A manhã seguia lenta — quase parando. O ar era pesado, e o tempo parecia se arrastar no pequeno cômodo onde Nath estava presa. Suas mãos e pés estavam amarrados à cadeira — os pulsos latejando pelas cordas apertadas. A luz que entrava pela janelinha no alto da parede era fraca — suficiente apenas para projetar sombras desconfortáveis pelo chão.
Um ranger distante quebrou o silêncio — passos ecoando pelo espaço vazio. Nath tentou levantar a cabeça, mas a exaustão a mantinha curvada. Vendada, ela só podia ouvir — seus sentidos estavam concentrados em captar qualquer pista.
De repente, alguém puxou a venda de seus olhos — a claridade, ainda que mínima, fez com que piscasse repetidamente. À sua frente, uma figura masculina permanecia em parte oculta pelas sombras — as feições difíceis de distinguir. Ele parecia frio, com um olhar quase indiferente.
— Quer água? — a voz era baixa, sem emoção. Nath tentou responder, mas sua garganta seca só produziu um sussurro. O homem pegou um copo pequeno e aproximou dos lábios dela — o líquido escorreu por sua boca, trazendo um alívio temporário.
— Está com fome? — a pergunta veio logo depois. Nath, com dificuldade, balançou a cabeça afirmativamente. Ele retirou uma fruta de um saco e colocou em sua mão trêmula. Mastigar exigiu um esforço extremo — mas cada pedaço parecia devolver um pouco de energia ao seu corpo debilitado.
— Por favor... — ela murmurou, com a voz fraca e entrecortada. — Só preciso... sair daqui... tomar um banho.
O homem ficou em silêncio por um instante — apenas a encarando. Depois, sem dizer nada, ele saiu pela porta novamente — os passos se distanciando até que o som desaparecesse.
Quando voltou, minutos depois, carregava um balde e uma esponja. Soltou os braços de Nath, mas seu corpo estava tão fraco que ela quase desabou. Sem nenhuma delicadeza, ele a segurou e a levou até uma barra de ferro presa à parede — onde amarrou os pulsos dela mais uma vez.
— Isso vai ajudar — murmurou, enquanto mergulhava a esponja na água.
À medida que o homem deslizava a esponja pelo corpo de Nath, lágrimas silenciosas rolavam por seu rosto. Ela apertava os olhos com força, tentando se desconectar daquele momento, desejando estar em qualquer outro lugar. A humilhação e o desespero pareciam esmagá-la, mas ela sabia que qualquer resistência física só pioraria sua situação.
O toque invasivo fazia seu corpo enrijecer — cada movimento do homem roubava um pedaço de sua dignidade, mas ela se recusava a deixar escapar um grito. O silêncio mórbido daquele lugar era quebrado apenas pelo som das gotas de água caindo no chão e pelos soluços abafados de Nath.
Ela sabia que não podia fazer nada naquele instante, mas prometeu a si mesma que, de alguma forma, encontraria uma maneira de sair dali. Seu corpo tremia, não apenas pelo frio da água, mas pelo peso da impotência. Mesmo assim, dentro dela, uma faísca de força continuava viva — pequena, mas suficiente para manter sua esperança acesa.
Quando o homem tentou aproximar seus lábios dos de Nath, uma voz firme e cortante ecoou pelo ambiente:
— O que você pensa que está fazendo?
A presença do recém-chegado congelou o agressor, que recuou rapidamente. Ele tentou justificar-se:
— Só estava dando um banho nela, nada demais.
— Nada demais? — retrucou o homem, sua voz carregada de autoridade e desprezo. — Saia daqui agora. Isso não faz parte do plano. Não toque nela de novo.
Sem argumentos, o agressor saiu contrariado, murmurando algo inaudível. Assim que ele deixou o local, o homem que havia intervindo se aproximou de Nath. Ela tremia, tanto de frio quanto de medo. Ele retirou o casaco que usava e colocou sobre os ombros dela.
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Forbidden Love
RomantikSinopse: Emily e Jason se conheceram quando eram crianças, criando uma conexão inocente e única, marcada por momentos de carinho e brincadeiras. No entanto, a vida os separou, e por anos, ambos seguiram caminhos completamente diferentes. Emily cresc...
