Capítulo 20 - Ecos de Um Amor Perdido

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O ar na Inglaterra era diferente, mas para Emily, o mundo parecia girar em tons de cinza. No momento em que desceu do avião ao lado de Henry, o peso da escolha que fizera a acompanhava como uma sombra constante. Sua decisão de se casar com Henry para salvar Jason, John e todos que amava era uma cruz que ela carregaria. E naquele primeiro mês, ela quase sucumbiu a ela.

Emily mal saia do quarto na mansão dos Calloway. A propriedade era magnífica, uma herança da rica família de Henry, mas para ela, as paredes eram como grades de uma prisão. Os dias passavam em um ciclo de lágrimas incessantes e fome ignorada. Jason estava em seus pensamentos a cada momento, em cada suspiro. Ela podia sentir a ausência dele como uma ferida aberta que nunca cicatrizava.

Henry, apesar de tudo, foi paciente. Ele entendia que Emily precisava daquele tempo para sofrer, para processar. Ele nunca a pressionou a sair do quarto, mas também nunca a deixou sozinha por muito tempo. Com delicadeza, ele colocava pequenas refeições ao lado da cama, mesmo que elas permanecessem intocadas. Ele apenas dizia:
– Quando você estiver pronta, estarei aqui.

Após semanas de luto silencioso, Emily começou a dar os primeiros passos para fora do quarto. Henry, fiel à sua palavra, estava lá para guiá-la. Ele sabia que não poderia apagar o amor que ela sentia por Jason, mas queria ajudá-la a criar uma nova rotina, algo que lhe trouxesse pelo menos um pouco de paz.

Ele a apresentou à fazenda da família, uma propriedade vasta e exuberante, com colinas verdes e animais por todos os lados.
– Venha comigo, Emily. Não precisa falar nada. Só caminhe.

E ela caminhou. No início, era uma luta. Cada passo parecia pesado, como se as correntes do passado a segurassem. Mas, aos poucos, os animais e a simplicidade da vida rural começaram a quebrar a barreira de dor que a cercava. Ela se apaixonou pelos coelhos fofos que corriam livres pelo campo, pelos patinhos que nadavam no lago próximo, e especialmente pelos cavalos, que a encaravam com olhos tão profundos que pareciam compreender seu sofrimento.

Emily trocou os vestidos caros por botas e camisas de flanela. Ela passava horas na horta, sentindo a terra nas mãos, cuidando das plantas e encontrando consolo no ciclo natural de plantar e colher. Os animais se tornaram sua companhia constante, e a cada dia, ela se sentia um pouco mais conectada àquele lugar.

Henry observava de longe, feliz por vê-la recuperar, mesmo que lentamente, parte de sua essência. Ele sabia que ela ainda chorava à noite, que Jason ainda era o centro dos seus pensamentos. Ele sabia que seu casamento era um ato de sacrifício, não de amor romântico. Mas, ainda assim, ele queria proporcionar a ela o máximo de conforto que pudesse.

Três meses se passaram, e Emily começou a sair um pouco mais da fazenda. Ela visitava o vilarejo próximo, fazia compras simples, interagia com as pessoas. Aos poucos, a vida voltava a ter um semblante de normalidade, mesmo que sua alma ainda carregasse as marcas de sua escolha.

Mas todas as noites, quando estava sozinha no silêncio de seu quarto, ela pensava em Jason. Nos braços dele, no sorriso que iluminava seus dias, no amor que carregava no coração. A ausência dele era uma dor constante, mas também uma lembrança de que ela havia feito isso por ele.

E mesmo com o coração partido, Emily se mantinha firme. Porque o amor verdadeiro, ela sabia, às vezes exigia sacrifícios impossíveis.

O relógio marcava sete e meia da noite quando Henry bateu suavemente à porta do quarto de Emily. Do outro lado, ela demorou um instante para abrir, mas quando o fez, o sorriso terno que ofereceu a ele ainda trazia as sombras da tristeza.

– Está pronta para jantar? – ele perguntou, com um tom gentil.

Ela balançou a cabeça. – Não estou com fome, Henry...

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