FRI(end)S

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Tem dois meses que o telhado da minha casa está quebrado e toda vez que chove, acordo com gotas em meu rosto. Essa goteira amaldiçoada começou no dia em que conversei com Jungkook pela última vez. Pensando bem, talvez isso esteja acontecendo porque ele deve ter me jogado uma praga.

Limpo as poucas gotas que caíram em meu rosto e rolo para o outro lado da cama. Infelizmente, acabo descobrindo que há outra goteira. São 06:00 da manhã, não quero levantar a essa hora em um domingo. Mas eu preciso tirar minha cama dali antes que fique encharcada e acabe fazendo com que se torne um local apropriado para mofos.

Arrasto minha cama para o outro lado de meu quarto e pego meus baldinhos que já estão reservados para isso. Desço até a cozinha para pegar uma água e vejo que minha mãe não está em casa. Até poderia ligar para saber onde ela está, mas com toda certeza deve estar em seu plantão.

Meu celular começa a tocar. Deixo tocando.

Como Hyunjin está namorando com Felix tem dois meses, nunca esta em casa. Sempre estão juntos em lugares que eu prefiro nem saber. Vou até o quintal e fico olhando para às árvores, enquanto meu celular continua tocando.

Não quero atender ninguém, então apenas fecho meus olhos para tentar escutar o som dos pássaros. Sinto uma sombra na minha frente, quando abro meus olhos, encontro Peter me encarando com as mãos na cintura.

Meu corpo pula da cadeira em que estava deitada e sinto meu coração acelerar.

— Que que é isso aqui? — Pergunto com voz ofegante devido ao susto.

— Tô ali na porta desde cedo! Não parei de te ligar um segundo. — Peter aumenta seu tom de voz. — Pensei que você estivesse dormindo, mas está apenas me ignorando não é?

— Mas por que você está aqui? Olha a hora! Como eu poderia saber que você viria para cá? — Respondi na mesma altura.

— Ué, Yasmim! Você esqueceu da festa? — Peter me olha com um desprezo, como se eu tivesse o decepcionado de modo que não houvesse perdão.

— Festa? 06:00 da manhã de um domingo? Você tá é louco. — Me ajeito na cadeira fechando meus olhos.

— Como você esqueceu? Inacreditável. — Peter suspira. — Você ia para minha casa e mais tarde iriamos para a festa. Entendeu agora?

Merda.

Esqueci completamente desse evento que já está marcado a não sei quanto tempo. Felix estava tão ansioso para essa festa que não parou de falar sobre ela durante um mês inteiro.

Namorar com Peter estava fazendo com que minhas dores de cabeça apenas piorassem. Por mais que eu tentasse ser a melhor namorada possível, nunca seria da forma da qual ele idealiza. Queria conseguir ser a namorada presente que ele tanto deseja, mas mal sou presente em minha própria realidade.

Essas frustrações que Peter tem passado comigo, acabam todas as vezes se tornando motivo para uma briga diferente. Nunca na minha vida eu iria nesses eventos do qual ele tenta me arrastar, mas dessa vez acabei errando mais do que o usual e sinto a necessidade de comparecer ao seu lado.

— Desculpa, amor. Eu não tive a intenção de te magoar. — Me levanto para tocar seus ombros. — Eu vou arrumar minhas coisas e a gente já vai, ok?

Peter não diz nada, apenas segue para seu carro enquanto vou pegar as coisas pra me arrumar.

(...)

O dia foi extremamente silencioso. O clima dentro da casa de Peter estava semelhante – ou até mesmo pior – do que o de um enterro. Todas as nossas conversas durante o dia foram rasas, e Peter se recusava a se esforçar para termos um diálogo decente.
Todo seu vitimismo me deixa absurdamente irritada.

Just one dayOnde histórias criam vida. Descubra agora