POV PAOLLA
O dia raiou. Meus olhos doíam, eu havia bebido demais. Sem dúvidas ela era diferente de todas as mulheres que conheci durante todos esses anos.
Me deitei no sofá com uma taça de vinho.
Eu já era adulta a muito tempo afinal quarenta e dois não dava, mas pra ser chamada de garotinha. Olhei pro lado e uma única foto da Marina ainda estava ali sob um móvel, olhei e fui até o retrato. Peguei o pequeno bilhete que ficava sobre ele, abri. -
"Pao me perdoa, mas eu nunca fui boa pra essa vida, e nunca consegui ser forte como você, eu te amo, mas não consigo mais ficar." - pela primeira vez eu tive forças pra amassar e jogar fora, a foto levei até o lixo também, não era como se eu não tivesse amado ela, mas eu tinha que colocar um ponto final, afinal foram tantos anos me culpando, eu não tinha culpa, eu tentei ajudá-la. Eu tentei tirar ela daquele fundo do poço de quando a conheci, ela tinha uma depressão profunda, seus pulsos eram os olhos da alma dela que viviam chorando sangue.
Deitei novamente, e meu telefone tocou, eu não sabia nem se me mexia para alcança-lo.
Logo ele se silenciou, mas voltou a tocar bufei e o peguei, o número era desconhecido, mas atendi já que parecia que a pessoa não tinha a intenção de parar de ligar.
-Alô?
-Oi, eu estava preocupada. - Eu já havia identificado ser Mandy, mas eu não iria ser amigável, não agora.
- Quem é? - Deu pra ouvir ela resmungar um: sério? .
- É a Mandy... - Fiquei quieta. - Gomez
- Ah sim. - Olhei pro relógio. - Já é meio dia. Logo passo aí pra combinar as coisas da festa.
- Não liguei por isso... Liguei pra saber se você estava bem, por ontem sei que fui...
- Rude? Não se preocupe, eu estava um pouco bêbada, então não leve nada em consideração.
- Sério que vai apelar para a bebida?
- Você quer que eu fale o que? Que sou um sapatão que tentou te comer e você percebeu?
- Quem está sendo rude agora? - Fechei meus olhos com força, bufando.
- Mandy, acho melhor procurar outra fotógrafa acredito que não vou conseguir te ajudar como você precisa. E não se preocupe que não vou perturbar você. - falei e encerrei a ligação afinal nada daquilo havia sentido. Eu era uma idiota que se apaixonava fácil. Fácil demais. Me afundei mais em meu sofá, era como se ele me abraçasse e eu me afogasse ali.
- Parabéns pra mim. Tanta gente pra eu resolver abaixar a guarda eu precisava abaixar a guarda pra uma louca que mora no meio do nada e que ainda é hétero?
- Isso é a nossa cara mãe, acho que está no nosso sangue. - Me assustei quase caindo do sofá, era meu filho.
- O que faz aqui? - perguntei me levantando e o abraçando.
- Eu precisava de você, mas pela música que está ouvindo você também precisa de mim. - Ele falou se referindo a música na televisão a música mais triste do ano " jamais me imaginei ouvindo nada assim, mas sim eu estava. Como era possível um adulto se apaixonar à primeira vista, como era possível aos toques daquela música eu imaginar nossos corpos juntos, imaginar meus dedos dedilhando cada centímetro dela.
- Ah filho, sabe como sou ne? - Falei suspirando.
- É como eu né mãe, somos daqueles que quase não existem mais, que sofrem demais, amam demais, então caímos com força. - Quem é ela?
Me sentei novamente. - Ela tem um carisma que fascina, os olhos dela são lindos, sua boca é um abismo pra se perder, ela é doce...
-Mãe qual o problema então?
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A Proposta |SEMI VERSION|
FanficDemetria é uma poderosa editora de livros que corre o risco de ser deportada para o Canadá. Para poder permanecer em Nova York, ela diz estar noiva de Selena, sua assistente. A jovem aceita ajudá-la, mas impõe algumas condições, entre elas ir para o...
