Aquele da decisão

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Um mês.

Já tinha se passado um mês desde que James e Lily haviam sido assassinados e Remus não tinha voltado a falar com ela. Tinha saído nos jornais a prisão de Sirius de maneira bastante especulada, o indicando como fiel do segredo e vira casaca, com o mesmo preso em Azkaban. Ela havia tentado contato, enviado cartas, mas o sistema prisional era forte demais, com todas elas voltando ao destinatário.

Em dado momento, Hermione tinha ido até Minerva desabafar, pois não aguentava mais o sentimento de culpa que havia se instalado após as duras palavras de Remus. Ela tinha ido pessoalmente até Hogwarts em uma noite de domingo, assustando a mais velha com o seu estado choroso, imediatamente sendo levada até o seu gabinete.

-Jean, querida, o que aconteceu?

-Remus terminou comigo...

Minerva arregalou os olhos, chocada com a informação.

-Querida... mas ele gosta tanto de você... o que aconteceu? É aquela ideia maluca de Sirius só rê proteger quem ama estando separado?

Hermione negou com a cabeça, começando a chorar e se sentando na cadeira de frente a Minerva.

-Ele... ele disse que sou culpada pela morte de James e Lily...

Levou menos de um minuto para Minerva entender o real motivo da acusação.

-Jean Granger! Você contou a ele?! Não podia ter feito isso!

-Era uma questão de confiança, Minerva! Eu descobri sobre a condição dele, então dei a minha em troca!

-Jean, os inomináveis fizeram um acordo com você... e você o quebrou

-De que adianta agora, se sou a culpada indiretamente pela morte deles? Ele até me expulsou do enterro!

-Querida.... Por mais que tenha sido uma ação impensada e que não vá se repetir novamente, assim eu espero, Remus está errado. Você não é a culpada de nada, só fez o que era certo. Coisas terríveis acontecem com bruxos que mexem com o passado. Acho que com o tempo ele vai perceber como sente a sua falta e vai voltar para você.

-A senhora não vou como ele saiu de casa, não tem mais volta. E mesmo que Sirius estivesse solto, tenho certeza que a essa altura ele já saberia também, e provavelmente faria igual ao tratamento a Severo. Estou sozinha de novo, Minerva...

-Não, você não está. Ainda tem a mim, já se esqueceu?

-Mas a senhora passa a maior parte do tempo em Hogwarts, não é a mesma coisa.

-Então sinta-se livre para vir me visitar quando quiser. Sempre estamos precisando de um professor ou dois por aqui.

Mas aquilo não diminuía a dor que ela estava sentindo, muito menos as saudades de Remus.

Foi em uma noite de decisões impensadas que ela havia decidido que não aguentava mais manter as coisas como estavam, que Sirius não merecia estar preso injustamente, e que Peter merecia ser acusado. Em uma noite, depois de um longo mês de luto, Jean decidiu que iria atrás do verdadeiro culpado e mudaria seu passado. Pouco se importava se ela não iria nascer, mas seus amigos não mereciam sofrer daquela forma. Assim, foi com atitude que ela acordou naquela manhã e aparatou próximo da floresta onde havia sido levada meses antes, se embrenhando na mata até encontrar - com certas dificuldades - alguém que pudesse ajudá-la a achar Remus. Por sorte ela tinha se tornado um rosto conhecido na alcatéia após o evento traumático em que fora necessário passar a noite lá, por isso não foi difícil convencer a pessoa de ajudá-la.

Mas talvez ela devesse desconfiar mais das reais intenções do lobo simpático.

Uma vez no caminho certo, não demorou muito para encontrar a clareira, e menos ainda para marchar até o chalé de Remus, agradecendo por tê-lo visto entrar momentos antes. Afoita, ela se aproximou e bateu na porta, ansiosa com a interação, mas quando ele a abriu sua expressão não foi das mais interessantes.

O Uivo Da LuaOnde histórias criam vida. Descubra agora