9 DESTINO COMPARTILHADO

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— Depois de ler a história de origem da Deusa, a apelidamos de "Deusa da Árvore". Me pareceu um nome condizente e apropriado para ela. Nós tentamos achar mais pistas, mas isso era tudo. Todo o resto eram receitas de remédios e instruções sobre como fazer curativos, nada muito útil no momento. Procuramos como loucos por horas por pistas que nos ajudassem a encontrar a árvore. O próprio Wolff mandou seus guardas procurá-la no lugar onde me encontraram, mas ela havia sumido, mesmo que isso não fizesse sentido.

— E agora? Como poderemos achar a árvore, Wolff?

— A-ai, minha nossa! — Lucinda gagueja —Então o livro que trouxe não serviu de nada?!

— Nada disso, senhorita Lucinda. Essa história nos ajudou a entender mais sobre a própria Deusa que criou a árvore mágica.

— Tudo bem... Eu irei continuar procurando.

— Igual a vocês, eu irei em busca de respostas nos livros. Espero achar o que procuramos — falo esperançosa.

Saímos da sala tristes, más ao mesmo tempo tínhamos  esperança de encontrar algo, mesmo que por acaso. Não queríamos acreditar que nossa busca foi em vão.

Eu voltei ao jardim. As flores me ajudavam a pensar melhor em uma solução, elas sempre me faziam ter uma mente mais aberta sobre qualquer assunto. Acho que minha linhagem real deve ter algo a ver com isso, quando me dei conta, notei uma figura conhecida. Era o rei sentado em um dos bancos, olhando para o belo jardim de flores coloridas. A brisa leve balançava seus cabelos grisalhos, fazendo-o parecer muito sereno em comparação com toda essa situação em que me encontro.

— Acho que não sou só eu que busco a natureza para espairecer — Katte balbucia.

— Você de novo? Parece que terei que evitar este lugar de agora em diante. Essas flores foram plantadas pela Gisele. Ela ama tudo o que é belo. Eu costumo vir aqui apreciá-las de vez em quando. Por que vem aqui com tanta frequência?

— Bem... Digamos que está no meu sangue, Majestade. É algo que não posso evitar. Dizem que uma fruta nunca cai muito longe do pé. Eu simplesmente amo estar perto delas. São tão lindas e delicadas, más ainda assim tão resistentes.

— Resistentes? Você acha isso mesmo? Para mim, elas são apenas pequenos seres insignificantes, frágeis e patéticos. Mesmo que eu queira esmagá-las ou quebrá-las, só o que podem fazer é esperar seu inevitável fim.

— Se acha isso mesmo, deveria tentar ver o lado belo desses seres tão frágeis. Na minha opinião, elas são incríveis, resistindo a chuvas fortes e ventanias. Casas são destruídas, más as flores continuam de pé.

Acho que agora é a hora certa de falar sobre o “tema principal”

— Mas, mudando de assunto... Eu poderia lhe contar uma história?

— Uma história, é? Então prossiga. Vamos ver o que você tem em mente.

— Era uma vez um lobo. Ele era grande e forte e se achava imponente e superior às outras aves. Mesmo podendo viver em matilha, preferia ficar sozinho. Um dia, ele se apaixonou por uma bela loba e tiveram filhotes. Ele acreditava que precisava ser ainda mais forte para proteger sua família, mas não percebia que, sob sua proteção, seus filhotes só se afastaram ainda mais dele. A bela loba tentou ajudá-lo, más infelizmente ele não queria ajuda,  Entã —.

— Chega! — diz o rei curto e grosso — Eu entendi onde você quer chegar com isso. Essa história não lhe diz respeito! Você não precisa tentar interferir. Eu fiz o que fiz para o bem maior deles, e eles sabem disso! Mesmo que meu filho mais velho seja um ingrato que esteja se rebelando!

— Más ele não é o mais velho, não é?

— Cale-se! Eu estou sendo paciente demais com você.

— Majestade, sinto muito se o ofendi, más... você precisa conversar com Wolff. Eu sinto que ele só precisa de um motivo pa—

— Não! Já Basta! — o rei a impede de continuar.

— Você deve estar me achando um tolo, não? Fala comigo como se me entendesse, como se soubesse o que eu vivi para chegar até aqui. Eu não preciso dos seus conselhos ou da sua compaixão! Você se acha superior por me "perdoar"? Eu sou o rei! Estou acima de tudo e de todos! Ninguém pode me deter! Não mais...

— Não entenda errado, eu não estou bem com nada disso. Perdoar não significa esquecer... Eu apenas não acho que ficar com raiva de algo que aconteceu há tanto tempo mude alguma coisa. Isso só me prenderia ao passado. Eu... apenas quero que Vossa Majestade se entenda com o príncipe. Ele é alguém inteligente e de bom coração, que apenas não aceita as coisas como são agora.

— A partir de agora, está proibida de vir ao jardim! E não me dirija mais nenhuma palavra!

—  Como quiser, Majestade — falo séria.

Já que não poderia mais vir ao jardim, retirei-me e fui para o meu quarto descansar. Ao me deitar na cama, revirei em meus pensamentos o motivo de ter vindo parar aqui. Será que era mesmo para mudar a relação do rei com a família? Algo não bate… como se meu objetivo devesse ser outro, Más o que eu teria a ver com isso depois de tanto tempo?

Com esses pensamentos, peguei no sono profundo. De repente, eu estava em um lugar todo branco, não havia absolutamente nada, Então a imagem começou a aparecer. Primeiro, um verde escuro, e logo depois as  árvores surgiram longe umas das outras, e ao lado havia  algo que parecia um poço velho e quebrado. Atrás dele, aos poucos, uma enorme árvore com flores cor-de-rosa se revelou. Era ela... minha bela árvore de Sakura. Ela estava lá, esperando por mim. Más, de repente, tudo começou a se apagar e então eu acordei.

— Então será que é esse o lugar? Ainda não entendo por que meus sonhos falam comigo, mas agora finalmente sei onde minha árvore está. Eu finalmente poderei voltar...

Pela manhã, fui o mais rápido que pude falar com Wolff.

— Então é isso, Katte... Pelo que você está descrevendo, essa árvore se encontra na Floresta das Almas. É um lugar estranho e perigoso, onde nem os mais corajosos se atrevem a entrar. Muitos entraram, mas poucos saíram...

— Se é tão perigoso... Apenas me mande um guia até o início da floresta. Eu irei em diante sozinha.

— Isso eu não posso permitir. Você não conseguiria seguir em frente sem ajuda. O lugar é muito perigoso.

*Silêncio*

Faço um esforço e olho nos olhos de Wolff sem desviar. Essa pode ser a última vez em que poderemos conversar assim,  ele se aproxima e me diz algo... que de certa forma, me deixa muito feliz.

— Katte... Essa não será a última vez que nos veremos. Eu ainda não posso sair daqui, mas um dia irei encontrá-la, nem que tenha que viajar por outra dimensão para que isso aconteça.

Eu me aproximo e o abraço, esperando que esse não seja o último. O pouco tempo que passei com ele foi o suficiente para querer mais que apenas alguns dias  de conversas. Quero poder passar horas conversando com ele todos os dias.

— Eu… Eu  Irei esperar por você ansiosamente Wolff — me afasto enquanto caem lágrimas dos meus olhos.

                                                          CONTINUA...

Katte and WolffHistórias para pegar e não largar. Descubra agora