Capítulo Seis

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A mansão estava silenciosa naquela altura da madrugada, mesmo assim Sarah apurou seus ouvidos. Quando se deu por satisfeita, pegou o seu coturno de salto na mão e saiu do quarto com muito cuidado para não fazer nenhum barulho excessivamente alto.

Os olhos dela não demoraram para se acostumar com a escuridão e, na ponta dos pés, desceu as escadas com calma. Cami já tinha enviado uma mensagem dizendo que o carro estava parado alguns metros à frente da casa dela.

Apesar de ter dezessete anos os Hathaway eram extremamente liberais, mas Sarah gostava de sair escondida durante a noite com sua melhor amiga e imaginar que John e Grace eram conservadores demais para permitir algo assim. Ela fazia de tudo por um pouco de adrenalina.

Vestiu o calçado quando estava no quintal e saiu andando pelas ruas do condomínio. Assim que avistou o carro de Cami, abriu um sorriso animado e se apressou. O automóvel cheirava a canela e cigarro, era tão familiar que Sarah não conseguiu evitar o sorriso que formou em seus lábios. A melhor amiga estava com o braço apoiado no vidro e os cabelos pintados de rosa estavam presos em um penteado bonito. Sarah achava Cami extremamente linda e gloriosa, muitas vezes desejou ser mais parecida com ela.

— Não sei porque você insiste em fazer isso — ela revirou os olhos e arrancou com o carro.

— É mais divertido imaginar que estou quebrando pelo menos uma regra. — Sarah deu de ombros e abriu a janela, sentindo o vento quente de Sunny State em seu rosto.

— Regras foram feitas para serem quebradas? — Cami debochou, os olhos focados na pista. — Isso é um clichê totalmente idiota.

— Às vezes eu me sinto uma pessoa clichê.

Sarah encarava a janela, de repente, um pouco pensativa. Nunca sentiu medo de falar sobre o que sentia para sua melhor amiga, sabia que Cami jamais a julgaria.

— Como assim?

— É como se eu fosse parte daqueles filmes toscos que você ama. Aquela personagem antes de conhecer a pessoa que vai mudar a vida dela. Você sabe, com muitos traumas e essas coisas. — Sarah encarou a amiga. — Acho que estou falando merda, deixa pra lá.

— Tirando o fato de que as chances de você ser a Regina George dos filmes é maior — Cami brincou. — Sarah, você não precisa esperar que alguém apareça na sua vida para mudar.

Elas ficaram em silêncio o resto do caminho até a parte isolada da cidade, onde eram feitas as corridas ilegais. Cami estacionou o carro na pista, porque as duas correriam naquela noite. Hathaway estava um pouco nervosa, não fazia aquilo com muita frequência e apesar de amar a adrenalina, não dirigia tão bem assim. Entretanto, confiava em Cami, sabia que as coisas dariam certo no final.

Quando Sarah estava prestes a sair, ela segurou o pulso da amiga, lhe dando um sorriso de lado.

— Eu não acho que você precise mudar. Quer dizer, todo mundo é meio fodido, sabe? E eu amo todas as suas imperfeições, Sarah, são elas que fazem de você única.

Hathaway piscou, não sabendo como reagir com aquelas palavras tão simples, mas que fizeram uma revolução começar dentro dela. Cami saiu do carro, sem esperar uma resposta.

Naquela noite, as duas ganharam pela primeira vez a corrida. A comemoração durou quase dois dias inteiros, elas beberam e riram como as duas adolescentes que eram.

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Os pensamentos de Sarah estavam longe enquanto ela fazia companhia para Sofia, que terminava de dar alguns ajustes no carro dela.

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