A claridade quase a cegou quando finalmente abriu os olhos e enxergou uma parede branca. Sarah sabia que não estava no hospital, mas era uma espécie de enfermaria improvisada na mansão Hathaway. O corpo todo dela doía e ela sentia uma enorme dificuldade para respirar. Uma máscara estava em seu rosto, auxiliando a circulação do oxigênio, mas isso só aumentou o sentimento de asfixia. Sarah tentou levantar, porém uma mão empurrou o corpo dela para deitar novamente e arrancou a máscara em seguida.
— Não acho que... — Alguém tentou falar, mas foi interrompida.
— Ela está se sentindo sufocada — A voz rebateu com irritação.
Sarah virou a cabeça e encarou Calum. Os olhos dele estavam vermelhos, como se tivesse chorado por muito tempo.
A realidade atingiu Sarah e aquela sensação de sufoco ficou muito pior.
Lágrimas surgiram nos olhos dela enquanto olhava diretamente para Hood, em busca de uma resposta. Os olhos castanhos olharam para ela com uma dor tão explícita que não foi necessário nenhuma confirmação verbal.
— Ei, não faz isso com você mesma — ele repreendeu, puxando-a para deitar novamente na maca.
O coração dela não parava de bater desreguladamente no peito. Era como se estivesse se afogando, os pulmões queimavam e Sarah tinha a certeza que morreria em breve. Calum segurou a mão dela, deixando que Sarah esmagasse-a, em busca de algum alívio.
— Sarah, respira — Calum murmurou, aproximando o rosto dele até estar com a testa encostada na bochecha dela e os lábios perto do ouvido da mulher. — Vamos, rainha, respire comigo. Não deixe isso te destruir, somos mais fortes. Respira.
Ao sentir a respiração de Calum em sua bochecha, ela tentou seguir o ritmo dele. Um medo profundo atingiu cada pedaço do seu corpo. A família dela estava morta. Calum não disse nada, mas ela sabia. Outra vez, estava sozinha. Mataram novamente todas as pessoas que estavam ao seu lado. Ou pelo menos uma grande parte. Sarah estava destruindo o legado dos Bloods.
Calum continuava sussurrando no ouvido dela, sentindo o corpo de Sarah tremendo. Não. Sarah não estava sozinha. Ela ainda tinha Calum. E Michael. E Emma. E... Luke? Talvez ele quisesse entrar para... No mesmo momento Hathaway interrompeu os seus pensamentos ilógicos.
Os dois estavam de mãos dadas, Hood não se importava com a força que Sarah apertava os dedos dele.
Demorou quase meia hora para ela finalmente se acalmar. A enfermeira deu o diagnóstico: crise de pânico. Não que Sarah realmente estivesse surpresa, ainda se lembrava muito bem da sensação. Calum não soltou a mão dela, mesmo quando o aperto se afrouxou, ele também precisava de apoio.
A mente dela começou a repassar toda a situação, da maneira mais fria que pode.
— Calum... — A voz dela saiu com dificuldade e muito mais rouca que o normal, sua garganta parecia arranhada. — Você enviou aquela mensagem para mim?
Algo não se encaixava naquela situação.
Calum e Michael eram os únicos que sabiam do espião entre o conselho. Emma, tirando eles, foi a única sobrevivente. A cabeça de Sarah começou a rodar, pensando em tudo, mas não conseguindo chegar em nenhuma conclusão concreta. Não queria acreditar que um dos três estava tentando destruir os Bloods, porque, talvez, ela deixaria. Sarah não sabia se teria forças para ir contra eles.
— Mensagem? — ele perguntou, confuso.
Os olhos dela se fecharam com força e Sarah se esticou para pegar o celular, que por algum milagre estava intacto, e o entregou para Calum.
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Red Queen
ActionApós a trágica morte dos pais, a jovem e determinada Sarah se vê forçada a assumir a liderança da perigosa gangue Bloods, herdando não apenas a posição de líder, mas também o pesado legado de seus pais. No entanto, ao mergulhar mais afundo no mundo...
