twenty-ninth

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Storyteller POV

Assim que ouviu seu pequeno, Peter sentiu o coração esfriar por um segundo e logo começar a acelerar, afinal não era sempre que Theodore soava tão sério, então após alguns segundos pensando de coisas aleatórias com preocupação, conseguiu o responder.

- Claro, meu bem... Pode contar o que quiser pra mim. - afirmou antes de selar sua bochechinha com leveza, na tentativa de passar segurança mas também calmaria, não precisava se acanhar consigo independente do que desejasse dizer.

- Quando você me abraça... Às vezes faz carinho em minhas costas e... Eu sei que já sentiu minhas cicatrizes. - referiu-se às elevações pelas quais a mão alheia viajava sobre, mesmo com o tecido para impedir o contato direto, era notável que aquilo não era normal - Eu tenho muita vergonha disso, Peter... - falou baixinho e encaixou o próprio rosto no pescoço alheio, de forma a descansar também parcialmente em seu peitoral.

- Não se preocupe, meu amor... Eu te amo... Você é o ser mais lindo que eu já vi. - inicialmente, sem tantas informações, o Han entendeu que seu pequeno estava preocupado com a aparência, então apenas fez questão de lhe abraçar com mais força e acariciar o alto de suas costas, onde não percebia cicatrizes e consequentemente talvez o fizesse menos preocupado.

- N-não é só isso... - manhou novamente quase silencioso, ganhando beijinhos leves no cabelo daquele que lhe ouvia pacientemente - Eu nunca contei pra ninguém, Peter... Mas quando eu tinha uns 13 anos... Meus pais me batiam todos os dias. - sua voz era frágil e o maior podia ouvir ele respirar meio desesperado, contudo o deixava falar como conseguia, sem o apressar.

- Eu acho que... Isso começou quando eu decidi expressar meu desconforto em... Em ir em festas e essas coisas. - ali em seu esconderijo, Theodore conseguia se sentir um pouco mais tranquilo para dizer o que tinha em mente, totalmente seguro nos braços daquele que o amava, podia sentir isso - Eu não me enturmava bem e queria estudar, queria ser médico... E meus pais queriam que eu fosse um adolescente normal. - quis dizer aqueles que saíam para passear de skate e não voltavam mais, aquilo era loucura para sua personalidade.

- Eles não tinham o direito de fazer isso, meu anjinho... Nunca mais vão encostar em você... - o Han disse algo para demonstrar estar acordado e prestando atenção, beijando seu cabelinho cheiroso mais vezes ao passo que suas mãos atenciosas se matinham no corpo alheio, fazendo de tudo para o deixar bem acolhido em si.

- As cicatrizes... São de quando eles chegaram bêbados depois de um evento da família, eu estava no quarto fazendo uma apostila de exercícios e... Já era quase quatro horas da madrugada... Eles viram minha luz acesa e demorou pouco até que eu sentisse meu pai me puxando... - o silêncio se estabeleceu quando o mais velho fechou os olhinhos para se desfazer das lágrimas acumuladas ali, lembrava-se dos detalhes e eram horríveis, uma das piores noites de sua vida, sentia-se muito mal por os decepcionar ao mesmo tempo que como um ser humano se sentia totalmente desrespeitado.

- Meu amor... A maneira como as pessoas agem sobre a gente, só diz sobre elas. Eu tenho certeza que você foi um filho maravilhoso... Tão dedicado, provavelmente muito amoroso... Eles que não te mereciam como filho. A vida é ingrata, a gente dá muito e recebe pouco, mas isso não significa que acabou. O amor deles talvez não estava pronto pra você, mas olha só, o de Ari sempre esteve... E o meu também se preparou pra te receber. - sorriu leve antes de beijar sua testa, enxergando pouco de seu rosto, contudo não importava, bastava sentir sua presença e deixar ele relaxar mesmo chorando, era uma maneira de se libertar da dor - Não vou te dizer que deve perdoar ou esquecer o que aconteceu, não é simples assim, só quero estar aqui pra que você converse sobre isso quantas vezes quiser... E também pra que me deixe te encher de amor, abraços e carinhos, quero que tenha a certeza de que é perfeito e amável, um ser incrível. - acrescentou com calma, deixando ele se recuperar para continuar a história, se desejasse.

scars - minsungOnde histórias criam vida. Descubra agora