O enterro de John aconteceu no dia seguinte. Não como os Bloods, com honra e memória. Sarah negou-se, porque ele já teve um anos atrás. Agora não merecia morrer como parte da gangue, não depois de tudo o que ele fez. Apenas algumas pessoas estavam presentes, mas definitivamente não foi por sentir a perda de John Hathaway e sim como uma forma de solidariedade a Sarah Hathaway.
Luke também estava ali. E durante muitos momentos, ela sentia os olhos azuis caribe dele extremamente focados nela, como se Hemmings estivesse esperando que Sarah surtasse a qualquer momento. O que ele não sabia era que Hathaway já passou pelo luto de John uma vez e não estava muito disposta a passar novamente. Principalmente depois de descobrir tudo o que ele tinha feito.
Se não tivessem matado ele, Sarah tinha pensado em fazer isso depois de resolver os mistérios que a circulavam.
— Vamos? — ouviu Luke perguntar.
Sarah finalmente desviou os olhos do túmulo, percebendo que estavam sozinhos ali. Um pouco afastados, Michael, Emma e Calum estavam entrando em seus respectivos carros. Eles iam se encontrar em alguns minutos na sala de reuniões do Q.G. dos Bloods.
Os olhos dela desviaram para encarar a cautela de Luke e por algum motivo, a tempestade no peito de Sarah se acalmou.
— Vamos.
A mão de Luke foi em direção à lombar dela. Uma simples atitude, mas que significou muito para Sarah. Não transmitia possessividade, era como um gesto de conforto, uma forma de Hemmings dizer que estava ali caso ela quisesse ou precisasse de um ombro amigo. E Sarah sabia que podia contar com ele.
O percurso do cemitério até o Q.G. foi rápido e quando menos esperou, Sarah estava sentada na cabeceira da mesa, encarando os amigos.
Havia um silêncio tenso no ar, porque aquele assunto era como uma bomba relógio e todos conheciam a personalidade explosiva de Sarah. Emma encarava qualquer ponto na mesa, balançando as pernas em um sinal de ansiedade. Calum estava focado em suas próprias mãos. Michael encarava o teto com um interesse fingido.
E havia Luke, que parecia extremamente relaxado naquela situação, um semblante calmo no rosto e o corpo sentado despojadamente na cadeira. Ao contrário de todos, ele era o único que não parecia querer evitar o olhar dela.
Sarah deixou que um dos cantos dos lábios se elevasse em um quase sorriso.
— Luke, acho justo você começar — Sarah disse, pegando o caderno que tinha em mãos e uma caneta. Todos a encararam com cautela, recebendo um olhar firme dela em resposta, completando: — Ele que deu a ideia, então ele deve começar explicando. Além disso, Hemmings é carne fresca, teve mais tempo para ver as coisas de uma nova perspectiva.
Todos trocaram o olhar de Sarah para Luke, vendo-o assentir lentamente antes de ajustar a postura e encarar diretamente Sarah, a líder.
— O sistema de hierarquia dentro dos Bloods sempre existiu, mas com o passar dos anos ficou levemente enevoado por causa do conselho. Pelo que percebi, todos tinham vozes ativas em decisões importantes...
— Ter uma segunda opinião sempre é bom — Calum rebateu com firmeza, interrompendo Luke.
— Sim, com certeza, mas deixa de ser uma opinião quando se torna uma ordem — Hemmings falou com calma, encarando Hood de volta. — E esse é o maior problema, são ordens passando por cima de ordens. Qualquer pessoa que estiver entrando nos Bloods pode entender isso como desorganização.
— Mas todos sabemos que a última palavra é a da Sarah — Emma murmurou, encarando a loira, que mantinha os olhos fixos em Luke.
— Será? — Luke rebateu.
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Red Queen
ActionApós a trágica morte dos pais, a jovem e determinada Sarah se vê forçada a assumir a liderança da perigosa gangue Bloods, herdando não apenas a posição de líder, mas também o pesado legado de seus pais. No entanto, ao mergulhar mais afundo no mundo...
