Em um movimento inesperado, Sarah sacou sua faca e investiu contra John.
Michael ficou parado por mais tempo do que devia. Jamais esperaria essa reação de Sarah, porque, apesar de ter um gênio forte, ela sempre soube como se portar friamente na maior parte do tempo e controlar suas emoções; essa foi umas das partes essenciais do treinamento dela. Entretanto, Michael não podia culpá-la, porque teve vontade de fazer a mesma coisa quando o encontrou pela primeira vez.
John desviou do golpe e segurou o pulso de Sarah em reflexos tão rápidos que impressionou Clifford. A filha deu um chute na virilha do homem, ou ao menos tentou, mas no último segundo ele conseguiu desviar e recebeu o golpe na coxa, sem exibir nenhuma reação de dor. Definitivamente ele continuou treinando esse tempo todo. Michael finalmente saiu do estupor e agarrou Sarah pela cintura, afastando-a de John.
— Você está vivo! — ela gritou, chamando mais atenção ainda das poucas pessoas que estavam no restaurante. — Esse tempo todo você estava vivo!
Sarah se debatia nos braços de Michael com força, querendo se soltar para matar John. Os olhos dela estavam vidrados com uma raiva sobrenatural, ela mal piscava enquanto olhava o homem de cima abaixo. As poucas pessoas que estavam na área externa, encaravam a cena com um misto de surpresa e medo, como se ela fosse uma doida atacando um homem. Não que Sarah se importasse com aquilo no momento.
— Querida...
— Não! — Sarah não deixou que ele falasse, gritando ainda mais alto. Michael apertou os braços dele ao redor dela, apesar da mulher não estar mais se movendo.
— Me escuta, por favor, Sarah — John se aproximou, mas parou quando Sarah ergueu a faca na direção dele. — Você está em perigo.
Uma risada fria ecoou pelo silêncio entre eles. Sarah ergueu o queixo e os cabelos loiros caíram para longe do rosto dela. Naquele momento não havia nada da menina dócil que John um dia conheceu, apenas pura frieza e malícia.
— Caso você não tenha percebido, estou em perigo desde que nasci — Sarah empurrou Michael com o cotovelo, fazendo-o se afastar dela. — Se antes você não se importou com isso, não vejo o motivo para se importar agora.
John deu um passo para trás como se tivesse sido atingido com as palavras dela, mas tudo que Sarah conseguia enxergar era um mentiroso, calculista que a manipulou durante sua vida toda. Até pouco tempo atrás ela não tinha percebido isso, mas depois do pen drive, Hathaway passou a enxergar John com outros olhos. Não era apenas raiva que queimava de dentro para fora do corpo de Sarah, mas mágoa e tristeza.
— Se não quer que eu me preocupe, tudo bem — John ergueu as mãos em forma de rendição, respirando fundo antes de tirar um cigarro do bolso e colocar entre os lábios, antes de completar: — mas precisamos falar de negócios.
— Negócios? — ela parecia à beira de um colapso, Michael percebeu.
— Sarah, acho que devemos ouvi-lo — Michael finalmente falou alguma coisa e Sarah se virou para encará-lo, endurecendo o olhar.
— Você me trouxe aqui. Sabia que ele estava vivo há quanto tempo, Clifford?
— Uma semana — ele soltou um longo suspiro e quase puxou um cigarro do bolso para si, mas apenas trocou o peso do corpo para a outra perna. — Antigamente, eu e John tínhamos uma forma de nos comunicar através de alguns sites, deixando comentários anônimos em códigos e assinando com nossos codinomes. Pedi para Luke há um tempo atrás me encaminhar qualquer alerta que surgisse nesses sites com o codinome, pensei que alguém ia tentar alguma emboscada contra nós. Uma semana atrás surgiu um. Era um horário para um encontro em homenagem aos velhos tempos.
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Red Queen
AksiyonApós a trágica morte dos pais, a jovem e determinada Sarah se vê forçada a assumir a liderança da perigosa gangue Bloods, herdando não apenas a posição de líder, mas também o pesado legado de seus pais. No entanto, ao mergulhar mais afundo no mundo...
