1 A VIAGEM INESPERADA

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Tudo começou com mais um dia normal, eu estava dormindo tranquilamente ao som da chuva na playlist do meu celular. Eu amava dormir escutando os sons da natureza, e não havia forma melhor de cair no sono.

Levantei da cama e fiz minha higiene matinal, ao saí do banheiro resolvi trocar de roupa pois ainda estava de pijama. Fui até o meu guarda-roupa, olhei para os milhares de vestidos que eu tinha e peguei o meu favorito.

Ele era rosa-claro, com babados nas pontas, ia até o joelho e tinha flores de camélias por todo o comprimento. Possuía quatro alças: duas finas, que ficavam sobre os ombros, e mais duas no estilo tomara que caia, com um babado no busto.

Depois de vesti-lo e desci para tomar café com a minha família. Eu preferia tomar café no meu quarto e evitava sair muito dele. O que eu posso dizer? Ele tem tudo o que eu preciso: muitas plantas, banheiro, internet... simplesmente tudo o que me agrada. Meu quarto é coberto por um tapete de grama comprida, igual aos gramados de futebol, minha cama é grande com duas cortinas, e as paredes são cobertas por ramos de plantas trepadeiras. Tenho uma pequena árvore de sakura ao lado do meu banheiro, que cresce até o teto. Não havia motivo para sair de lá, mas minha mãe gosta dessa aproximação. Ela exige que todos tomemos café, almocemos e jantemos juntos. Fazer o quê? Eu gosto de deixá-la feliz.

Quando saí do quarto, olhei para baixo na sala de estar e vi meus irmãos, cada um fazendo alguma coisa enquanto esperavam o café ficar pronto. Minha casa era bem grande, então, do andar de cima, dava para ver quase tudo. Temos duas escadas no meio da sala de estar que levam para os quartos, que ficam na parte superior. No andar de baixo, ficam a cozinha, o jardim e o porão. Minha irmã mais nova é a única que vai lá constantemente; ninguém mais se atreve a fazer isso.

Ao todo possuo doze irmãos, eu sei que são muitos mas fazem parte da minha enorme família, sempre me perguntei como poderia me encontrar com tantos parentes assim... Mas se eu pensar de mais poderei não sair nunca do lugar.

Ao sentar à mesa, tomamos café, conversamos e seguimos com o dia. Eu sempre vou ao jardim depois do café da manhã, é um hábito que tenho todos os dias. Meu jardim fica no enorme quintal que temos, repleto de uma grande variedade de flores: rosas, camélias, begônias e muitas flores de Dália, elas são simplismente as minhas favoritas, seu perfume doce e sua estrutura delicada me deixa encantada.

Amo ficar descalça na grama. Sou sensível a várias texturas, mas amo sentir a grama nos meus dedos. Por isso, meu quarto também é revestido com ela. Meus pais fazem de tudo para que eu me sinta confortável, e eu amo isso neles.

Depois de regar e apreciar as flores, dirigi-me à parte lateral do quintal, onde fica uma árvore de sakura enorme. Sakuras são minhas flores favoritas, e sempre tive um carinho muito grande por elas.

Essa árvore em específico era minha favorita. Era enorme, linda, e suas flores nunca murchavam ou caíam, parecia mágica. Todas as manhãs, eu me sentava debaixo dela para ler um livro. Ficava imaginando como seria ir para outro universo onde apenas eu e meus livros existiam, eu amo a minha família, mas eles não conseguem me entender, cada dia que passa mais eu sinto a falta de alguém que conversei comigo de igual para igual sem me tratar como uma criança.

Sempre gostei de ler, mas nunca tive ninguém com quem conversar sobre os livros. Todos tentam me ouvir, mas dizem que às vezes é difícil entender o que eu falo, que sou enigmática. Mas eu não acho isso, só ó falta alguém que me entenda... Mas acho que isso não vai acontecer tão cedo.

Depois de um tempo lendo acabei adormecendo, tudo ficou branco e silencioso, ouvia vozes me chamando mas não conseguia identificar, uma parecia de um homem e a outra de uma mulher, e me pareciam tão tristes...

Eu acordo com algumas flores caindo sobre meu rosto. O que era estranho, pois, em anos, isso nunca havia acontecido. Quando me levantei devagar e olhei para cima, vi que as flores estavam brilhando em um tom de rosa cintilante, tão brilhante quanto estrelas.

Me virei de frente para a árvore e me aproximei encostando minha testa do tronco, eu não sabia o motivo mas podia sentir os sentimentos das plantas e animais sem que eles precisem me falar nada.

Algo estava estranho, eu estava acostumada com coisas estranhas, devido à frequente convivência com meus irmãos e amigos, mas nunca vi nada assim. Ela estava quente e vibrando, parecia com um terremoto dentro dela, mas por que isso estava acontecendo?

Eu... sentia que a árvore estava me chamando, que queria me levar a algum lugar. Ou talvez fosse tudo apenas alucinação da minha estranha cabeça, Foi então que a luz brilhou ainda mais intensamente, e uma porta surgiu em seu tronco.

Ela era branca com flores douradas esculpidas em relevo, sua maçaneta era em forma de uma flor de Dália branca, tão bela e delicada quanto uma verdadeira.

Olhei por dentro da fechadura e vi um campo aberto com poucas árvores e muitas flores. Fiquei encantada, meu rosto se iluminou, era tão... Não conseguia expressar o quão lindo era. Senti uma familiaridade sem igual percorrendo meu corpo e mente, seguidos de uma imensa vontade de entrar.

Eu sabia que podia ser perigoso, mas algo me atraía para aquela porta como um ímã. Segurei a maçaneta e a girei. — Respira fundo lentamente.

Era agora, no três eu vou...

— Um... dois... Três!

Ouvi um clikc, como se algo estivesse sendo destravado, será que finalmente a minha vida vai dar espaço para um mundo novo?

Quando a porta se abriu, eu vi melhor o campo florido. Flores rosas, brancas, douradas e de cores que eu nunca tinha visto antes.

— Mas... que lugar é esse? — Katte olha em volta de forma curiosa. E por qual motivo sinto uma sensação tão familiar?

De repente, ouço barulhos vindos do horizonte, Eram soldados... Cavalgando lobos enormes.

— Avante! Não deixem ela escapar! - Grita alguém de longe.

Eu não sei se isso é medo ou animação, talvez seja uma mistura dos dois, Más de uma coisa eu sei, eu estou muito animada para o que pode vir em diante?

                                                          CONTINUA...

Katte and WolffHistórias para pegar e não largar. Descubra agora