14 DO SAGRADO AO ÓDIO

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— Menina!

— O que foi? — Fala enquanto olha intensamente em seus olhos cor de mel.

— Não desvie o olhar — ele rosna ferozmente franzindo o cenho enquanto encara cada detalhe do meu rosto — Você não é daqui... O que faz tão longe de casa?

— Eu- Espera, você fala? Eu costumo entender os animais, mas eles nunca falam literalmente comigo.

— Vocês humanos são seres complicados, tem certeza que eles não falam? Talvez vocês que não os entendem.

— Você não vai me matar senhor lobo?

— Você acha que eu tenho motivos para tais atos?

— Mas... Eu não era a sua presa? Você me perseguiu até aqui, então qual o seu objetivo?

um silêncio percorreu por alguns segundos, o Senhor Lobo parecia tão enigmático mas ao invés de me trazer calafrios estava mais para algo reconfortante

— Por favor me fale, porque você nos atacou?

— Eu os ataquei? Vocês nos atacaram primeiro! Eu estava defendendo a minha família.

— Isso...

— Todos nesta floresta, cada animal ou espírito selvagem é a minha família, então é meu dever os proteger. Você não acha criança?

Eu senti coragem depois de muito tempo, sabia que precisava agir se quisesse voltar para casa, respirei fundo e perguntei

— Você é o espírito da floresta?

— Me diga você menina, você acha que eu sou um espírito?

— Você parece bem físico para mim.

— Então isso responde sua pergunta. Eu não vou matar você, mas também não sinto vontade de lhe ajudar na sua busca.

— Você sabe o que eu estou procurando, não sabe?

— Será que eu sei? O que você procura pequena? Uma árvore sagrada? Um portal para sua casa? Ou tomar o que é seu por direito?

— Você não poderia ser menos enigmático?

— Esse sou eu, sinto muito mas não irei mudar por você.

— Eu não quero um reino, eu sei que no passado ele seria meu, mas eu não sou a mesma de antes. Apenas quero voltar para casa.

— Como consegue ser assim? Não sente remorso por terem tirado tudo de você?

— Bem... Fico triste pelas pessoas e por tudo o que passaram e sei que mesmo sem memórias deveria ficar com raiva mas não sinto isso, eu acho que meu coração já seguiu em frente a muitos séculos.

Foi aí que o Senhor lobo da floresta baixou a guarda, sua expressão agora era de calma e tranquilidade, ele se deitou na minha frente e me pediu para subir nas suas costas.

— Vou levá-la até metade do caminho, não irei além disso. Pois atrás dessas fronteiras reina o demônio.

— Demônio? Mas... Esse caminho não leva até a árvore sagrada? Como pode haver um demônio?

— Logo você saberá, ele não tem redenção, é ganancioso e arrogante então não confie nele criança.

— Tudo bem, eu entendi.

Depois de um tempo chegamos a uma parte fechada da floresta, não tinha saída e sim na frente tinha um muro feito com árvores emaranhadas. Não parecia algo natural mas também não poderia ter sido feito por alguém, era um muro imenso de altura e largura.

Katte and WolffHistórias para pegar e não largar. Descubra agora