Flashback da Laura: Sob o Alvo do Passado

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O som do despertador ecoou no quarto silencioso. A luz do sol filtrava-se pelas cortinas semiabertas, cobrindo o ambiente com tonalidades douradas. Laura abriu os olhos devagar, ainda sentindo o corpo pesado pelo cansaço acumulado. Ela permaneceu deitada por alguns instantes, observando o teto enquanto Max, seu cachorro, já abanava o rabo próximo à porta do quarto, ansioso para começar o dia.

Finalmente, espreguiçou-se e levantou-se, arrastando os pés até a cozinha. A casa refletia a personalidade dela em cada detalhe: móveis clássicos mas modernos, paredes decoradas com quadros que ela mesma pintava e livros cuidadosamente organizados em uma prateleira na sala.

- Bom dia, Max - disse ela, com a voz ainda rouca de sono, inclinando-se para acariciar o cão. Ele respondeu com um latido baixo e feliz, seguindo-a de perto enquanto ela preparava o café.

A cafeteira começou a funcionar com seu ruído familiar, enchendo o ambiente com o aroma de café fresco. Enquanto isso, Laura abriu o armário, pegando o saco de ração e despejando uma porção generosa na tigela de Max, que logo foi em direção à refeição com entusiasmo.

Laura sorriu, observando o cachorro por alguns segundos antes de preparar seu próprio café da manhã. Colocou duas fatias de pão na torradeira, abriu o pote de geleia e serviu uma caneca do café recém-passado. Com tudo pronto, foi até a sala, acomodando-se no sofá.

A televisão exibia um filme de ação, e embora a trama fosse clichê, ela se deixou levar, rindo de algumas cenas exageradas enquanto saboreava o café. O ambiente estava tranquilo, quase perfeito.

Foi então que ouviu.

Um ruído seco, vindo do lado de fora. Não era alto, mas o suficiente para fazê-la franzir o cenho e ficar alerta. Laura colocou a caneca de café na mesa de centro e levantou-se, seus olhos instintivamente indo até Max, que parecia alheio ao som.

- Você ouviu isso? - ela perguntou, mais para si mesma do que para o cachorro.

Caminhou até a porta da frente e a abriu com cuidado. A luz da manhã iluminava o jardim. Tudo estava no lugar: o balanço da brisa entre as árvores, os pássaros saltitando entre os galhos. Não havia nada fora do comum.

Mesmo assim, Laura deu alguns passos para fora, os olhos atentos, varrendo cada canto em busca de algo. Depois de alguns segundos, balançou a cabeça, tentando afastar o incômodo. - Deve ter sido só um pássaro - murmurou, voltando para dentro.

Fechou a porta, mas não conseguiu se livrar da inquietação. Sentiu o coração acelerar sem motivo aparente, mas decidiu ignorar. Voltou para a sala, parando ao lado do sofá, ainda olhando distraída para a televisão. Foi então que aconteceu.

Um estrondo. O som do vidro se estilhaçando.

Laura mal teve tempo de processar. Sentiu um impacto violento no peito e, em seguida, uma dor insuportável. Seus pulmões pareciam incapazes de puxar o ar, e ela caiu para trás, os olhos arregalados de choque.

O chão frio da sala recebeu seu corpo inerte. O sangue começou a manchar sua blusa rapidamente, escorrendo até formar uma poça ao seu redor. Sua visão começou a ficar turva, e o som da televisão, que antes enchia o ambiente, parecia cada vez mais distante.

O telefone começou a tocar insistentemente. Laura tentou se mover, mas o corpo não respondia. Antes que a escuridão a envolvesse por completo, a última coisa que ouviu foi o latido aflito de Max.

Bruce Wayne estava do outro lado da linha. A insistência com que discava o número de Laura já denunciava sua preocupação. Quando nenhuma resposta veio, um pressentimento ruim tomou conta de se. Ela nunca ignorava suas ligações.

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