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Felix estava nervoso.

Seu estado agitado era perceptível para qualquer pessoa que o conhecesse bem – principalmente para Jisung. Assim, não foi surpresa quando sentiu o calor e conforto do corpo do namorado contra o seu no momento em que a porta fechou, na tentativa de acalmar a sua confusão com um abraço que sempre o deixava bem.

Não que o Han também não estivesse nervoso, mas, quando entrelaçaram as mãos ao seguir para o quarto, o tremor das do loiro era notável em conjunto com a expressão que o fazia parecer estar preso aos próprios pensamentos e tremores. Dessa forma, foi fácil para ele afastar minimamente os seus próprios medos em prol de cuidar do amado, puxando-o para o seu colo e o fazendo descansar contra o seu corpo no estofado da cama enquanto iniciava leves carícias em suas costas. 

— No seu tempo — foi tudo o que Jisung sussurrou para o namorado, notando a forma que parecia estar lutando para encontrar as palavras certas.

— Estou com medo — Felix começou a falar, levantando o rosto do pescoço do outro para poder encará-lo devidamente — Fiquei a semana toda tentando entender toda essa situação, me entender, pensando nos mais diversos cenários: valeria a pena? como você iria reagir? você iria me odiar? me afastar? eu conseguiria perder você se essa fosse a sua decisão após me ouvir?

Sempre foi fácil se abrir um com o outro, a relação de cuidado e conforto os dava abertura para falar sobre tudo e nada. Mas aquela situação não era algo tão simples de resolver – e muito menos algo tão recorrente nos dias atuais.

— Conversei com o Seungmin — ele continuou — Ele me fez perceber que não seria saudável nos prender dessa forma com toda essa situação rolando, mesmo que de forma inconsciente — um sorriso triste pintou seus lábios — E nossa relação sempre foi baseada na confiança, né?

— Amor...

— Me deixa falar antes, sim? — o loiro pediu baixinho, encostando as testas e fechando os olhos ao que o namorado murmurava em concordância — Eu vou contar tudo e depois você pode me xingar, gritar ou me mandar embora. Mas me escuta antes, tá bom?

Ambos os corações apertavam em angústia e medo enquanto eles tentavam se segurar em todo o conforto possível antes do caos, que sabiam estar por vir, eclodir.

— Aconteceu uma coisa que me fez começar a questionar tudo. Quer dizer, quase tudo, porque o meu amor por você sempre foi alto e claro para a minha mente e coração — este que agora doía com o medo do desconhecido — Mas essa certeza acabou me deixando ansioso de uma forma que só aconteceu antes de a gente começar a namorar – um sentimento ruim no peito regado de incerteza, sem saber o rumo que a gente tomaria. E eu estou com tanto medo.

Eles tentavam segurar o choro que já os assolava, desviando até do olhar um do outro, pois sabiam que no momento em que se encontrassem toda a dor seria exposta em forma de lágrimas. E assim aconteceu.

— O que eu vou perder se te contar ao invés de guardar e deixar me consumir? O quanto eu vou te machucar e me machucar se colocar tudo isso para fora? Qual certeza eu tinha de que não doeria se eu guardasse tudo? — Felix expressava as perguntas que tanto se fez durante a semana — Sem segredos entre a gente, não é? Sempre foi assim, mesmo antes do nosso namoro — sorriu tristemente em meio às lágrimas — Eu não sei o que fazer, porque eu te amo, te amo para caralho. Mas, mesmo te amando tão intensamente, um sentimento novo acabou nascendo por outra pessoa. E esse novo sentimento não diminui em nada o que eu sinto por você, mas acabou abrindo espaço para outro.

Ambos já choravam audivelmente, as mãos entrelaçadas em um aperto profundo, os olhos transbordando tudo o que o coração não conseguia falar. Porque doía. Tudo doía.

HYUNSUNGLIXOnde histórias criam vida. Descubra agora