Capítulo Cinco

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Não havia muitos lugares que poderia se esconder em Sunny State, porque infelizmente a maioria deles estava em domínio dos Bloods.

O semblante cansado do homem entregava as diversas noites que ele passara acordado desde que retornara à cidade, algo que não fazia parte dos seus planos. Entretanto, quando boatos chegaram aos seus ouvidos sobre a Rainha Vermelha estar prestes a perder o seu reinado, ele teve que vir observar isso mais de perto. O homem provavelmente era uma das poucas pessoas que realmente sabia quem era a líder da gangue mais famosa da cidade, ele era uma pessoa muito bem informada. Afinal, conhecimento é poder.

A noite tinha acabado de chegar, entretanto, as ruas já estavam mais escuras do que o normal. Ele estava espreitando Sarah, escondido em meio às sombras do beco no quarteirão que pertencia inteiramente a ela. A mulher estava discutindo com Michael, parecendo verdadeiramente irritada com alguma situação, enquanto o seu braço direito mantinha um semblante impassível. De onde estava o homem não conseguia ouvir o motivo da briga, ele tentou apurar os ouvidos, mas foi em vão.

Ele estava cogitando se arriscar um pouco mais para poder entender com clareza as palavras que eles trocavam, principalmente ao ouvir as palavras armadilha e presa. Entretanto, ele não conseguiu dar um passo antes de sentir algo gelado em sua nuca. O homem reconheceria o peso de uma arma em qualquer lugar, praticamente cresceu com uma na mão. Como foi pego de surpresa, ele apenas ficou estático no lugar, esperando alguma ordem, mesmo sabendo que poderia desarmar a pessoa com dois movimentos.

— Quando me disseram quem voltou quase não acreditei. — O deboche na voz da mulher era perceptível e ele reconheceria em qualquer lugar. — Vire-se.

Assim que virou, encarou a mulher em sua frente. Os cabelos roxos estavam presos em um rabo de cavalo alto e os olhos encarando fixamente ele, a frieza neles o assustou um pouco, mas o homem apenas devolveu o olhar de volta com calma. Fazia muito tempo que eles não se encontravam, mas se conheciam muito bem. Depois de analisá-la com mais calma, o homem chegou à conclusão que ela parecia ter parado no tempo; tinha as mesmas maçãs do rosto marcada e os lábios carnudos. Entretanto, dessa vez, a mulher não exalava a inocência de antes e sim uma frieza pura.

— Posso saber quem deletou a minha chegada, doce Clarice?

— E permitir que você mate os meus informantes? Jamais.

— Eu não diria matar, apenas me certificar que ninguém descubra que estou aqui em Sunny State. — Um sorriso maroto brincava nos lábios dele

— Pode ficar tranquilo, ninguém saberá. O que está fazendo aqui? — ela perguntou, finalmente abaixando a arma.

Clarice olhou por cima do ombro dele, percebendo que Sarah estava do outro lado da calçada, sozinha agora. Os dedos de Hathaway digitavam rapidamente no celular, ela não fazia ideia do que estava acontecendo no beco. Ao perceber o que ele estava observando a líder dos Bloods, uma onda de raiva subiu pelo corpo dela e não passou despercebida pelo homem, que conseguia ler Clarice com facilidade. Como sempre.

— Se você tentar alguma coisa com a Hathaway, irei te matar, como deveria ter feito antes. Ela é minha.

— Isso é um pouco egoísta da sua parte — ele debochou. — Não existe só você querendo acabar com os Bloods, doce Clarice.

Surpresa estampou o rosto da mulher por breves segundos, antes de um sorriso malicioso surgir nos lábios pintados também de roxo, a cor favorita dela. Pela primeira vez desde que o encontrou, ela o analisou de cima a baixo, minuciosamente. Os cabelos estavam muito bem penteados e, enquanto Clarice parecia a mesma de anos atrás, ele certamente envelheceu. Rugas marcavam sua testa e nos cantos dos olhos, mas ele continuava estupidamente bonito, como se ele tivesse um charme natural.

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