Capítulo 9.4 - A Paciência é a Chave

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O forte sol banha com seus raios a areia do deserto em um lugar desconhecido. Um Rei desperta em meio ao mar branco e quente que se perdia ao horizonte. A claridade ofuscava os olhos que mal se abriam e logo se fechavam. O céu não continha nuvens; o ar estava seco e escasso, dificultando a respiração de qualquer um que viesse a usa-lo.

Amur estabiliza sua visão que se fixa semiaberta; respira fundo; é tomado pelo ar quente que adentra em seu peito, causando forte ardência em seus pulmões; adota uma respiração vagarosa. Levanta-se. Para não sofrer ou, ao menos amenizar possíveis queimaduras solares, cobre o corpo com sua capa, mesmo sentindo muito calor. Estava desorientado; precisava encontrar algum campo distinto, onde pudesse haver sombra e, consequentemente água, para repousar; hidratar-se e se reestruturar. Mas, onde? E, qual direção tomar? Sendo que o mar de areia se estendia por todos os sentidos, perdendo-se de vista!

O Rei da Espada estava a mercê da própria sorte. Um caminho teria que ser tomado logo, pois se demorasse em sua decisão, a morte por ressecamento seria certa. Como de costume de todos, quando estão em alguma situação de perigo ou que não estejam conseguindo solucionar um problema; é de instinto do ser humano pedir ajuda, a fim de obter resultados. Foi isso que de primeira tentativa Amur fez. Gritou á todos os ventos:

_ Alguém consegue me ouvirrr?

Na imensidão interminável de areia, a voz do jovem Rei repetia-se varias vezes, envolvida pelo eco e, logo se dissipava.

_ Alguémmmm!

Ninguém o respondera. Ele estava só. Sem mais o que fazer e sabedor que necessitara descobrir-se, decide de imediato seguir rumo ao Sul. A caminhada estava difícil; conforme andava seus pés afundavam na fofa areia, retirando-lhe a agilidade. Mesmo na dificuldade, conseguira andar sem parar por longas três horas. Nada de novo havia visto até então, a não ser a mesma visão de sempre: areia e mais areia. Por ter andado muito e sem parar, sob circunstancias criticas, a sede o toma; sua garganta esta seca; seus lábios começando a rachar; olhos irritados; pés com bolhas; pele toda vermelha. Começa a ter alucinações.

O limite da compreensão, por muito havia sido ultrapassado. Na loucura de sua mente perturbada, vê á alguns metros á frente palmeiras. Retirando forças do desespero, enche o corpo de adrenalina. Retira as botas que estavam cheias de areia; desvencilha de sua capa; corre em direção a elas.

O que eras pra estar bem perto, ficava longe e mais longe; Amur quanto mais corria, mais se distanciava das palmeiras. O pobre jovem havia caído em uma miragem. Oasis são muito difíceis e raros de serem encontrados em um deserto como este. A sorte abandonara o Rei. Para; cai de joelhos; põe as mãos na garganta; a fadiga o ataca bruscamente. Diz com muita dificuldade:

_ Não estou conseguindo respirar.

Desmaia em meio ao deserto.

Tudo estava se encaminhando para o fim de Amur, quando... Camelos berram; homens conversam em latim:

_ Est mortuorum? ( Será que ele esta morto?).

Outro reponde:

_Nescimus. Aufer. Sit scriptor ad castellum. ( Não sabemos. Pegue-o. Vamos leva-lo para a aldeia).

O Rei é encontrado por um grupo de homens cujo os corpos eram cheios de tatuagens estranhas; usavam roupas brancas que cobria todo o corpo; carregavam enormes espadas; muito cantis de água doce e possuíam camelos muito altos e fortes, que continham inscrições em latim pelo corpo. Fora levado por eles.

Iniciam viagem em meio o deserto afora. Em um dado momento param do nada. Um homem desce de seu camelo, dá quatro paços a frete e diz:

_ Qui ibi habitant manifestaturus es. ( Revele-se aos que aí habitam).

Aos Olhos Do CavaleiroOnde histórias criam vida. Descubra agora