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  Por um instante Enid não soube bem o que fazer ou dizer. Wednesday estava num estado lastimável, a pele dela estava pálida, o olhar meio perdido e sonolento. Então, tentou falar com ela.

___ Wednesday, é você?

  A outra não respondeu nada, mas se encolheu ainda mais, então Enid percebeu que o farol da moto ligado provavelmente não deixava que ela enxergasse direito quem estava ali, correu até a moto e desligou, então tentou falar com ela novamente.

___ Wednesday, olha, sou eu, Enid.

___ É... você... mesmoo? Não... estou sonhando?

  Percebeu a fala lenta e tremida de Wednesday, ela falava tão baixo que quase não conseguia ouvir.

___ Sou eu sim. O que aconteceu? Você brigou com seu marido e resolveu ficar fora de casa?

___ Elee... é mau.

  Queria muito entender o que estava acontecendo, mas parecia que Wednesday estava confusa demais para explicar algo. Temeu que estivesse com um começo de hipotermia, tinha que tirar ela dali já.

___ Tudo bem Wednesday, ele é mau, mas agora é melhor eu te levar para casa, ok? Amanhã você resolve essa briga com ele.

___ Não... posso... ir pra... casa.

___ Eu entendo que vocês brigaram, mas você podia ao menos ter pego uma blusa de frio quando saiu né? Agora o que você não pode é ficar aqui.

___Não tenhoo... escolha.

  Ficou sem saber o que dizer para convencer Wednesday a sair desse frio.

___ Então vamos até minha casa, ou um hotel, ou onde você quiser, ok? Só não da pra ficar aqui.

___ Se eu for... ele... vai saber.

___ Ele não vai saber droga nenhuma, são quase 11 horas, ele deve estar dormindo na cama bem quentinha enquanto você congela aqui fora.

  Começou a sentir um começo de irritação, tinham que sair logo dali, mas Wednesday estava mais empacada que mula em areia fofa. Então resolveu jogar baixo. Sem se aproximar muito dela, tirou o casado e cobriu o corpo de Wednesday. Logo na primeira rajada de vento frio, já se arrependeu disso, mas Wednesday precisava mais do casaco do que ela. Ficou só com uma camiseta curta.

____ Toma meu casaco.

  Wednesday se embrulhou nele como se fosse a coisa mais preciosa do mundo e, naquele momento de frio congelante, com certeza era.

___ Agora presta atenção, Wednesday. Você tem duas escolhas, ou vai comigo para algum lugar, sua casa, a minha, um hotel, ou vamos ficar as duas aqui nesse frio até congelar, porque não vou sair daqui até que você saia também.

  Pensou que Wednesday não ia dizer nada e as duas iam mesmo congelar ali, já sentia o efeito do frio no corpo todo que começou a tremer. Então a outra se decidiu.

___Ok... Enid... vaamos... para sua casa.

  Deu um suspiro de alivio e ajudou Wednesday a levantar e vestir o casaco, enrolou o cachecol em volta do pescoço dela e colocou o capacete, só havia levado um, por ser perto ela mesma iria sem capacete.

  Subiu na moto e ligou, Wednesday montou na garupa e sem que Enid precisasse dizer nada, abraçou a sua cintura. Ao invés disso ajudar Enid a se esquentar, só piorou o frio. Wednesday estava parecendo um defunto de tão fria. Acelerou a moto para chegar logo em casa, sentia os dedos endurecendo no guidão da moto.

Tudo que queria nesse momento era algo bem quentinho.


A Mulher do Pastor- WenclairOnde histórias criam vida. Descubra agora