar.

"Ela ainda está confusa, sem entender o que está acontecendo," a voz do outro lado da linha informou.

"Perfeito," Jenna respondeu. "Continue observando. Quando chegar a hora, ela não terá para onde correr."

Ela desligou, deixando um sorriso satisfeito brincar em seus lábios. Emma Myers seria dela, mais cedo ou mais tarde. E quando isso acontecesse, ela nunca mais escaparia.

Emma

Tentei ignorar a mensagem estranha, mas era difícil. Aquilo me deixou com um pressentimento ruim, como se algo estivesse para acontecer, algo grande. Talvez fosse só meu cérebro pregando peças em mim, depois de tanto estresse, mas ainda assim... Não consegui me livrar daquela sensação.

Decidi sair e caminhar pela cidade. Não tinha muito o que fazer em casa, e o ar fresco poderia clarear meus pensamentos. Enquanto andava pelas ruas movimentadas, observei as pessoas, suas vidas tão normais e distantes da minha. Uma parte de mim desejava poder trocar de lugar com qualquer uma delas, alguém que não tivesse tantos problemas, tantas incertezas.

O som dos carros e das conversas ao redor me fazia sentir pequena, quase insignificante. Era como se o mundo fosse enorme e eu estivesse perdida, sem rumo.

Mas, por algum motivo, não conseguia tirar da cabeça a ideia de que havia algo – ou alguém – me observando.

——-

Continua...

Entre o Poder e a Queda ( Jemma )Onde histórias criam vida. Descubra agora