Capitulo 59

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20:41 — Lívia

Eu estava deitada, o celular em cima do criado-mudo e as luzes apagadas. O moreno estava no banho. As crianças já dormiram. A casa estava quieta... quieta até demais. Só havia os pequenos barulhinhos que o Miguel fazia com a boca.

O telefone vibrou uma vez. Eu achei que fosse grupo de mães da escola. Vibrou de novo. E de novo.

Eu estiquei o braço e desbloqueei a tela.

Número desconhecido.

Primeira mensagem:
"Tu devia ensinar teus filhos a correr."

Segunda mensagem:
"Porque da próxima, o bilhete vai vir com som de tiro."

Terceira mensagem:
Uma foto.
Dos dois, Enzo e Eloá, saindo da escola mais cedo naquela semana. Enzo segurando a mão da professora enquanto eu ainda não tinha chego.
A imagem tirada de longe. Mas perto o suficiente pra provar: alguém está seguindo eles.

O meu sangue gelou.

Levantei da cama num pulo, e fui direto até a porta do banheiro.

Lívia: bre. Agora.

Bato a porta com desespero.

Moreno: Que foi?

Seu tom era sério pra preocupado.

Lívia: ABRE MORENO!!

Ele saiu com a toalha na cintura. Nem deu tempo de perguntar. Eu joguei o celular na mão dele.

Lívia: Tu disse que tava sobre controle.Você mentiu pra mim.

Ele olhou a tela. Ficou em silêncio. Sem saber o que dizer.

Lívia: Eles tão seguindo meus filhos.O que mais tu vai esconder de mim?Quantas ameaças tu recebeu antes de eu saber?

Minha voz ecoa baixa pelo quarto para não acordar a crianças e nem assustar o Miguel.

Ele me olhou. E pela primeira vez... não soube o que responder.

Lívia: Eu não sou só a mãe dos seus filhos. Eu sou sua mulher. E se tão mirando na gente, eu quero saber antes de virar alvo.

Eu digo com a minha raiva nítida.

Moren: Eu queria te poupar.

Ele diz baixo e firme.

Lívia: Quem poupa demais... acaba entregando o pescoço.

Silêncio.

Eu puxei o celular da mão dele e sai do quarto. Fui direto até a gaveta onde guardavam documentos e puxei uma pasta. Lá dentro, uma arma pequena que eu mesma escolhi,  umas semanas atrás, mas nunca mais tinha tocado.

Eu olhei pra ele da porta:

Lívia: Agora eu quero tudo.Nome, rosto, plano.
Porque se encostarem nos meus filhos...eu mato até quem não tiver culpa.

Eu me sentei sozinha. A luz da geladeira era a única acesa. O moreno apareceu, em silêncio, encostado no batente da porta. Observou a mochila aos pés dela.

Moreno: vai pra onde?

Lívia; Vou mandar eles pra um lugar seguro.

Digo calma.

Moreno: Com quem?

Lívia: Com quem me deve a vida. E não vai pensar duas vezes antes de proteger a dos meus filhos.

O moreno se sentou do outro lado da mesa. A tensão entre nós dois agora era outra.

Lívia: E eu não vou ficar parada.Quero saber quem é o nome por trás disso. Quem manda, quem tira, quem ameaça.

O moreno ficou em silêncio. Depois tirou um papel do bolso, um papel pequeno.

Moreno: Esse número apareceu nos registros de uma ligação antiga.Quase esquecida. Mas eu reconheci a voz.

Eu peguei o papel. Um número. Nenhum nome.

Lívia: e você não ligou?

Moreno: Eu sei que, se eu ligar... eles atendem.
Mas tu é a única pessoa que talvez consiga sair viva depois disso.

Ela olhou o número.
Respirou fundo.
E discou.

Voz (do outro lado):
— A gente achou que tu ia demorar mais.

Fim da ligação. Nenhum nome. Nenhuma ameaça. Só aquela frase.

Eu fechou os olhos, devagar, frustrada pois só tive aquela informação e não era quase nada.

Lívia: Eles tão me esperando...

Moreno: você não vai e não adianta insistir, e se você for saiba que eu vou estar com você, você pode não me ver, mas eu vou estar lá.

Lívia: eu sei que vai.

Me levantei. Peguei a arma da pasta.Carreguei e guardei no cós da calça.

Lívia: Se eu não voltar em menos uma hora, tu faz o que sempre teve medo.

Moreno: você vai voltar.

Eu sai sem olhar pra trás. A noite não era mais escura do que o que vinha pela frente.

Moreno on

Moreno: você não vai estar sozinha.

Mando uma mensagem para o Bn que logo aparece ali no portão de casa.

Moreno: cadê ela?

Bn: entrou na rua do gt quando eu estava vindo.

Moreno: cuida dos meus filhos.

Coloco uma pistola com silenciador na minha cintura e saio querendo achar ela a todo custo. Eu estava de moto, eu sabia que fazia barulho e chamava bastante atenção mas era isso que eu queria, enquanto eu estiver dando sinal os meninos estão atentos.

Estou com medo de perdê-la.

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Foi isso bebês, espero que tenham gostado.

Dono do Morro.Onde histórias criam vida. Descubra agora