Enfrentando o Vazio

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Michel

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Michel.

Aquela noite estava carregada de um cansaço e angústia que pareciam não me abandonar. Depois de mais uma festa cheia de gente, bebida e sorrisos vazios, eu voltei para casa com uma garota qualquer. Eu não sabia o nome dela, e, na verdade, não me importava. Fizemos o que, normalmente, deveria me deixar “satisfeito”, mas no fundo, só aumentava a sensação de vazio. Fiquei ali, olhando para o teto, me perguntando quanto tempo mais conseguiria sustentar aquela vida sem significado.

A angústia dentro de mim crescia, e, quando percebi, estava chorando. As lágrimas caíam sem controle, e algo dentro de mim parecia gritar por ajuda. Eu estava cansado de correr, de tentar preencher o vazio com coisas que nunca duravam. Naquela noite, eu finalmente entendi que estava completamente perdido.

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No dia seguinte, algo dentro de mim me puxou para fora da cama, me levando direto para a cafeteria. Eu precisava vê-la, precisava falar com ela. Não sabia bem por que, mas sentia que, de algum modo, Kiara poderia me entender, talvez até me ajudar.

Cheguei muito antes de o lugar abrir e fiquei parado do lado de fora, esperando. O ar frio da manhã parecia me acordar de uma realidade que, até então, eu evitava encarar. Quando vi Kiara chegando, com um casaco grosso e o olhar curioso ao me ver ali tão cedo, eu percebi que as palavras que precisava dizer estavam na ponta da língua.

“Você está bem?” ela perguntou, a voz suave, mas cheia de preocupação.

Eu respirei fundo, o orgulho tentava me impedir, mas a dor era mais forte. “Eu… eu preciso falar com você. Por favor, Kiara, me escuta. Podemos ir para algum lugar onde eu possa… falar tudo? Eu não aguento mais.”

Ela pareceu surpresa, mas não hesitou. Seus olhos mostravam uma compreensão que eu não sabia que ainda existia, e assentiu com a cabeça. Caminhamos até um parque nas proximidades, e ela me levou até um banco isolado, onde pudéssemos conversar sem interrupções.

Quando nos sentamos, o silêncio entre nós foi preenchido apenas pelo som das folhas balançando ao vento. Eu respirei fundo, e, aos poucos, comecei a falar. As palavras saíam como se fossem uma confissão, uma verdade que eu nunca tinha dito a ninguém.

“Desde que eu era criança, eu… eu nunca senti que tinha um lar. Meus pais sempre foram distantes, frios… E às vezes… às vezes cruéis. Cresci achando que eu não valia nada, sabe? Como se eu fosse apenas um peso, uma decepção.”

Kiara ouvia atentamente, o olhar fixo em mim, mas sem julgamento. Quando ela colocou a mão sobre a minha, um gesto simples, mas cheio de compreensão, senti que podia continuar.

“Depois que meu avô morreu, eu me senti completamente sozinho. Nada parecia ter sentido, então comecei a viver por impulso, tentando afogar tudo isso em festas, bebida… e companhia qualquer, que no fundo, não significava nada. Eu estava só tentando preencher um vazio que nunca some.”

Ela não disse nada, apenas se aproximou e me abraçou. Foi um abraço inesperado, caloroso e gentil. Eu estava tão acostumado com toques frios e sem significado que aquela proximidade, aquela demonstração de carinho, me desarmou completamente. Meu peito se apertou, e as lágrimas voltaram sem aviso. Ela me segurava com firmeza, como se quisesse me assegurar de que eu não estava sozinho.

Depois de um tempo, ela se afastou um pouco e, olhando nos meus olhos, disse: “Michel, você não é um peso, e não está sozinho. Acredito que existe um propósito maior para cada um de nós, e que Deus nos vê e entende até as dores que escondemos. Ele quer que você saiba que é amado, que seu valor não depende de tudo isso que te aconteceu.”

As palavras dela penetraram fundo, e eu senti meu coração se aquecer de um jeito que nunca tinha sentido antes. “Você acredita que Deus… se importa comigo? Depois de tudo isso?”

Ela sorriu, e em seu olhar havia uma sinceridade que me desconcertava. “Eu acredito que Deus te ama de um jeito que nada nem ninguém pode substituir. Ele esteve com você o tempo todo, mesmo quando você achava que estava só. Você só precisa abrir seu coração e deixar que Ele preencha esse vazio.”

Aquelas palavras ecoaram como um bálsamo dentro de mim. Eu, que sempre rejeitei a ideia de que alguém pudesse se importar, estava ali, ouvindo sobre um amor que, de algum modo, parecia ser exatamente o que eu precisava. Mais uma vez, senti as lágrimas, mas agora não era só dor; era também uma espécie de alívio, uma esperança que eu não sabia que ainda podia existir.

Ao final da conversa, Kiara segurou minha mão com firmeza e disse: “Amanhã, venha comigo à igreja. Quero te mostrar que há um lugar para você, um lugar onde você será bem-vindo.”

Eu não tinha certeza do que viria depois disso, mas, de alguma forma, pela primeira vez, quis tentar.

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Aaaaaaah, será que ele vai????

Até a próxima galeraa

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