Capítulo 8 - Porta

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Demetria

Por que aquela campainha tocou logo agora? Queria continuar deixando tudo me levar, indo até o meu limite. Ouvi a campainha mais uma vez me tirando dos meus pensamentos e da atenção dos olhos e da respiração de Selena. -Suspirei indo até a porta. -  Quem estaria tocando minha campanha daquele jeito, e porque o porteiro deixou alguém subir sem me avisar. Abri a maldita porta e olhei para baixo, um par de olhos castanhos pequenos me encarava, era um garoto, um garotinho assustado, com roupas bem sujas e um pouco furadas, ele me olhava com os olhos arregalados percebi que ele não sabia o que dizer.

- Vamos ele deve estar perto. - Ouvi vozes no corredor ao lado.

- Por favor me deixa entrar, eles já mataram todos, eu não quero morrer também, diga que sou seu e que fui sequestrado, por favor. - O garoto falou chorando se ajoelhou e implorou com as mãos postas, nitidamente sem saber mais o que fazer pelo desespero.

- Eu não poss...

- Moça eu vou sumir eu prometo, só não me deixa morrer. - Ele implorou chorando e eu me ajoelhei e o abracei, quando vi de relance a ponta do pé de um dos homens, para minha surpresa eram polícias.

- Vai ficar tudo bem ok. - Falei baixo ao ouvido dele. - Qual seu nome?

- Henry. - Ele disse baixo para mim de volta.

- O meu é Demetria e o da minha namorada Selena caso eles te questionem ok?

- Ok. - Falou e eu me levantei o pegando no colo, o garoto tinha por volta de uns oito anos, estava encolhido, com medo, e segurava em mim com certa força.

- Boa noite senhora...

- Lovato

- Senhora Lovato, este garotinho vai com a gente, ele roubou...

- Esse garotinho é meu. - Afirmei e eles se encararam. - É meu filho que estava desaparecido.

- Senhora tem certeza disso? - Perguntaram totalmente desconfiados.

- Henry Daniel Lovato, ele é meu. - Falei o nome de meu pai e só agora eu havia me tocado da semelhança sobre ele se chamar Henry. - Ele tem oito anos e está sumido desde os 5, e ainda tem a mesma carinha- disse passando levemente a mão pelos cabelos do pequeno. - Ele foi roubado de mim, e é meu, ele encontrou meu endereço no cativeiro que estava.

- A senhora abriu um boletim na polícia?

- Já tentei, mas como sou uma pessoa pública me disseram que era impossível eu ter um filho tão grandinho escondido da imprensa sem deixar rastros, mesmo que naquela época meu nome ainda estava sendo montado... então abafaram o caso e fiquei todos esses anos sem respostas. - Eu espero estar sendo convincente, se eles soubessem que naquela época eu já estava com uma certa fama...

- Seu marido está em casa? - Um deles falou segurando a arma ainda no coldre.

- Minha esposa está, por quê? - eles se olharam suspirando.

- A senhora precisar ir até a delegacia resolver isso.

- Vou ligar para minha advogada. - Peguei meu celular no bolso sem soltar o garoto, mandei uma mensagem de texto pedindo que ela viesse pra minha casa imediatamente, dizendo previamente do acontecido para minha advogada. Fiquei ali parada na porta com o garoto nos braços, e logo Camila chegou, e os policiais se distraíram com o seu decote.

- Olhem prós meus olhos e não prós meus seios senhores. - Ela falou e eles ficaram sem graça. - Minha cliente passou a patente de vocês. - Ela apontou prós uniformes. - E entrei em contato com o comandante, ele me informou que a missão de vocês envolvia estourarem uma casa de tráfico de menores escravizados correto?

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