|63| Creep | Bruce Wayne/Batman | Parte 2 |

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Seu Nome

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Era pra ser só mais um.

Mais um desgraçado que achou que podia se esconder atrás de portas trancadas e promessas. Um homem de família, diziam. Um pai de dois filhos. Um cidadão de bem.
Até o corpo da esposa aparecer jogado no lixo com o rosto desfigurado e as costelas expostas.

E eu? Eu encontrei ele no bar, rindo, bebendo como se nada tivesse acontecido.
A ira dentro de mim não era só minha. Era de todas que nunca puderam gritar. E quando eu terminei com ele, o chão estava encharcado de sangue, e a parede... bom, ele já não respirava.

Foi aí que ele apareceu.
De novo.

— Você ultrapassou todos os limites hoje, Nêmesis — a voz do Batman me atravessou como gelo.

— Não brinque comigo hoje, Bruce — rosnei, virando lentamente, o rosto suado, os cabelos grudados na testa. — Ele matou a própria esposa. A própria esposa, Bruce. Sabe o que ele fez depois? Saiu pra beber. Como se ela fosse só... lixo.

— Isso não te dá o direito de ser juíza, júri e executora — ele rebateu, os olhos sombrios como a capa.

— E quem tem esse direito, então?! O sistema? O seu código moral falido?! — avancei, furiosa. — Quantas vezes o Coringa escapou? Quantas?! Quantas pessoas morreram por causa dos seus "princípios", Bruce?

Ele tentou se aproximar.

— Eu só quero que você pare antes que...

— Antes que o quê?! Que eu me torne um monstro como os que eu caço?! — gritei, empurrando-o com força. — Eu faço isso pelos meus irmãos, Bruce! Eu sou o escudo entre eles e esse mundo podre!

Ele tentou segurar meu braço, impedir que eu fugisse, como sempre fazia. Só que dessa vez, eu não cedi.
Lutei.

Golpeei. Chutei. Arranhei.

E ele também.
Foi rápido. Preciso.

Um chute. Um erro meu. E antes que eu percebesse, meu corpo atravessava o vidro de uma janela.

Caí dentro do apartamento.

Do meu apartamento.

— Não... — sussurrei ao me levantar, zonza, olhando ao redor.

Ali estava a sala de estar. Os brinquedos, as almofadas. A televisão ligada num desenho mudo. E três rostos paralisados.

Meus três irmãos.

O menor segurava o coelhinho azul. O do meio, uma almofada contra o peito. E a mais velha, de pé, na frente deles, o corpo instintivamente em guarda.

— S/n? — sussurrou Eric, os olhos arregalados.

— Não... não olhem pra mim — tentei cobrir o rosto, desesperada, a máscara já rachada e pendendo da lateral.

Ana tentou me afastar deles, achando que eu era uma ameaça.

— Saia de perto! — ela gritou, lançando-se em mim. Eu reagi por instinto.

Um golpe rápido. Ela caiu desacordada, com a têmpora machucada.

— Não! — gritei, correndo até ela. — Eu não queria... Eu não queria!

As crianças gritaram. Começaram a jogar brinquedos em mim. Choravam. Assustados.

Imagine Heróis Volume 3Histórias para pegar e não largar. Descubra agora