Places We Won't Walk, Bruno Major

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Dia 3

Interações em redes sociais

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   Depois de alguns dias que o quarto do lado de fora havia sido higienizado, Julie finalmente teve coragem de visitá-lo

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   Depois de alguns dias que o quarto do lado de fora havia sido higienizado, Julie finalmente teve coragem de visitá-lo. As coisas estavam exatamente como ela se lembrava: a cozinha, a sala, o quarto no andar superior, tudo em conceito industrial e aberto. Seu lugar preferido, era o ao lado da escada de caracol, um assento na janela envolto de estantes de livros. Sabia que Ray tinha construído aquela parte especialmente pensando no escritório dela em Los Angeles:

   -Ele tinha muita fé que você fosse morar aqui conosco.

   Sara estava com o ombro apoiado na porta atrás da escritora, os olhos passeavam pelo loft como se fosse a primeira vez que o via. Julie suspirou, observando as muitas fotos de família que o pai havia pregado nas paredes:

   -Eu sei.-Ela sussurrou. Caminhou até o sofá de couro e sentou-se nele, ainda sentia as pernas queimando por conta da dança de salão. A madrasta se acomodou ao seu lado, mais distante do que outra pessoa provavelmente ficaria.-Às vezes me pergunto se as coisas seriam diferentes se eu tivesse ficado e vendido o apartamento em Los Angeles.

   -Talvez.-Comentou Sara, passando as mãos pelas coxas para limpar o suor delas. Era um pouco vergonhoso a forma como ela ficava nitidamente desconfortável perto de Julie.-Você não teria conhecido Luke.

   A escritora soltou o ar pelo nariz em uma risada e cruzou os braços, afundando o corpo no sofá, de repente se sentiu envergonhada pela conversa que teve com a madrasta no outro dia.

   -Existiriam outras oportunidades para a gente se conhecer.

   As duas ficaram em um silêncio que não souberam julgar se era confortável ou não, estavam incertas sobre em que pé a relação delas andava no momento:

   -Desculpe pelo que está acontecendo com seu pai, Julie. Sei que tenho responsabilidade também.

   A escritora encarou uma foto com sua mãe pendurada perto da televisão. Era seu registro favorito das duas. Estavam sentadas em um campo de flores, abraçadas. Pensou o que Rose diria em uma situação como essa, como ela agiria diante de uma relação tão incerta e cheia de inseguranças como a de Julie e Sara. Ela a confortaria? A acusaria? Iria embora? Brigaria com ela? Mas, no fim, era besteira pensar nisso, sabia exatamente o que a mãe faria. Antes que sua coragem fosse completamente embora, a escritora estendeu a mão e segurou a da madrasta sobre o sofá. A mais velha a encarou, boquiaberta, mas Julie não devolveu o olhar, apenas suspirou mais uma vez antes de dizer:

   -Não é sua culpa, Sara.

Pandemic | JukeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora