Capítulo 19 - O Peso da Saudade

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Os dias no hospital foram longos e silenciosos para Jason. O ambiente estéril e o cheiro constante de medicamentos só aumentavam sua inquietação. Assim que recebeu alta, ele sentiu o peso da liberdade misturada com uma determinação feroz: ele precisava de respostas.

Sem perder tempo, dirigiu-se à casa de John. O sol ainda nascia quando chegou. John o recebeu sem surpresa, já esperando por essa visita.

— E aí, como você tá? — perguntou John, cruzando os braços e encostando-se na porta.

Jason estreitou os olhos, analisando o amigo por um momento antes de responder.
— Melhor, mas não foi disso que eu vim falar. Quero saber mais sobre a Emily. Sobre como... ela foi embora.

John respirou fundo, a expressão fechada.
— Eu sabia que você ia perguntar isso. E eu vou te contar, mas você precisa ouvir até o final.

Jason permaneceu em silêncio, o olhar fixo em John. Ele sabia que a resposta viria, mas não estava preparado para o que ouviria.

— A Emily fez um sacrifício, cara. Foi corajosa. Ela percebeu que só tinha uma maneira de ajudar todo mundo. Pra proteger o pai dela, você e até a mim, ela tomou uma decisão difícil. Ela se casou com o Henry pra nos ajudar.

Jason sentiu um soco no estômago.
— E como ela estava ?

— Muito mal,  nem ela nem o Henry  queriam isso. Mas, no final das contas, os dois fizeram esse acordo. Ele ajudaria ela, e ela faria o que precisava pra proteger todo mundo.

Jason deu um passo para trás, a cabeça girando com as palavras de John.
— Ela... se sacrificou pela gente.

John assentiu.
— Sim. Quando ela foi ver você no hospital, depois do casamento, ela tava destruída. Dava pra ver nos olhos dela. Mas acho que, na cabeça dela, essa era a única saída.

Jason respirou fundo, lutando contra a raiva e a dor que queimavam em seu peito.
— Pra onde ela foi?

John hesitou.
— Isso... eu não sei. Provavelmente só o pai dela sabe.

Jason cerrou os punhos, seus olhos queimando de determinação.
— Então eu vou falar com ele.

— Jason, escuta... — John começou, mas foi interrompido pelo amigo.

— Não tem nada que você possa dizer que vá me impedir, John. Eu preciso saber.

John suspirou, balançando a cabeça.
— Tudo bem. Mas vai com cuidado.

Sem dizer mais nada, Jason virou-se e saiu. A missão estava clara em sua mente. Ele iria até o Sr. Armand e exigiria respostas. Nada mais importava. O coração pesado e a raiva controlada eram os únicos companheiros na sua jornada.

Jason entrou no prédio da empresa com passos firmes. Os olhares que recebeu não eram de intimidação, mas de indiferença. Os seguranças pareciam alheios a sua presença, e ele atravessou o saguão sem dificuldade. A atmosfera era fria e impessoal, o que apenas alimentava sua irritação.

Ao chegar à recepção, ele se aproximou da secretária, que levantou os olhos sem pressa.
— Quero falar com o Sr. Armand. Agora.

Ela hesitou por um momento, mas, ao perceber o tom irredutível de Jason, pegou o telefone e anunciou sua presença. Para sua surpresa, a resposta foi rápida.

— Pode subir — ela disse, indicando o elevador com um gesto.

Jason não agradeceu. A viagem até o andar da presidência foi um misto de ansiedade e raiva crescente. Quando chegou à sala, empurrou a porta com força, sem se importar em parecer educado. O Sr. Armand estava sentado atrás de uma enorme mesa de madeira escura, os olhos fixos em alguns papéis, mas sua expressão era sombria.

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