Este imagine foi um pedido. Espero que gostem! Não se esqueçam de votar muito e comentar também. No capítulo anterior, comentem quais personagens gostariam de ver aqui. Beijinhos...
Seu Nome Lance
A primeira coisa que encontrei foi a câmera descartável.
Estava na caixa marcada como "memórias da faculdade", junto com cadernos rabiscados, canetas falhadas e recortes amassados de jornais velhos. Mas foi a câmera que me fez parar. Senti os dedos formigarem quando a peguei. Ela ainda tinha uma fita vermelha presa no canto — ideia do Peter, claro.
Soltei um suspiro e me sentei no chão em meio às caixas abertas. Aquela câmera foi o começo de tudo.
Lembro exatamente do dia em que o vi pela primeira vez.
Eu estava na correria de sempre, com o gravador na mão, café na outra, tentando entrevistar alunos aleatórios sobre o sumiço do Homem Aranha. A cidade andava estranha sem ele. A polícia dizia que estava "sob controle", mas as pessoas sentiam a falta dele. Sentiam a falta das aparições repentinas, dos salvamentos de última hora. Eu também.
Foi então que bati de frente com ele no corredor do prédio de fotografia.
— Ai, droga! Desculpa, eu estava — parei. Ele tinha olhos intensos e tristes, como se o mundo tivesse desmoronado ao redor dele e ninguém percebesse.
— Tudo bem — ele respondeu, quase automático, os olhos fixos na câmera que eu quase fiz cair da mão dele — Você é a garota da matéria do Aranha, né?
Assenti, ainda tentando recuperar o fôlego e a compostura.
— Sou. Por quê? Você vai dizer que ele é um criminoso também?
Ele riu. Seco.
— Não exatamente.
Depois disso, Peter começou a aparecer em todo canto. Às vezes com uma desculpa de que queria ajudar com as fotos da matéria, outras só surgia com um café na mão e uma piada sem graça sobre "jornalistas serem piores que os paparazzi".
A verdade? Eu sabia que ele estava sondando o que eu pensava sobre o Aranha. Lembro de uma tarde no pátio da faculdade, quando estávamos revisando a matéria no notebook.
— Você fala como se conhecesse ele, Peter — eu disse, de repente — É muito estranho.
Ele hesitou por um segundo. Só um segundo.
— Talvez eu conheça. E se conhecesse?
— Diria que ele carrega peso demais sozinho — respondi, olhando para ele, que retribuiu — Mas que mesmo assim, ele ainda tenta fazer o certo. Eu admiro isso. Ele é...necessário.
Peter desviou o olhar, apertando os lábios. Aquilo o atingiu de um jeito que eu ainda não entendia totalmente.
Mas entenderia.
Com o tempo, nossa amizade cresceu. Passávamos tardes juntos. Ele me ajudando a entender sobre as luzes e sombrar nas fotos, eu lendo em voz alta minhas matérias enquanto ele fingia que não estava interessado. Mas ele estava. De um jeito que fazia meu coração bater diferente.
Foi então que em um dia, fui ao laboratório de fotografia determinada a confrontá-lo, usando uma desculpa qualquer. Ele estava sozinho, revelando algumas fotos. Não percebeu minha presença até eu falar.
— Peter...você é ele, não é?
Ele não fingiu surpresa. Não mentiu. Apenas ficou em silêncio.
— Você sabe que não pode contar para ninguém — sua voz era séria e aquele sorriso que eu tanto admirava não existia mais.
— Eu sei.
— E mesmo sabendo disso — ele se virou totalmente para mim — Ainda quer ficar por perto?
Sem desviar meu olhar do seu, me aproximei, parando a sua frente.
— Quero. Porque antes de ser o Homem Aranha, você o Peter — segurei sua mão, seu corpo tenso reagindo ao meu toque — E eu gosto do Peter.
Ele me olhou, como se tivesse medo de acreditar. Mas também como se precisasse desesperadamente que alguém acreditasse por ele.
Puxei outra caixa e tirei um crachá com meu nome impresso em letras borradas: "Estudante de Jornalismo — S/n Lance".
Foi esse crachá que caiu no chão quando o caos começou naquele dia.
O ataque à faculdade foi repentino. Um vilão que não me lembro o nome, rápido, grande e furioso. Eu estava na biblioteca fazendo uma pesquisa quando as paredes tremeram. Vidros estilhaçados, gritos por todos os lados. As pessoas corriam para a saída e foi nesse caminho que tropecei em meus próprios pés. O vilão estava se aproximando, com fome, o cheiro de morte espalhado por todo o corredor.
E então ele apareceu.
Homem Aranha.
Mas eu reconheceria aquele olhar em qualquer lugar.
— Eu te disse para ficar longe de encrenca — a voz abafada pela máscara até disfarçava um pouco aquele timbre que fazia as minhas pernas tremerem, mas eu também a reconheceria em qualquer lugar.
— Você me conhece, né? — tentei brincar, mesmo com o coração na garganta.
— Infelizmente.
Em segundos, eu estava do outro lado da calçada, observando a luta brutal e morrendo de medo por perdê-lo. Mas ele venceu e saiu caminhando pelo pátio principal. Com o uniforme rasgado, sangrando e debilitado, ele se aproximou, as pessoas eufóricas por finalmente o Homem Aranha ter voltado. Peter passou o braço pela minha cintura e nos tirou dali, levando-nos para o terraço do One World Trade Center. Apesar do vento parecer mais leve do que na faculdade, eu sentia o meu corpo tremer.
Ali, com o rosto sujo e o olhar cansado, ele tirou a máscara. Abracei Peter o mais forte que podia, lágrimas escapando pelas minhas bochechas. Quando ele me soltou, eu senti a dor em seu olhar, o medo, o desespero.
— Achei que te perderia também — sua voz saiu baixa, uma confissão que somente nós dois podíamos ouvir.
E eu fiz a única coisa sensata naquele momento. O que pareceu certo.
O beijei.
Meu coração palpitava freneticamente em meu peito, eu queria fazer aquilo há semanas. Talvez meses. E Peter correspondeu, como se também esperasse por aquilo todo esse tempo.
Repousei a câmera em minhas pernas quando o meu celular vibrou. Tirei o aparelho do bolso do moletom e vi o seu nome na tela.
"Terminou de empacotar? Posso passar aí para ajudar com as prateleiras. E talvez te roubar um beijo ou dois."
Sorri, apertando a câmera descartável contra o peito.
Ainda bem que ele decidiu voltar. Ainda bem que fiquei. Porque no fim, ele me salvou mais vezes do que poderia imaginar.
E eu também o salvei. Ajudando-o a lembrar quem ele era por trás da máscara.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Imagine Heróis Volume 3
FanfictionQuer se imaginar no mundos dos heróis? Entrar na história e curtir o máximo dela? Embarque nessa aventura junto comigo e com todos os leitores apaixonados por esse mundo mágico. Essa obra é fruto de minha imaginação, qualquer semelhança com a real...
