11 O CAVALEIRO-parte 2

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⚠️AVISO DE GATILHO, ESSE CAPITULO CONTEM ASSASSINATO E AGRESSÃO GRAFICA⚠️

— Senhor Rane, posso ver o quão forte você é — Katte diz impressionada.

— Você acha? Para mim, não sou tão forte assim — Rane rebate.

— Não falo da força física — Katte aponta para sua testa, tentando não desviar o olhar — Estou falando desta força aqui. Mesmo depois de tudo isso, você ainda consegue se levantar e seguir em frente.

— Sim, mas não consegui sozinho. Tive ajuda dos meus companheiros, do príncipe... e da minha mãe.

— Se não se importar, eu gostaria de continuar conhecendo mais sobre você.

— Se é o que deseja, eu irei lhe contar.

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O chefe havia visto o que aconteceu e o que eu fiz. Seu nome era Sare. Ele era bem alto e muito forte  fisicamente, um homem grande, mas de coração enorme. Ele apenas sentou ao meu lado e limpou o sangue de minhas mãos. Nosso lema sempre foi "roubar sem matar, a menos que seja extremamente necessário".

Ele me disse que, não importa o que eu tenha feito ali, nenhum dos meus companheiros ficaria com raiva de mim, e eles nunca me abandonariam. Não irei mentir, ouvir aquelas palavras me deu um grande alívio. Nunca pensei que me sentiria bem em não estar sozinho.

O chefe me falou que eu deveria parar de pensar nisso, pois só me faria perder a razão. E acho que, se ele não tivesse aparecido naquela hora, eu teria me matado logo em seguida por não aguentar... Afinal, foi a primeira vez que matei alguém.

Depois disso, nos juntamos aos nossos companheiros. Já estava escuro, e acampamos na floresta depois de pegar suprimentos. A noite estava calma e tranquila. Enquanto ouvíamos o som dos grilos e corujas, nos sentamos ao redor da fogueira, contando histórias sobre nossas aventuras. Estava tudo muito bom para um dia tão caótico. Eu tentava me livrar daquela sensação incômoda e dos pensamentos negativos, pensando que finalmente tinha me libertado.

Vários dos meus companheiros eram crianças que foram sequestradas. Claro que, em meio às batalhas, alguns deles morreram, mas aqueles que sobreviveram se tornaram mais próximos e mais fortes. Sempre conversávamos e fazíamos piadas para descontrair.

Mesmo com nossos traumas, não podíamos nos deixar vencer pela escuridão. Seguíamos nosso lema ao pé da letra. "Companheiros não abandonam uns aos outros. Companheiros sempre se mantêm unidos até o fim." Parece algo bobo, mas sempre nos ajudou a seguir em frente. Passamos a noite toda conversando, sem pensar no amanhã... até que algo aconteceu por puro descuido.

No dia seguinte, nosso chefe resolveu atacar uma caravana de um duque que se recusava a reduzir os impostos da população. Muitos morriam de fome por não ter o que comer, mas ele não mudava de ideia. Então, decidimos agir. Fizemos uma emboscada perto do rio que circundava a floresta. Era um lugar denso, cheio de árvores, dificilmente nos veriam.

Nos aproximamos aos poucos, separados e escondidos, como predadores caçando suas presas. Nosso chefe nos dava sinais diferentes, mostrando o que cada um deveria fazer. O plano era assustá-los e fazê-los adentrar ainda mais na floresta, onde cairiam em nossas armadilhas. Tudo estava indo bem... até que senti algo se aproximando. E, de repente, uma espada atravessou o espaço entre meus ombros. Por pouco não me acertou.

Era um dos soldados do duque. Mas como poderia haver mais deles? Estudamos o local e a quantidade de soldados várias vezes. Eles sabiam que estávamos ali? Como isso foi possível?

Só havia uma explicação. Ao ver as expressões dos meus companheiros, notei que todos pensaram a mesma coisa,, "Fomos traídos." Depois de tantos anos juntos, como alguém poderia trair os próprios companheiros? Foi por dinheiro? Algo tão trivial poderia custar a vida de pessoas que passaram anos juntos? Sim. Poderia.

É claro... Como pude pensar que nossas vidas seriam mais importantes que uma grande quantia em dinheiro? A resposta estava bem diante de mim, meus companheiros caindo um a um em questão de minutos. Vários deles lutaram juntos para derrubar os soldados inimigos, mas eram muitos. Fiz o possível, correndo de um lado para o outro para ajudar aqueles que ainda estavam vivos. Mas não foi o suficiente...

Vi vários deles terem suas cabeças arrancadas por espadas, membros dilacerados, enquanto o sangue se espalhava por toda a área. Outros eram atingidos por projéteis mágicos lançados pelos soldados. Antes, sempre dávamos um jeito de sobreviver. Mas, dessa vez, eram tantos que não havia salvação.

Foi então que, ao longe, vi o duque nos observando. Seu olhar era o mesmo que meu pai tinha quando... Eu congelei por um momento. Mas, antes que pudesse reagir, uma rajada de vento me jogou contra uma árvore. Logo depois, tudo escureceu.

Quando recobrei a consciência, vi que todos estavam mortos... exceto eu e meu chefe. Nós dois estávamos tão feridos que mal conseguíamos nos mover. Sem demora, os guardas o capturaram e o levaram para julgamento... e execução. E eu fiquei ali, sozinho, tomado pela dor da perda dos meus companheiros. Mais uma vez, não fui capaz de salvar aqueles que eu amava. Mais uma vez... fui inútil.

Horas se passaram. Apenas esperei pela morte, meu corpo fraco e machucado. De repente, ouvi o trotar de cavalos. Aos poucos, uma figura deslumbrante surgiu. A luz do pôr do sol refletia na sua armadura prateada. Era ele. O Príncipe Wolff. No meio daquele caos, ele parecia brilhar.

Eu vi parte do que aconteceu. Infelizmente, não pude impedir a morte dos seus companheiros.

Eu simplesmente lhe disse para me matar. Eu não tinha mais nada a perder. Então, ele me respondeu:

Então viva por mim. Seja aquele que estará ao meu lado até o fim da nossa jornada. Você é forte. Eu preciso de você.

Ele estendeu a mão para mim... Sinceramente, eu fiquei perplexo. Por que alguém da realeza escolheria um mero plebeu como subordinado? Ainda mais como soldado? Mas ouvir aquelas palavras... Saber que alguém precisava de mim... mexeu comigo.

Eu hesitei. E se eu me afeiçoasse a ele e visse sua morte? Eu conseguiria suportar isso? Mas então ele disse:

Não tenha medo do futuro. O que aconteceu não foi sua culpa. Você passou por muita coisa, meu amigo, mas precisa olhar para o presente. Deixe que eu me preocupo com o nosso futuro. Apenas seja minhas asas.

Aquelas palavras ecoaram na minha mente. Pela primeira vez na vida, eu não pensei em absolutamente nada. Apenas estendi a mão e segurei a dele. Foi assim que minha história com o príncipe começou.

— Nossa... Eu não esperava por nada disso. Pelo visto, sua vida sempre foi muito agitada, senhor Rane. E ele realmente parece o tipo de pessoa que diria algo assim.

Aceno com a cabeça — Eu nunca contei para ele que matei aquele homem, mas, no fundo, sinto que ele sabe. Ele sempre foi assim: gentil com todos, mas nunca se importou realmente com ninguém... até agora. Com você, é diferente. Ele quer mantê-la segura, ainda que isso custe sua própria segurança.

— Eu... O que eu mais queria era que ele seguisse em frente sem mim...

nós ficamos tão pouco tempo juntos e ele foi o primeiro amigo que eu tive que realmente me entendeu e que me tratava de igual para igual, sem diferenças. Mas vejo que é inevitável: eu quero poder revê-lo tanto quanto ele me revê; não quero ir, mas também não quero ficar... É um dilema terrível. Minha família espera por mim, não posso deixá-los, muito menos fico feliz em ir embora.

Mas garanto que, quando chegar o dia em que o ver novamente, nós desfrutaremos de belas e longas conversas. Eu garanto que guardarei a história de sua vida em meu coração até o momento da minha morte — confirmo com a cabeça rapidamente.

— Fico feliz em ouvir isso, “senhorita” parece que meu medo de vê-lo envelhecer sozinho ou com alguém desagradável não se realizará.

Depois dessas palavras, Rane apenas se virou para a janela e ficou olhando a paisagem, ele a encarava como se quisesse acabar logo com tudo isso, e eu apenas me aconcheguei e adormeci no banco da carruagem, esperando para ver o que vai acontecer comigo assim que entrarmos na floresta das almas.

                                                 
                                                         CONTINUA…

Katte and WolffHistórias para pegar e não largar. Descubra agora